Ambientalistas discordam do conteúdo de artigo publicado na última edição e enviam resposta


Na edição anterior (no 191), a revista Panorama da AQÜICULTURA publicou o artigo “Invasoras, casuais ou naturalizadas? Buscando uma classificação científica para as tilápias” da autoria de Sergio Zimmermann, Renata Barroso Bertolini, Bruno Queiroz, Bernardo Baldisserotto e Danilo Streit.  Para os autores trata-se de “uma revisão crítica da literatura em busca de uma classificação mais adequada para a tilápia no Brasil”. A intenção foi provocar um debate e jogar luzes sobre informações científicas para discutir a atual insegurança jurídica em alguns estados brasileiros. No Brasil, a tilápia está presente em quase todas as bacias hidrográficas há mais de meio século e, nos últimos anos, assistimos ao crescimento da tilapicultura e de sua importância para a segurança alimentar e a geração de renda e empregos. No texto, os autores abordam as razões pelas quais a tilapicultura ganha espaço no Brasil e no mundo, e expõem os gargalos zootécnicos que impedem a criação das espécies nativas. Falam também da resistência e capacidade do peixe de prosperar em alguns ambientes poluídos, onde não prosperam as espécies nativas, fato que pode estar associado à sua fama de invasora.

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O texto também aborda a legislação sobre espécies exóticas invasoras e cita autores que pesquisaram o impacto da presença da tilápia em diversos rios das regiões Sudeste e Sul. Por fim, discute o conceito de exótica casual e recomenda que a tilápia nilótica, presente há mais de 50 anos nos estados do Sul do Brasil, seja retirada da lista de espécies invasoras nessa região do país, pois não existem registros de domínio de ecossistemas naturais nem há elevadas taxas de reprodução e dispersão, à exceção de limitados corpos d’água antrópicos. Para os autores, trata-se, sim, de uma espécie zootécnica de elevado interesse econômico e social, principal ativo da nossa aquicultura e que vem por décadas demonstrando ser casual ou naturalizada, de fundamental importância na geração de empregos, renda, impostos e segurança alimentar e, portanto, deve ser melhor estudada para que sua classificação não seja equivocada. O texto pode ser lido em https://shorturl.at/wCDK5 ou apontando a câmera para o código QR.

Um outro entendimento

O artigo comentado acima, no entanto, não foi bem recebido por ambientalistas, muitos dos quais, há anos, vêm se manifestando contrariamente à produção de tilápia no país, por ser, no seu entender, uma espécie exótica invasora, com potencial de colocar em risco as populações de peixes nativos. Após manifestações (nem sempre educadas) nas redes sociais, um pedido de resposta ao texto foi encaminhado à redação da Panorama da AQÜICULTURA por Silvia Maria Millan Gutierre ([email protected]). O pleito, evidentemente, foi aceito, por acreditarmos no debate e na troca de conhecimentos. O texto de resposta foi enviado com o título “Invasoras sim! Nada casuais e jamais naturalizadas: O real panorama da tilapicultura no Brasil”, e veio assinado por 52 pessoas, que se dedicaram a apontar o que consideraram falta de critério científico e informações distorcidas. Segundo seus autores, o texto de resposta sumariza o conteúdo científico disponível na literatura acerca das invasões biológicas referentes às tilápias, aponta e redireciona informações e argumentos enviesados e esclarece informações no contexto da legislação brasileira e internacional sobre as espécies exóticas invasoras.

Para que cada leitor tire as suas próprias conclusões, a íntegra da resposta pode ser lida em  https://shrturl.app/HyrLxj ou apontando a câmera para o seu código QR.