Aqüicultura no Pará: Reavaliar para crescer

Com cerca de 330 mil hectares de lagos de várzea, e um alto potencial para a produção de pescado em cativeiro, o Estado do Pará torna-se mais um pólo rural em ascenção no norte do Brasil.

Duas estações de produção de alevinos de tambaqui, uma em Santarém e outra em Monte Alegre, com capacidade de gerarem 30 milhões de alevinos por ano, deverão ser implantadas para atender aos municípios que ficam situados às margens do rio Amazonas.

Demandando recursos da ordem de US$ 40 milhões e com expectativas de produção de 20 mil toneladas de pescado por ano, está prevista também a implantação de 2 mil hectares/ano de tanques de criação. Com a proposta de criar condições para que a produção de tambaquis (hoje 70% do pescado cultivado no Estado) seja absorvida não só pelo próprio mercado regional mas também pelo mercado nacional, o Pólo Agroflorestal-Industrial do Noroeste pretende potencializar negócios que gerarão maiores lucros aos investidores.

O Estado do Pará, terceiro produtor nacional de pescados com uma frota responsável por 10% da produção brasileira, com um consumo per capta de 14,5 kg/ano, promoveu em novembro último, através de sua Secretaria de Agricultura e da FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, o I Encontro Paraense de Aqüicultura, objetivando iniciar programas de identificação dos criadores e interessados no desenvolvimento da aqüicultura existentes no estado.

BASA

Realizado na sede da SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, o encontro, além de traçar a situação atual e perspectivas da aqüicultura no Brasil, apresentou o diagnóstico da aqüicultura do Pará realizado pelo BASA-Banco da Amazônia S.A. e apresentada pelo engenheiro agrônomo do banco Claudio Guimarães.

Segundo Guimarães, com o apoio do BASA, foram liberados entre 1989 e 1994, US$ 5,5 milhões em 55 operações que envolveram 42 clientes. Só em 1991, foram aprovados 29 projetos para aqüicultura. Em cinco anos de atuação, implantou-se no Estado um total de 168,21 ha de viveiros, dos quais 153,52 ha para piscicultura; 14,50 ha para a carcinocultura, onde 100% dos cultivos são de M. rosenbergii e, 0,11 ha para a ranicultura.

DIFICULDADES

Com a intenção de avaliar o desenvolvimento dos projetos aprovados e que receberam recursos do Basa, o próprio banco elaborou uma pesquisa junto aos beneficiados onde detectou problemas em aproximadamente 70% dos projetos aqüícolas. Terrenos impróprios com topografia inadequada ou infiltração; assistência técnica deficiente e má administração com falta de regularidade no recebimento de alevinos e pós-larvas; erros de execução do projeto no que diz respeito a escavação, talude ou distribuição de água; deficiência protéica das rações; tamanhos inadequados dos viveiros muitas vezes dificultando a despesca e, povoamento acima das recomendações técnicas, foram algumas das muitas dificuldades esbarradas pelos produtores e detectadas pelo BASA.

A situação dos projetos financiados pelo banco, pode ser vista no quadro 1, mas, segundo o BASA, são promissoras as perspectivas da aqüicultura no Estado do Pará, já que a água é abundante, o clima é favorável e a população já possui o hábito de consumir peixe em sua alimentação diária.

Ainda segundo Guimarães, para que a atividade tome de fato o impulso que merece é preciso associativismo e cooperativismo, um passo dado com a fundação da Associação Paraense de Aqüicultura, cujo diretor Daniel Nunes Lopes, tomou posse durante o I Encontro. Além disso, é preciso também investir em tecnologia, complementa Guimarães, onde o profissional competente poderá solucionar com mais rapidez e experiência, as dificuldades que todo trabalho rural possui. Outras providências a serem tomadas são a produção de alevinos à partir de matrizes oriundas de ambiente natural e a obtenção de crédito com prazos adaptados à realidade da aqüicultura.

Finalmente, deve-se aproveitar a experiência de pólos aqüícolas já desenvolvidos no restante do País, tais como formulação de uma ração industrial rica em proteína, para ser produzida no próprio estado; o consorciamento com suínos, patos ou marrecos; treinamento de pessoal; difusão da tecnologia da hipofisação e reversão sexual; ativação e/ou melhoramentos das estação de alevinagem/pós-larvas e aumento de produtores privados que possam produzir alevinos e pós-larvas.

CEPENE

A exemplo do CEPENOR de Tamandaré – PE e o CEPESUL em Itajaí – SC, acaba de ser assinado o convênio do IBAMA/FCAP criando o CEPENE – Centro de Pesquisa do Nordeste, com instalações funcionando dentro do campus da FCAP.

Desta forma, as perspectivas de vir a ser executado um programa de pesquisa para atender a piscicultura paraense tornaram-se extremamente favoráveis, visto que o prédio atual do CEPENOR já abriga instalações e equipamentos da FCAP que, nos últimos anos, tem servido aos docentes e alunos, para pesquisa nessa área.