Aqüicultura para o ano 2000

Parece que dessa vez a coisa é para valer. O CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a principal instituição de estímulo à pesquisa no país, decidiu alavancar a aqüicultura brasileira e, ao que tudo indica, não está medindo esforços para que isso ocorra.

Sob seu patrocínio e coordenado por um time de pesquisadores de primeira linha, será realizado um importante workshop chamado de “Aqüicultura para o ano 2.000”, onde se discutirá mais uma vez, nada mais, nada menos do que…a aqüicultura brasileira.

A idéia é fazer um retrato fiel, ou quase, da atividade. O que se deseja, definitivamente, é ter um material consistente capaz de ajudar na busca de um caminho para o crescimento do setor.

O interesse súbito do CNPq pela aqüicultura, veio da constatação de que somente 2% dos recursos da Coordenação de Zootecnia e Veterinária, setor que abriga a aqüicultura dentro do órgão, vem sendo destinados a desenvolve-la. Sem dúvida, é muito pouco para uma atividade capaz de mudar radicalmente o perfil econômico rural brasileiro. O CNPq descobriu também, que a falta de tecnologia adequada e de estruturas eficientes para a formação de mão-de-obra especializada, faz com que o Brasil tenha uma das aqüiculturas mais atrasadas do mundo, se comparada com a que é praticada na maioria dos países que também possuem esta vocação.

ORGANIZAÇÃO

Os organizadores do workshop “Aqüicultura para o ano 2.000” optaram por reunir um representante de cada estado brasileiro, que terá a grande responsabilidade de apresentar uma radiografia da atividade em seu estado. Caberá a cada um deles levar para São Carlos – SP, de 7 a 9 de novembro, as respostas de um questionário de muitas pretensões, em que se procura saber o potencial de cada estado e de que forma vem sendo explorado. Além disso, se pretende conhecer o número de aqüicultores envolvidos, as áreas alagadas em produção, espécies mais cultivadas, e toda sorte de informação que possa dar contorno ao perfil da atividade, incluindo o esforço que está sendo feito em pesquisas e de que forma os resultados estão sendo levados ao produtor. De toda forma, é uma tentativa válida, mas é sempre bom lembrar que a responsabilidade de recolher os dados da aqüicultura brasileira cabe ao IBAMA, que buscou para si esta função e não a cumpre.

Segundo Newton Castagnolli, da UNESP, coordenador geral do workshop, o que se pretende é criar estratégias regionais a nível de desenvolvimento. A idéia do Tundizi (José Galizia Tundizi é presidente do CNPq), é dar uma alavancada na aqüicultura brasileira, começando por um programa de capacitação de pessoal, que é um grande ponto de estrangulamento. Seria bom também alguma ação de impacto, com resultados na produção, como por exemplo, um grande programa com tanques-rede para os 6 milhões de hectares de reservatórios que dispomos, completou Newton Castagnolli.

COLETA DE DADOS

O Coordenador de Pesquisa em Aquacultura do INPA, Manoel Pereira Filho, foi o escolhido para coordenar os representantes dos estados da Região Norte, sendo ele próprio, responsável pelas informações dos estados do Amazonas e Roraima.

A busca de informações para levar a São Carlos, cidade natal do presidente do CNPq, já levou Manoel à Roraima onde, apesar de ter visto tambaquis cultivados serem vendidos na feira do produtor, encontrou um clima de descrédito na atividade por parte dos órgãos de apoio, talvez ocasionado pelo alto índice de inadimplência junto aos bancos credores. Manoel acrescenta que isso já não ocorre no Amazonas onde o BASA – Banco do Amazônia S.A., tem interesse e acompanha de perto a atividade, apesar de também ocorrer inadimplência no estado. Contudo, Manoel espera que o workshop, de imediato, permita que se tenha um apanhado mais atualizado da aqüicultura nacional e que se identifique os problemas que impedem a atividade de deslanchar de vez.