Agronegócio de Peixes Ornamentais no Brasil e no Mundo

Por: *Alberto Oliveira Lima e-mail [email protected]
*Geraldo Bernardino e *Carlos Eduardo M. de Proença
*Ministério da Agricultura e do Abastecimento
DPA – Coordenação de Aqüicultura


Peixes multicoloridos nadando nos aquários de residências ou em outros ambientes, servem como redutores de ansiedade e estresse para aqueles que os observam. Esses pequenos peixes, à primeira vista sem grande importância, rendem milhões de dólares aos países que os capturam ou cultivam de forma séria e sustentável. A difusão de um hobby e sua comercialização em milhares de lojas em todo o mundo transformou-se num grande negócio disputado por muitos mercados, dentre eles os varejistas europeus, norte-americanos e japoneses. Nos Estados Unidos, uma em cada três residências tem aquário e, no Japão essa proporção é ainda maior: uma em cada duas casas possui um aquário como objeto de decoração. O Brasil integra o comércio mundial de peixes ornamentais movimentando aproximadamente US$ 1 bilhão, oriundos do cul Foto 1: Acará Bandeira Pterophyllum scalare tivo e da captura em rios, lagoas e oceanos.

O hobby da criação de peixes e invertebrados ornamentais exige conhecimentos sobre seus habitats, além de habilidades específicas quanto à mistura correta de produtos sintéticos, sais artificiais, condicionamento da água e filtragens. Ao partirmos para uma produção comercial em grande escala, o custo desta atividade passa a ser relativamente alto, exigindo disponibilidade de tempo e, acima de tudo, capacidade técnica e muitas horas de dedicação. O fato de serem produtos altamente perecíveis, desde a produção, manutenção, venda até a entrega, este negócio exige do exportador eficiência, agilidade e pontualidade.

O cultivo de peixes ornamentais é considerado hoje um dos setores mais lucrativos da piscicultura brasileira. Ao lado da produção extrativista, abastece um mercado consumidor que, só na América do Norte, abrange mais de 100 milhões de aquários residenciais. Esse potencial tem estimulado e impulsionado o setor, que expandiu-se rapidamente devido ao crescente aumento na demanda mundial. A indústria da aquariofilia porém, não se detém apenas à importação e exportação de belos e exóticos peixes. Outra indústria se forma a partir da incrementação e sofisticação dos próprios aquários, com a aquisição de acessórios como plantas aquáticas, pedras etc.

Chu Sha Yu P’u

As primeiras atividades ligadas ao cultivo de peixes ornamentais remetem a muito antes da era cristã. Os primeiros registros da piscicultura ornamental datam entre os anos 384 e 322 a.C., quando o filósofo grego Aristóteles descreveu e coletou alguns exemplares de peixes existentes no Mar Egeu. Entretanto, os primeiros documentos históricos sobre o cultivo de peixes, deu-se por volta do ano de 475 a.C; com relatos escritos das formas de se manter peixes vermelhos, da família dos Cyprinidae: Carpas (Cyprinus carpio) e Japonês (Carassius auratus), em recipientes tipo bujão.

O nascimento da aquariofilia, isto é, a atividade de se manter peixes ornamentais em pequenos recipientes em casa, data de 1596, quando o chinês Chang Chi’En-Tê escreveu um livro sobre peixes vermelhos, cujo título é Chu Sha Yu P’u, que quer dizer: Livro do Peixe Vermelho. Nele o autor descrevia como os alimentava, trocava a água e sifonava o fundo do bujão para retirar sujeiras ali depositadas e, como protegia o seu bujão em casa durante o inverno, que seria mortal para seus peixes.

No Brasil, de acordo com alguns estudiosos, a atividade nasceu no Rio de Janeiro em 1922, durante a realização da Exposição da Independência nos pavilhões construídos pelo Governo Federal, posteriormente transferidos para a antiga Universidade do Brasil. Naquela ocasião, os japoneses apresentaram em seu pavilhão aquários ornamentais imitando os jardins japoneses, impressionando os visitantes com sua beleza. Alguns brasileiros se entusiasmaram com a possibilidade de ter em casa um bujão de vidro com alguns peixes ornamentais ou um pequeno aquário retangular com armação metálica, onde os peixes não tivessem suas imagens deformadas.

O pioneiro na piscicultura ornamental brasileira foi Shigueiti Takase, que chegou ao brasil em 1926 trazendo peixes ornamentais da Ásia, conseguindo procriá-los em Petrópolis-RJ. Mais tarde transferiu seu criadouro para a Barra da Tijuca e, anos depois, resolveu transferir-se para Belém do Pará, onde o seu filho continuou a criação de peixes ornamentais, principalmente os da bacia amazônica, vindo a ser posteriormente, um dos grandes exportadores de peixes ornamentais do país.

A maior diversidade do mundo

A fauna sul-americana de peixes de água doce, se comparada com a do resto do mundo, é pouco conhecida. Se considerarmos que, de 30 a 40% desta fauna não foram descritos pela ciência, podemos imaginar, pela grande diversidade ictiofaunística que o Brasil possui, que nosso país detém o maior número de espécies do planeta. São cerca de 3.000 espécies de peixes tropicais de água doce que, de alguma forma, possuem um caráter ornamental. Somente na Amazônia, onde o extrativismo é intenso, das 2.500 espécies de peixes existentes na bacia, 1.300 possuem um enorme potencial para o negócio. O ibama, através de sua portaria nº 62-N, de 10 de junho de 1992, juntamente com outras instituições de controle em Manaus, permite que apenas 180 delas sejam exploradas comercialmente como peixes ornamentais.

Somente num pequeno córrego do Pantanal Mato-grossense existe aproximadamente 120 espécies de peixes, todos com potencial para ser em criados em aquários. Em outras bacias brasileiras, como a do São Francisco e a do Leste Costeiro, esse número fica ainda mais interessante, uma vez que muitas delas possuem um acentuado grau de endemismo, ou seja, as espécies só existem nestas bacias e muitas estão altamente vulneráveis ao desaparecimento em função da ausência de estudos sobre sua reprodução em cativeiro.

Principais espécies exploradas

Grande parte das espécies marinhas comercializadas provém de cultivos e coletas em outros países, devido ao crescimento do hobby em todas as partes do mundo. No que se refere aos programas de aqüicultura marinha objetivando a reprodução de espécie de corais, os produtores alegam que o investimento não é vantajoso, já que o mar ainda tem sido muito generoso no fornecimentos desses peixes.

Existem alguns casos isolados de criadores de peixes ornamentais marinhos exóticos, como o projeto de reprodução do peixe palhaço Aphiprion spp, uma espécie do indo-pacífico que tem sido muito apreciada pelos aquaristas.

As espécies mais cultivadas em escala comercial no mundo são os peixes de água doce da família Cyprinidae, mais especificamente as carpas coloridas Cyprinus carpio (variedade Nichikigoi) e o Goldfish (Peixe dourado) Carassius auratus (Figura 1). Devido ao melhoramento genético ocorrido no Japão desde 1957, especificamente com a espécie Carassius auratus, o mercado conta com uma grande variedade de tipos para o consumo imediato dos aquariófilos. Dentre asmais comuns podemos citar: cauda-de-véu, telescópio, cabeça-de-leão, pompom, red-kep e etc.

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Muitas outras espécies cultivadas em escala comercial têm seus pacotes tecnológicos de manejo e reprodução já dominados pelos criadores mundiais, a exemplo do Acará Bandeira Pterophyllum scalare (Foto 1 na página anterior), com os mais variados tipos: negro, marmorato, véu, ouro, zebra e etc. Por este motivo, o Acará Bandeira representa um sucesso no negócio de peixes ornamentais. Sua exploração está presente tanto na atividade aqüícola quanto no extrativismo. Outro exemplo de sucesso aconteceu com o Acará-disco Symphysodon discus (Foto 2) juntamente com outras espécies e sub-espécies do gênero. O Disco, como é carinhosamente chamado, é tido como o mais nobre dos peixes de água doce. Este peixe é natural da Amazônia, compreendendo parte da Venezuela, Colômbia, Brasil e Peru. É ainda muito coletado na natureza e vendido em todo o mundo. Um trabalho de melhoramento genético tem equilibrado o cultivo e extrativismo desta espécie, o que é mais vantajoso para os dois lados sob o ponto de vista comercial. Para exemplificar a importância desta espécie como representação do binômio cultivo x extrativismo, um exemplar de Acará Disco pode alcançar o valor de mercado de aproximadamente US$ 15 mil.

A reprodução em cativeiro, tanto para espécies marinhas como para algumas espécies de água doce, não foi estabelecida ainda, permanecendo a captura no ambiente natural. O Tetra Cardinal Paracheirodon axelrodi (Foto 3), representa 80% da comercialização de peixes ornamentais extrativos no Brasil. Sua captura é feita pelos piabeiros, coletores de peixes da Amazônia, que transformaram esta atividade em fonte de subsistência local.

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Exportação/ Extrativismo, o exemplo do Tetra Cardinal

Tomando como o exemplo do Tetra Cardinal P. axelrodi, o processo ao qual o peixe é submetido nas várias etapas desde o extrativismo, chega a ser desgastante e preocupante para a espécie. Se por um lado os peixes são cuidadosamente mantidos vivos pelos piabeiros, por outro temos a desvantagem da distância percorrida pelos mesmos, já que o extrativismo ocorre no interior da floresta, sendo necessário um grande número de peixes capturados para justificar a alta taxa de mortalidade que ocorre durante o transporte até o seu destino final – o mercado europeu, asiático e americano. Alguns piabeiros capturam dezenas de milhares de peixes por semana nos igarapés e, segundo o IBAMA, ganham em média aproximadamente R$ 300,00 por mês. O processo de exportação, que ocorre em Barcelos, município do Estado do Amazonas, envolve etapas de viagens que duram 24 horas até Manaus seguido por um período de observação que dura de trinta a cinqüenta dias, alimentação balanceada, aplicação de vitaminas, remédios antiparasitários e também tranqüilizantes que amenizam o estresse sofrido na viagem, um procedimento preparatório para que possam, depois de acondicionados em sacos oxigenados, seguir de avião para várias partes do mundo.

Ao chegar no Japão ou na Inglaterra, o milheiro de cardinal não sai por menos que US$ 500. Entre os piabeiros e os aquários japoneses ou ingleses, os peixes são supervalorizados em mais de sessenta vezes. Em Miami, por exemplo, o preço dos cardinais chega a ser 100 vezes maior que o valor praticado na Amazônia. Essa e muitas outras espécies estão em situação crítica devido à demasiada pesca extrativa.

Panorama Mundial

Nos países asiáticos onde os primeiros cultivos foram iniciados, existem enormes fazendas dedicadas exclusivamente à exportação, gerando divisas consideráveis no PIB desses países. Segundo dados da FAO, em 1996 (Figura 2) o valor de exportação de peixes ornamentais e invertebrados era acima de US$ 200 milhões. Mais de 60% dessa quantia, cerca de US$ 130 milhões, entraram nas economias dos países em desenvolvimento. Desde 1985, o comércio internacional de organismos aquáticos ornamentais têm aumentado anualmente a uma taxa comum de 14%. Embora os organismos capturados na natureza representem só uma pequena porcentagem do comércio ornamental, este é o aspecto da indústria que mais parece afetar diretamente as comunidades pesqueiras em países em desenvolvimento.

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Peritos do comércio de peixe ornamentais da FAO e outras organizações internacionais, como o Centro Internacional para a Administração de Recursos Aquáticos Vivos (ICLARM), indicam um aumento de renda e diminuição da degradação ambiental. Uma indústria de peixe ornamental fortalecida pode ajudar nos esforços para administrar sustentavelmente a subsistência local. Como exemplo, uma cooperativa local de peixes ornamentais do Brasil adotou o slogan “Compre um peixe e salve uma árvore”.

O comércio de peixes ornamentais do mundo inteiro propicia o sustento de alguns milhões de pessoas, tanto no mundo industrializado ocidental como também em países tropicais em desenvolvimento. Em algumas comunidades ao longo do Rio Negro, a captura de peixe ornamental, especialmente do Tetra cardeal Paracheirodon axelrodi, contribui com aproximadamente 60% da renda local.

Os desafios que enfrentam a indústria de peixe ornamental incluem a redução de perdas de pós-colheita, assegurando que coletores recebam uma renda adequada pelo seu trabalho, obtendo informação fidedigna sobre taxas sustentáveis de colheita e espécies em vulnerabilidade.

Japão

O Japão se posiciona como o segundo maior mercado do mundo em peixes ornamentais, com importações que totalizam mais de US$ 71 milhões em 1995, depois da Europa, ficando os Estados Unidos em terceiro lugar. Atualmente, espera-se que as importações aumentem durante os próximos anos, principalmente devido à crescente proibição de se manter animais como gatos e cachorros na maioria dos apartamentos e condomínios em diversos lugares do mundo. Por isso, cada vez mais pessoas estão interessadas em manter aquários e viveiros como um “pedaço de natureza” em suas casas. A manutenção de aquários e viveiros dá aos consumidores a oportunidade de expressão artística e criatividade, combinando cores diferentes de plantas aquáticas, forma e tamanho dos peixes. Assim, os efeitos decorativos proporcionados por aquários são outra razão para o esperado crescimento do mercado, no futuro.

Como aconteceu em anos anteriores, a mortalidade de peixes pode, porém, representar um obstáculo para o aumento no número de hobbistas. Os exportadores que forem capazes de oferecer peixes de qualidade, saudáveis e resistentes à doenças, terão maior oportunidade de negócios, bem como os fornecedores de plantas aquáticas que as entregarem em boas condições, poderão se desenvolver favoravelmente nos mercados japoneses e mundiais.

Cingapura, Hong Kong, Tailândia e Indonésia são os fornecedores tradicionais para o Japão nos últimos anos, as importações da América, particularmente dos Estados Unidos e Brasil ganharam parte considerável deste mercado. Cingapura é o maior provedor de Guppies Poecilia reticulrta (Foto 4). Os Estados Unidos fornecem principalmente espécies selvagens da América do Sul, que são importados e re-exportados, através de várias companhias por Miami e Los Angeles, por exemplo o Oscar Astronotus ocellatus (Foto 5). A maioria dos peixes marinhos selvagens que chegam ao Japão são transportados através das Filipinas e Indonésia. O Brasil provê peixes selvagens, originários da bacia Amazônica.

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O tamanho do mercado calculado para peixes ornamentais e produtos correlatos de aquário alcançou, aproximadamente, US$ 166 milhões em 1995 (preço de varejo). A população total do Japão é aproximadamente 120 milhões de pessoas e o número calculado de aquaristas pode corresponder a 1.2 milhões de pessoas que podem gastar, aproximadamente, US$ 140 por cabeça, anualmente. A maioria prefere a espécie guppy, representando 28% do mercado total japonês. Os Gupies são populares, baratos, bonitos, coloridos e fáceis de cuidar, tratando-se de aquaristas novatos. Entretanto, algumas espécies freqüentemente incorrem em doenças e deformidades causadas por linha de criação com base geneticamente pobre, resultando em um considerável encurtamento da vida e desencorajando os novatos a continuar com o passatempo.

O importador compra o peixe tropical de fornecedores de todo o mundo e os vende para os atacadistas japoneses. Há 16 grandes importadores em áreas metropolitanas como Tóquio, Osaka e Kobe. Aproximadamente 200 atacadistas de todo o país compram de importadores e vendem a varejistas locais. O método habitual de negociação dos atacadistas é receber pedidos somente depois de comunicar os preços aos varejistas. Também organizam leilões para os quais convidam os varejistas. A maioria dos atacadistas não lida apenas com peixe, mas também com plantas e outros produtos relacionados ao aquário. Há aproximadamente 3.000 varejistas no Japão, na maioria proprietários de lojas especializadas que vendem peixes tropicais e outros animais.

Há também corretores entre os atacadistas e criadores de peixe-dourado e de Nishikigoi. O corretor auxilia os criadores a fechar negócios. Na venda de peixe-dourado, os leilões são comuns e o sistema de distribuição para carpas de koi pode ser comparado ao do peixe-dourado.

Os fretes de peixes de aquário e o acondicionamento podem somar 50% do custo total do peixe. Os peixes são normalmente acondicionados em sacos plásticos cheios de água e oxigênio ou ar comprimido, fechados hermeticamente e empacotados em uma caixa de isopor, que normalmente mede 50 cm x 40 cm x 40 cm (uma média de 330 peixes por caixa). A alta densidade para o acondicionamento para o transporte aéreo é uma das causas de mortalidade (às vezes alcançando até 30%), aliada a atrasos de horário de vôo e tempo gasto por consignações em aeroportos.

Estados Unidos

Entre 1991 e 1994 a importação de peixes ornamentais para os EUA aumentou 29.3%. O volume de exportações foi destinado para a Ásia, principalmente para o Japão. Em 1994 os principais fornecedores dos EUA em valor foram: Tailândia (US$ 9,460,000); Cingapura (US$ 8,567,000); Indonésia (US$ 6,055,000); Hong Kong (US$ 4,575,000); Filipinas (USS 4,146,000); Colômbia (US$ 2,415,000); Peru (US$ 2,140,000); Brasil (US$ 1,628,000); Japão (US$ 1,200,000); Malásia (US$ 1,118,000); Quiribati (US$ 503,000); China (US$ 482,000); Nigéria (US$ 416,000) e, Guiana (US$ 367,000). Pequenos fornecedores, inclusive o Zaire, Burundi, a República Unida de Tanzânia e alguns outros, responderam pela balança de US$ 3,697,000. Cerca de 80% das importações originaram-se da Ásia.

Em 1994, uma pesquisa mostrou que mais de 10 milhões de casas americanas possuíam um aquário e que havia mais de 200 milhões de peixes ornamentais no país. Dados também revelaram que 10% das casas dos Estados Unidos (9.2 milhões de casas), mantinham aquários de água doce e 40% destas mantinham mais que um aquário. Enquanto a demanda é principalmente para peixes de água doce, há um interesse crescente entre aquaristas por espécies marinhas. O número de aquários em escritórios, hospitais, salas de espera, bibliotecas ou áreas públicas é desconhecido.

A Flórida é o mais importante produtor de peixes de água doce criados em cativeiros no país e fornece cerca de 95% da produção nacional, com 187 criadores e um retorno de US$ 46.7 milhões em 1991 (64% do total de produtos de aqüicultura em termos de valores). A maioria desta produção é vendida dentro do mercado doméstico, embora parte siga para a Europa e outros lugares. Os criadores alcançaram US$ 7,3 milhões em peixes tropicais que eles importaram para a revenda. Em 1993 havia cerca de 5.200 hectares de terra (inclusive área de superfície d’água) na Flórida, dedicados à produção de aqüicultura, quando comparado a 4.000 hectares informados em 1991.

Nenhuma taxa é acrescentada em importações de peixes ornamentais de água doce. Peixes de água salgada levam uma tarifa básica de 15.0%, com uma tarifa final de 7.5% . Todas as encomendas contendo vida selvagem têm que entrar e deixar o país por portos de alfândegas designados pelo USFWS – United States Fish and Wild Life Service. Os portos designados são Nova Iorque, Miami, Baltimore, Nova Orleans, Dallas, Fort Worth, Los Angeles e São Francisco, Chicago, Seattle, Honolulu e Portland. Para todas as importações e re-exportações, um aviso prévio de 72 horas ao Serviço de Peixes e Vida Selvagem é recomendado pelas Alfândegas dos EUA.

Indústrias e aquaristas provêem mercados estáveis para mais de 3.000 espécies. Espécimes vivos são vendidos em 9.000 a 12.000 lojas. Os peixes de água doce são obtidos na seguinte ordem: 76% de uma loja especializada em peixes; 14% de uma loja de desconto e 10% são criados em casa. Cerca de 90% de peixes marinhos são obtidos de loja de animais ou de peixes.

Os EUA é o terceiro maior mercado do mundo em importação de peixes de aquário. O crescimento anual da indústria (10-12% nos últimos anos), é esperado que continue. Apesar do crescimento da produção doméstica, as importações continuarão a aumentar e seu mercado permanecerá uma saída principal para provedores de países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

Transportadores geralmente aceitam pedidos de atacadistas e importam peixes de aquário em grandes remessas. As transações às vezes são fechadas em uma base de conta aberta. Em geral, o pagamento é feito 2-3 semanas depois da chegada das consignações, embora sua prática dependa do grau de confiança entre importador e de exportador. O custo do frete sempre é liquidado pelo importador, normalmente com antecedência. Remessas seguem sem cobertura de seguro devido ao alto risco de perda, no caso de atraso de vôo, dificuldade na identificação do conteúdo de cada consignação. Los Angeles é o ponto principal de entrada de peixes de aquário, seguido por Nova Iorque e Chicago.

A importância das fazendas de peixes ornamentais bem equipadas e com pessoal qualificado está aumentando e pode controlar este tipo de comércio, se levarmos em conta que o mercado se expande e que aproximadamente 60% da produção de peixes ornamentais do mundo são criados em tanques e exportados de países tropicais para países industrializados.

Um peixe de aquário de boa qualidade, melhoramento do processo de acondicionamento para longa distância e administração moderna do setor são mecanismos que contribuem para a segurança do mercado no futuro.

Brasil

O negócio de peixes ornamentais no Brasil é uma atividade bastante recente, tendo surgido com a implantação dos projetos de piscicultura na década de 70, quando ocorreu um grande aumento de piscicultores, pequenos e micro produtores. Embora os dados de exportações estejam relacionados mais com o extrativismo, os produtores brasileiros têm sua produção quase que total destinada aos mercados internos, o que demonstra uma crescente demanda por parte dos hobbystas. Ainda assim, se compararmos o volume de exportação com o de importação, nota-se que há superávit na balança comercial. (Figura 3)

Figura 3: Exportações brasileiras de peixes ornamentais em mil dólares. Fonte SECEX.
Figura 3: Exportações brasileiras de peixes ornamentais em mil dólares. Fonte SECEX.

A figura 4 demonstra que o volume de importações tem diminuído progressivamente, reflexo talvez, do aperfeiçoamento nas técnicas de reprodução das espécies exóticas. Desta forma, o país não mais necessita ter que importar espécies, até mesmo brasileiras, que passaram por melhoramento genético, e que voltam ao Brasil com seu valor agregado, principalmente os Oscar Astronotus ocellatus, Disco Symphysodon spp, Acará bandeira Pterophilus scalare e etc.

Figura 4: Importações brasileiras de peixes ornamentais em mil dólares. Fonte SECEX.
Figura 4: Importações brasileiras de peixes ornamentais em mil dólares. Fonte SECEX.
Região Sul

Talvez devido à sazonalidade bem definida, a Região Sul do país demonstra, segundo os dados da Secretaria Executiva de Comércio Exterior, ser a que menos exporta peixes ornamentais se comparada ao resto do Brasil. Apenas em 1996 o Rio Grande do Sul estabeleceu alguma exportação (US$ 861). No estado do Paraná, segundo dados da Defesa Sanitária Animal, existe produtores, na região oeste, no município de Cascavel, com produção mais estruturada, de propriedade de Assis Raizel da Cruz e Amauri Dambros, que tem o cultivo de Beta, Kinguio, Carpa Colorida, e em menor escala o Acará Bandeira e Acará Disco e, praticamente 100% da animais são comercializados para outros Estados (MG, RJ, RS e SP). Além desta existe a propriedade de Vitor João Vendrame, no Município de Palotina, com produção de Lebiste e Kinguio, em pequena escala, pois o forte deste proprietário é a produção de alevinos, para a comercialização regional. Ainda na região de Toledo existem produtores como Tomasi e Maria Goretti Schneider que comercializam, em pequena escala, Carpa Colorida e Kinguio no próprio estado.

No Oeste do Paraná, existe a AQUATEC, que produz Beta, Acará Disco além de Kinguio, sendo o escoamento dessa produção feito no Estado de São Paulo e para região metropolitana de Curitiba. Outra empresa é AQUABETA, com produção forte de Beta para vários Estados do Brasil, principalmente para MG e SP. Na região Noroeste temos no Município de Rancho Alegre, uma propriedade com produção de Kinguio, em pequena escala. Algumas outras espécies são comercializadas no Paraná como peixes ornamentais, a exemplo do Jurupensen, Jiripoca, Pintado e o Jundiá Albino, embora muitos deles sejam provenientes de outros Estados. A comercialização é feita pelos produtores, diretamente aos lojistas do Brasil e do próprio Estado, não sendo notificado exportação oficial de espécies ornamentais partindo do Paraná.

Muito embora o Estado de Santa Catarina seja um grande produtor de organismos oriundos da aqüicultura tradicional, os técnicos da EPAGRI e informações de lojistas de Florianópolis não destacaram grandes produtores no Estado, sendo grande parte da produção oriunda da Região Sudeste do Brasil.

Região Sudeste

A piscicultura ornamental, em escala comercial, teve seu início na região Sudeste do Brasil, sendo os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo os que apresentam a melhor estrutura de cultivo, vide tabela 01. Embora Minas Gerais não apresente dados de exportação, na microrregião de Muriaé e municípios vizinhos existem aproximadamente 250 produtores que cultivam mais de 60 variedades de espécies ornamentais. Destes produtores, 40% têm na atividade sua principal fonte de renda. Hoje, praticamente grande parte da produção de peixes ornamentais de Minas é escoada para os mercados do Rio de Janeiro e São Paulo, onde a atividade é cada vez mais crescente. Isso estimulou muitos produtores rurais locais a entrarem na atividade, devido principalmente ao retorno financeiro rápido e às relativas facilidades de cultivo.

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As espécies mais cultivadas são aquelas que necessitam de pouca ou nenhuma técnica de manejo e que são, em geral, muito prolíferas, tais como: beta (Betta splendes), Espada (Xiphophorus helleri), Platy (X. maculatus), Molinésia (Poecilia latripinna), Tricogaster (Trichogaster leeri), Colisa (Colisa laila), dente outras. Essas espécies apresentam um bom grau de melhoramento genético, sendo, em alguns casos, bastante semelhantes aos exemplares selvagens e, conseqüentemente, não alcançam bons preços no mercado interno por serem de baixa qualidade para exportação. Existem alguns produtores que se dedicam ao melhoramento genético de espécies como o acará véu, japonês, guppy e variedades de carpas coloridas entre outras, indicando que as tecnologias adotadas são bastante heterogêneas, coexistindo piscicultores tecnificados ao lado de outros que adotam métodos rudimentares de produção.Tabela 1: Volume de exportações com peixes ornamentais na região Sudeste do Brasil (US$ FOB)

Figura 5: Volume de exportações na região Sudeste do Brasil de peixes ornamentais, sendo grande parte dessa produção escoada pelo estado do Rio de Janeiro. Fonte SECEX..
Figura 5: Volume de exportações na região Sudeste do Brasil de peixes ornamentais, sendo grande parte dessa produção escoada pelo estado do Rio de Janeiro. Fonte SECEX..
Região Nordeste

Grande parte do volume de exportação praticada no Nordeste brasileiro provém do setor extrativo, principalmente de peixes ornamentais marinhos. As atividades relacionadas ao cultivo no Nordeste estão dispersas em alguns estados e concentradas próximo aos grandes centros urbanos. A Bahia já foi o maior exportador de peixes ornamentais marinhos do Brasil. Hoje, o mercado externo está dominado pelo Estado de Pernambuco, seguido pelo Estado do Ceará. O setor de peixes ornamentais, como atividade de cultivo, no Nordeste pode se tornar um dos maiores do Brasil, principalmente devido ao clima quente durante todo o ano. Além disso, a curta distância entre os centros de produção e os aeroportos das capitais facilitam o escoamentos da produção.

Região Norte

Os peixes ornamentais da região Norte, exportados para diversos países, representam uma importante fonte de renda, entretanto, são obtidos principalmente por meio do extrativismo, destacando-se o município de Barcelos – AM, como o principal pólo de comercialização e atividades ligadas à coleta. No que se refere à aqüicultura ornamental, apenas no Estado do Pará há projetos de cultivos e vários estudos têm sido desenvolvidos no sentido de minimizar a mortalidade decorrente do estresse causado pelo transporte dos peixes. É importante salientar que a piscicultura ornamental só poderá deslanchar, mediante a implementação de suportes adequados com projetos científicos, visando principalmente as espécies nativas, aquelas que demonstram redução nos estoques, minimizando assim a perda da sustentabilidade. Dados referentes às exportações são mostrados na tabela 3 e na figura 6 onde se verifica que a Amazônia, se comparada ao resto do país, lidera folgadamente o ranking de exportação oriunda do extrativismo.

     tabelas e graficos pag25-65

fig e tab 4 e 7

Região Centro-Oeste

As movimentações com o negócio de peixes ornamentais na região Centro-Oeste são muito parecidas com a região Norte, principalmente devido à enorme diversidade taxonômica de peixes presente no pantanal mato-grossense, Rio Araguaia, etc. No estado de Goiás essa atividade é exercida de forma mista entre o extrativismo e cultivo. Atualmente, existem aproximadamente 10 produtores que buscam a formação de um núcleo, objetivando atingir de forma mais profissional os mercados consumidores de Brasília e Goiânia, onde grande parte é suprida pelas produções proveniente do Estado de Goiás e sudeste do Brasil.

A situação no Distrito Federal é pouco expressiva. Existe apenas um exportador estrangeiro que compra grande parte dos peixes nativos e cultivados, submete-os a um processo de quarentena criterioso e, posteriormente, os envia para uma loja na Holanda. Nos demais estados da Região Centro Oeste, a atividade é exercida principalmente pelo extrativismo, como ocorre na Região Norte do país.