Águas de Junho

Foto: Vista aérea da Mar Doce do Nordeste

Muita gente não comemorou na última copa do mundo a vitória de dois a zero da nossa seleção brasileira sobre a Rússia no dia 20 de junho passado. É que naquela madrugada uma tromba d’água caiu sobre a cidade do Recife e arredores. Foram 130 mm de chuvas num curto espaço de hora e meia. Água mais do que o suficiente para alagar grande parte da cidade, pega de surpresa, sonada e impotente diante da coincidência que fez com que a maré, justo no momento da chuva, estivesse cheia impedindo o escoamento das águas da enchente.

Essa chuva da madrugada do dia 20 de junho atingiu em cheio um dos principais produtores de alevinos brasileiros, a Mar Doce do Nordeste, e provocou o transbordamento de todos os viveiros de alevinos e reprodutores, que se uniram num único mar de água doce. Nada a fazer, apenas esperar. Foram necessárias precisas trinta e seis horas para que toda a água abaixasse.

Já neste período e mesmo antes de ser iniciado o trabalho de avaliação das perdas, estratégias de emergência foram rapidamente montadas pela gerência para que a produção pudesse retornar o mais breve possível ao ritmo normal. Os prejuízos con-tabilizados pela Mar Doce do Nordeste, decorrentes desse acidente foram de 85.000 dólares.

Máquinas e equipamentos foram afetados e muitos ficaram irremediavelmente danificados pela enxurrada, que ainda levou em sua torrente, 4,8 toneladas de reprodutores que escaparam juntamente com um milhão de alevinos de várias espécies, prontos para serem comercializados.

VOLTA POR CIMA

Passado o susto e com a intenção de preservar a imagem da Mar Doce, a direção da empresa achou por bem, naquele momento, não divulgar os fatos ocorridos já que não era possível de pronto avaliar totalmente o prejuízo, nem tão pouco a reação de sua clientela.

Somente agora, depois da volta por cima, com a empresa operando com a produção superior àquela que vinha obtendo antes da enchente, é que esses fatos puderam vir a público.

Mar Doce em números
Mar Doce em números

Em 1994, mesmo com todo esse acidente de percurso, a empresa, hoje com 25 funcionários e e 5,4 hectares de viveiros de alevinos e reprodutores, fechou o seu balanço anual com a marca de 7,03 milhões de alevinos comercializados, registrando um aumento de 49,8% em relação ao ano anterior, e uma receita de US$ 225 mil.

MUDANÇA

E, após quatro anos de muito trabalho e sucessos junto a Mar Doce do Nordeste, Modesto Guedes deixará a empresa no final de janeiro, passando a gerência para o também engenheiro de pesca Euclides Dourado Matos. Modesto Guedes iniciará o ano de 1995 se dedicando em tempo integral à sua recém criada empresa, Iktius Aquacultura Ltda.

A Iktius, já está em funcionamento no Município de Paulista, a somente 15 km do Recife, produzindo intensivamente o catfish africano e a tilápia vermelha. Além disso, com sua experiência, Modesto Guedes, através de sua nova empresa, também prestará assessoria técnica para implantação de piscigranjas em todo Brasil.