A QUALIDADE DAS HIPÓFISES

Por: Péter Garádi
TEHAG Warm Water Fish Hatchery, Hungria


Na propagação artificial de peixes geralmente se usam as metodologias de indução hormonal. Até pouco tempo atrás, o único “produto” para este processo era a hipófise natural, coletada de outro peixe. Apesar de nas últimas duas décadas terem sido elaborados muitos produtos sintéticos, ainda é comum o uso da hipófise natural, principalmente a de carpa comum (Cyprinus carpio).

Podemos afirmar que os hormônios sintéticos modernos são excelentes mas, ao compararmos com hipófises de carpa detectamos que estes são mais específicos. As hipófises de carpas são usadas atualmente para a reprodução de cerca de duzentas espécies de peixes em todo o mundo, enquanto que não existe nenhum hormônio sintético eficaz para uma variedade tão grande de peixes. Os hormônios sintéticos, em geral, exigem precisão na quantificação das dosagens e o uso de equipamentos comuns em laboratórios científicos mas, indisponíveis para a maioria dos produtores. Já existem, entretanto, alguns hormônios sintéticos mais práticos para o produtor, como por exemplo o Ovopel, pois é sólido e dispensa balanças, sendo contado por unidade.

Comparação da hipófise de carpa com hipófises de outras espécies

Por que é tão usada a hipófise de carpa, apesar de sabermos que outras espécies também já deram bons resultados desde a época de Rodolfo Von Ihering e de Gerbilszkij? Para conhecermos os motivos que privilegiam a carpa temos que analisar alguns dados da biologia da espécie.

Os efeitos dos hormônios da reprodução (p.e. LH e RH) são melhores dentro da mesma espécie. Em outras espécies aparentadas, os hormônios também mostram resultados, porque esse parentesco filogenético significa também uma semelhança bioquímica.

Podemos dizer, porém, que não existem outras espécies com hormônios tão eficazes para tantas outras espécies quanto a carpa. A explicação disto está no seu ambiente de origem.A carpa é originária da Ásia Ocidental (Lago Cáspio) e da Ásia Central (Lago Aral) e se formou no período Pleistoceno. Nesta área geográfica os fatores ambientais eram e são extremos. A temperatura no inverno pode chegar a – 40 oC e a espessura do gelo no Lago Aral, a um metro. Já no verão, a temperatura do ar pode chegar a 45 oC e a da água a 30 oC. A salinidade também varia muito por causa das pesadas chuvas e das grandes secas que às vezes duram de 4 a 5 anos. Outros parâmetros, como o oxigênio, também variam muito. Durante a sua evolução a carpa se adaptou a estas condições ambientais extremas e por isso, é encontrada desde o sul da Noruega até países equatoriais e nos rios, lagos e águas salobras. Fatores que, sem dúvida, fazem da carpa o melhor “doador” entre os peixes.

As diferentes origens

Na hipófise, a quantidade dos hormônios varia. Sempre antes da maturação gonadal o nível dos hormônios é alto e depois da ovulação é mínimo. Num clima tropical e subtropical os indivíduos não maturam ao mesmo tempo. Numa mesma época e mesma população, é possível encontrar indivíduos em diferentes fases de maturação e, se coletarmos as hipófises de toda a população, teremos um bom teor de hormônio em somente uma parte das hipófises a serem utilizadas. Por isso, prefere-se hipófises coletadas em países de clima temperado. Nestas regiões, a temperatura sincroniza todos os peixes na mesma fase de maturação.

Na Europa Central, após a época da ovulação (desova) no mês de maio, o nível dos hormônios é mínimo. Após esta fase começa a época de maturação (julho – outubro), quando o nível dos hormônios está aumentando e chegará ao máximo. Aqui, começa a época de hibernação, que vai até março por causa do rigoroso inverno. Finalmente, entre março e maio, a última fase de maturação, diminui o nível. Isto significa que só é bom coletar hipófises entre outubro e março, e é assim que se procede. Fora isso, a hipófise quase não tem valor.

Apesar do clima no Norte dos EUA ser semelhante ao da Europa Central, as hipófises são coletadas nas carpas capturadas nas águas naturais, e não em viveiros de piscicultura. Estas águas congelam bem cedo e somente descongelam em abril e, neste período não há pesca, que ocorre somente de julho a setembro, após a ovulação, quando o nível dos hormônios está baixo. Portanto, são hipófises de menor eficácia e valor.

Outro problema acontece com a hipófise em pó. Muitas vezes o material inclui pedaços de outras partes do cérebro, em que não há hormônios, sendo portanto, adulterado. Para todos os produtores ficam estas informações no sentido de conseguirem sempre os melhores resultados na prática da reprodução de peixes.