A tilápia enlatada

A embalagem da tilápia enlatada fabricada pela Conservas  Rubi, não dá destaque à espécie do peixe que está sendo comercializado

Produto em conserva atrai o interesse dos tilapicultores

Uma troca de e-mails publicada na seção “Notícias & Negócios On-Line” da última edição 94 da Panorama da AQUICULTURA, comentando um produto enlatado de tilápia, chamou a atenção dos leitores, que enviaram e-mails para a nossa redação em busca de mais detalhes sobre o assunto, e mostrou que os produtores estão alertas e muito interessados no desenvolvimento de novos produtos relacionados ao peixe que cultivam.

Não se trata, porém, de um lançamento, já que essa história do primeiro enlatamento de tilápia no Brasil não é recente. Começou há três anos, quando o piscicultor Carlos Renato de Menezes, da Fazenda Barra do Sul, de Campos dos Goytacazes (RJ), procurou a fábrica das Conservas Rubi, em São Gonçalo (RJ), na tentativa de diversificar a comercialização da sua produção, cultivada nos seus 30 hectares de viveiros escavados e 50 tanques-rede.

A parceria com a indústria começou com os testes iniciais que logo mostraram que a tilápia teria que ser filetada antes de ser colocada na lata, ao contrário da sardinha, que é enlatada inteira – sem cabeça, cauda e vísceras. As suas espinhas, bem maiores que as da sardinha, não se desintegram adequadamente com o cozimento. A escolha recaiu então sobre o filé, que deveria pesar entre 40 e 50 gramas, provenientes, portanto, de peixes pesando entre 250 e 300 gramas.
A partir daí, o desafio para o tilapicultor Carlos Renato foi buscar um manejo de engorda, cujos custos finais do peixe lhe assegurassem um lucro satisfatório na operação, e pudessem, indústria e fazenda, iniciar a fabricação.

Um ano depois, a Conservas Rubi já era abastecida com filés provenientes de tilápias criadas extensivamente, sendo alimentadas apenas na sua fase inicial. Após 5 meses de engorda, são depuradas e abatidas pesando entre 250 e 300 gramas,

Para o diretor comercial da Rubi, Mario Purri, a conserva da tilápia veio se somar a uma linha de produtos enlatados que incluem o peito de frango e o peito de peru, criados pela empresa a partir da incerteza crescente quanto ao abastecimento de peixes provenientes do extrativismo – sardinha e atum. Com a tilápia cultivada, assim como as aves, a indústria tem a segurança da regularidade do abastecimento da matéria prima, diz Purri.

A Rubi desenvolveu três opções de produtos com filés de tilápia: em óleo comestível, com alcaparras ou com pimenta. As latas com 130 gramas (drenado 83 gramas), são vendidas em caixinhas de papelão que não dão destaque à palavra “tilápia”, timidamente escrita na embalagem.

As conservas de tilápia já estão no mercado há dois anos e inicialmente foram distribuídas nos estados da Região Sudeste onde, segundo Purri, as vendas são mais fáceis por conta de um maior poder aquisitivo. Atualmente, já são vendidas para outros estados. A Panorama da AQÜICULTURA procurou em várias cadeias de supermercados da cidade do Rio de Janeiro, mas não encontrou o produto. Na internet, a conserva aparece na lista de produtos do Supermercados Calvi, no Espírito Santo, sendo vendido por R$ 3,10 a lata.

Para o diretor comercial da Rubi, as vendas ainda são muito pequenas, sendo ainda preciso investir mais na degustação nos pontos de venda. “As pessoas adoram quando provam e compram na hora, mas ainda é baixa a recompra”, diz Mario Purri. Disse ainda que outro ponto importante, é o preço da matéria prima, que precisa ser revisto. A indústria adquire hoje a tilápia filetada a R$ 7,00 o quilo. Sua opinião, contudo, parece estar opostamente distante da realidade do piscicultor Carlos Renato, que diz trabalhar com uma margem bastante apertada, e que seu esforço só tem valido a pena porque confia no potencial da tilápia para atender também a esse segmento, que lhe parece muito promissor.