Assentados criam peixes no Mato Grosso

Investindo R$ 85 mil provenientes do Programa Nacional de Fortalecimento à Agricultura Familiar (Pronaf), na compra de equipamentos para a construção de 84 tanques-rede e aquisição de alevinos e ração, cerca de 35 famílias de trabalhadores rurais do assentamento Olaria, localizado a 3 km de São Félix do Araguaia (1.200 km ao Nordeste de Cuiabá) iniciaram a criação de peixes em tanques-rede como uma alternativa de renda para o sustento.

Como o projeto é recente e tem apenas um ano, ainda não redeu lucro para associação, mas os aqüicultores apostam no sucesso do investimento, já que para muitos deles, esse projeto representa a esperança de dias melhores. A comunidade espera faturar R$ 50 mil com a venda de 31 mil matrinxãs e 2,5 mil pintados, pesando entre 2 a 3 quilos, cultivados no assentamento. Assim que o abate iniciar, a associação pretende doar 200 quilos de pescado para famílias carentes do município, como forma de agradecimento. No entanto, a comunidade ainda é carente de infra-estrutura, energia elétrica e de um abatedouro para que o peixe saia industrializado do local.

Segundo levantamento feito por meio de imagens satélite, os municípios da região do Araguaia (Novo Santo Antônio, São Félix do Araguaia, Luciara e Santa Terezinha) possuem juntos 10.156 hectares de lâmina d’água, considerando apenas os lagos naturais. Essa área pode triplicar se forem utilizados para cultivo também os lagos existente dentro do Parque Estadual do Araguaia, nas margens dos rios da bacia do Xingu e ainda os lagos que estão em terras indígenas. O potencial da região permite instalar 451.377 tanques iguais aos já utilizados no projeto Olaria e produzir anualmente 225.688 toneladas de pescado, utilizando apenas 1% das lâminas d’águas existentes.