AUMENTO DE PRODUTIVIDADE

ANIMA A RANICULTURA BRASILEIRA

Por: Silvia C. Reis Pereira Mello 
Diretora Técnica da ARERJ.


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Os ranários brasileiros tem aumentado significativamente a sua produtividade e alguns estados se destacam, devido às melhorias nas condições básicas da criação, como é o caso do Rio de Janeiro.

Neste Estado houve uma melhoria no manejo alimentar e geral, graças a adoção das linhas básicas do sistema Anfigranja da Universiade Federal de Viçosa onde nos galpões, o espaço de cada baia é totalmente aproveitado com uma melhor distribuição de piscinas, cochos e abrigos.

Como resultado, em levantamentos realizados entre 1991 e 1992, a produtividade no setor de engorda passou de 7 kg de rã viva/m2 para 10 kg/m2. Alguns ranários como o Bambú em Búzios, o Agroindustrial Rami em Cachoeira de Macacu e o Dois Irmãos em Silva Jardim, conseguiram alcançar uma produtividade até superior a essa média. Para 1993, a visão é mais otimista e são esperadas produtividades em torno de 13 quilos de rã viva por cada m2. No Rio de Janeiro, o pequeno produtor, para implantar um ranário com uma produção de 200 kg de carne de rã por mês, precisa investir aproximadamente US$ 30.000.00.

Em ranários do Sistema Anfigranja, segundo dados dos Professores Samuel Lopes e Claudio Angelo Agostini da Universidade Federal de Viçosa, a produtividade atual é de 20 kg de rã/m2, com uma conversão alimentar de 1,5 a 2,0 : 1. Assim, são usados 1,5 a 2,0 quilos de ração para produzir 1 kg de peso vivo, alcançando-se o peso de abate em 70 – 90 dias.

No Rio de Janeiro, como a maioria dos ranários é de pequeno porte, a conversão alcançada é a de 2,3 : 1 num tempo de engorda entre 90 – 100 dias. O quilo da ração fornecida às rãs, que é comprada em conjunto pelos criadores através da Associação, sai por aproximadamente US$ 0.50.

Somando-se os 40 ranários associados da ARERJ – Associação de Ranicultores do Estado do Rio de Janeiro, são produzidas e vendidas no próprio estado 3 toneladas/mês de rãs. Atualmente o quilo da rã está sendo vendido pelo produtor por US$ 6.00 chegando a US$ 10.00 no varejo.

Além do Rio de Janeiro, alguns ranários se destacam na Região Centro-Oeste, como é o caso do Ranário Fujioka Nishi em Hidrolândia – GO que, segundo dados divulgados em 1992, alcançou uma produção de 3 ton/carne/mês. Este mesmo ranário exportou no mesmo ano uma tonelada de rãs vivas/mês para os EUA e alguns milhares de girinos para a Itália.

Outro que merece destaque é o Rander, em Brasília – DF, que produz 1 a 1,5 toneladas/mês e se encontra ampliando sua produção. Ambos os ranários possuem seus próprios abatedouros frigoríficos.

Apesar das previsões um tanto pessimistas dos diversos segmentos ligados à aqüicultura, face aos altos custos de implantação e produção, acarretando a elevação do preço do produto final e, considerando-se o baixo poder aquisitivo do brasileiro, o mercado da rã está vigoroso, principalmente o externo que é pouco explorado. Para atendê-lo, teremos que aumentar em muito a produção do País.

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A união da produção dos diversos estados já acontece de forma a viabilizar essas primeiras grandes exportações. O passo a seguir deve ser a ampliação dos ranários já existentes, aperfeiçoando-se a tecnologia e obtendo-se consequentemente um aumento de produtividade.