1º Seminário BANESPA de Aqüicultura

foto 2 edição 11Com uma impecável organização o BANESPA promoveu no último dia 10 de junho o 1º Seminário BANESPA de Aqüicultura. Foi uma bem recebida seção técnica com o Dr. Michel Pascal e a Dra. Ziva Ra’anan, dois especialistas israelenses da APT – Aquaculture Production Technology, empresa de biotecnologia especializada em transferência de tecnologia e implantação de projetos na área de aqüicultura.

Foi possível ver através da iniciativa de um banco estadual o Estado cumprindo seu dever de estimular a aqüicultura, este importante setor da produção de alimentos.

De acordo com o engº agrônomo Antonio Felix Domingues, ex-Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo e atual Diretor do DIROD – Diretoria de Operações e Desenvolvimento do BANESPA, o banco simplesmente cumpre as metas do Fórum de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo. Desta forma, estimula nas regiões a serem desenvolvidas, a implantação de atividades da sua vocação.

Para isso conta com o desempenho das prefeituras, como a do Município de Juquiá e de órgãos estaduais de pesquisa, como o Instituto de Pesca, que oferece suporte técnico aos projetos. Pequenos e grandes projetos, no total de 10,2 milhões de dólares, já foram analisados e aprovados. No Município de Olímpia foi aprovado financiamento de 15 mil dólares para implantação de uma piscicultura de pacú e tambaqui, outros 127 mil dólares foram liberados para dois projetos de truticultura em Cunha e Campos do Jordão e 500 mil dólares financiaram dois projetos de peixes e camarões no Vale do Ribeira.

O Grupo Sopoupe recebeu financiamento de 9,6 milhões de dólares para implantação de um ambicioso projeto que dará suporte a um pólo de aqüicultura no Município de Eldorado, também no Vale do Ribeira. Para Antonio Felix, o que se pretende é implantar uma aqüicultura moderna e competitiva, comparável até mesmo às melhores do mundo.

1º Seminário BANESPA

Falando para os convidados do BANESPA, uma platéia composta por investidores e profissionais da aqüicultura, os técnicos israelenses falaram sobre os vários aspectos que envolvem a implantação dos projetos de aqüicultura e salientaram que nem sempre a alta tecnologia é a melhor e, através de modelos econômicos, mostraram como um projeto pode ter diferentes resultados se implantados em ambientes distintos, isto é, para uma determinada situação deverá ser utilizada uma tecnologia específica.

A Dra. Ra’anan em sua palestra inicial mostrou o importante papel que a aqüicultura terá para abastecer a população mundial nesta virada de século. A pesca mundial estará chegando em 1995 aos seus limites de captura e deverá se estabilizar nas 100 milhões de toneladas anuais. Mas o crescimento populacional, associado a uma tendência de mudança nos hábitos alimentares, fará com que haja uma demanda muito superior a essas possibilidades de captura. A média mundial de consumo per capita que em 1989 foi de 13.4 kg chegará a 15.4 kg no ano 2000 e a 16.1 kg no ano 2010. Somente a aqüicultura virá em socorro desta demanda. Para se ter uma idéia, atualmente a aqüicultura contribuiu com 16 milhões de toneladas (25%) para o total de 64 milhões de toneladas de alimentos aquáticos consumidos em 1991 e gerou US$ 25 bilhões que significam 28% do total dos US$ 90 bilhões gerados pelo setor. Esses dados mostram que o valor dos alimentos produzidos pela aqüicultura já são maiores do que os produtos originados da pesca.

Ainda, de acordo com a Dra. Ra’anan, das 16 milhões de toneladas produzidas pela aqüicultura no ano passado, 8,2 milhões de toneladas são de espécies marinhas e 7,8 milhões de toneladas de espécies de água doce. Uma previsão para o ano 2000 indica que os atuais 25% de contribuição da aqüicultura poderá facilmente chegar a 35% do total de alimentos aquáticos produzidos com resultados da ordem de US$ 39 bilhões.

EUA

O Dr. Pascal mostrou as razões pelas quais acredita que o mercado norte-americano deve ser visto com muito bons olhos pelos aqüicultores brasileiros. Para isso mostrou que em 1990 a pesca naquele país desembarcou 3,9 milhões de toneladas, equivalentes a US$ 3,4 bilhões e, para se ter uma idéia da demanda, foi preciso importar naquele mesmo ano 8.7 milhões de toneladas, com gastos de US$ 9,9 bilhões.

Os países da América do Sul parecem despresar este mercado, a despeito da relativa proximidade, pois no mesmo ano exportaram juntos somente 217.000 toneladas. O Equador liderou exportando 63.640 ton, seguido do Chile, da Argentina e do Brasil com 17.270 toneladas de pescados, o que é muito pouco (0,2 %) comparado com o volume total importado naquele ano pelos EUA.

Entretanto, de acordo com o Dr. Pascal, mesmo com esta grande demanda, nem todos os pescados possuem boa aceitação pelos norte-americanos que são rigorosos com as espécies que vão consumir e principalmente com a qualidade do produto final, seja fresco ou congelado.

A vedete atual parece ser a tilápia híbrida (ver Panorama nº 10) e utilizando-a como exemplo o Dr. Pascal aproveitou para mostrar a estrutura de preços normalmente praticada no mercado norte-americano. O filé de boa qualidade, sem sabor de lama (normalmente as tilápias são depuradas antes de serem abatidas) e bem processado, é normalmente adquirido aos aqüicultores pelos importadores ao preço de US$ 5,28. Estes revendem aos distribuidores a US$ 5,87, que os revende aos dealers (revendedores) a US$ 6,53 que os revende aos supermercados, restaurantes e hotéis a US$ 7,66 que por sua vez vendem ao consumidor final a US$ 10,93 o kilo. Pascal aconselha aos produtores a tentarem penetrar naquele mercado ao nível dos revendedores (dealers). É bom lembrar que cada tilápia comercializada tem peso médio de 700 g e produz dois filés de 140 a 175 gramas cada. Com relação a produtividade os técnicos israelenses apresentaram dados de produção em sistema de policultivo com camarões onde foram obtidas 15 ton/ha/ano de peixes com uma produção adicional de 1 ton/ha/ano de camarões.

São resultados bastantes satisfatórios acompanhados de uma estratégia de mercado, este sócio ausente e esquecido do aqüicultor brasileiro. Outros seminários virão por aí, diz o BANESPA, que parece não ter dúvidas em acreditar no sucesso da nossa aqüicultura.

grupo de brasileiros 11

EXPOSIÇÃO

Em um grande salão, 104 empresas ocuparam 130 stands mostrando os mais modernos equipamentos que estão dando suporte ao crescimento da aqüicultura em direção ao século XXI.
Mas não eram equipamentos ultra-sofisticados que estavam expostos. Parece que a aqüicultura depende mesmo é dos equipamentos básicos como os nossos conhecidos medidores de oxigênio, pH, salinidade, etc.

E de uma vez por todas deu pra sentir que sem aeração não há aqüicultura comercial. Vinte empresas apresentaram seus diferentes modelos de aeradores adaptados a diferentes cultivos, destacando-se o stand da AIREO2 que simplesmente colocou um de seus injetores de ar, dentro
de um enorme aquário proporcionando um belo espetáculo.

A alimentação mereceu atenção especial dos diversos fabricantes com stands que atraíram bastante a atenção dos participantes com amostras e literaturas especiais. Entre eles estava a peruana Nicovita, a Rangen, a Zeigler e a Purina. Esta última apresentou se com um bonito stand onde um computador demonstrava um software espetacular para monitorar o arraçoamento de viveiros com camarões, mas não satisfez ao grupo de brasileiros presentes que procuraram saber os planos da empresa sobre o fornecimento de ração em quantidade e qualidade para o mercado brasileiro.

Nenhum representante brasileiro da empresa estava presente. O mercado de cistos de Artemia salina estava agitado. Nove empresas buscavam atrair clientes entre elas a Utah Pacific, Golden West, Salt Lake, Biofauna, Mackay Brine, Sanders e Argent e no final da feira houve uma verdadeira liquidação de cistos que eram vendidos a preços bem abaixo dos praticados no mercado americano.

Os sacoleiros brasileiros não perderam esta pechincha. Mas o stand mais charmoso da AQUACULTURE ’92 com um atendimento impecável aos interessados em seus produtos para alimentação de larvas de peixes e camarões foi o da Salt Lake Brine Shrimp. A empresa japonesa Tanaka Sanjiro de equipamentos para aquicultura também distribuiu simpatia e delicadeza no atendimento. Mas para nós brasileiros foi um grande prazer visitar especialmente o stand da Aquafauna Biomarine, onde nosso biólogo Frederico ‘Baby’ Cox, com sua grande experiência de carcinicultura no Equador, é hoje peça fundamental na estratégia de vendas da empresa. Possui a mesma linguagem dos criadores e sabe sempre o que é mais adequado aos seus clientes, muitos dos quais, seus amigos.

LATINOS

Foi marcante a presença dos representantes da América latina. Devido à grande quantidade de participantes de língua espanhola, a WAS providenciou serviço de tradução simultânea do inglês para o espanhol. Deu para sentir a seriedade dos latino americanos. Países como o Equador, Colômbia, Honduras, Perú, México e Chile possuem uma indústria de aquicultura muito bem desenvolvida e parecem se preocupar muito com a formação da mão-de-obra qualificada para esta atividade.

É um bom exemplo a ser seguido pelo Brasil que deve, a curto prazo, se posicionar com relação a uma estratégia de incentivo a aqüicultura.

Entre os vários assuntos que devem ser tratados com seriedade se destacam a formação de mão-de-obra e a pesquisa

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