Bagre Africano

A relativa simplicidade na incubação de ovos fertilizados do bagre africano Clarias gariepinuns sempre atraiu muitos produtores que, vez ou outra, esbarram em pequenos detalhes que os impedem de alcançar os resultados desejados.

Este assunto foi tratado na última edição da revista inglesa Fish Farmer pelos pesquisadores C. C. Ajuzie, da Abia State University na Nigéria e S. Appelbaum da Ben-Gurion University, que relataram um experimento realizado no Blaustein Institute for Desert Research, em Israel.

O experimento, do qual destacamos a seguir os principais detalhes de manejo, visou conhecer a temperatura ideal para incubação dos ovos de Clarias gariepinus.

PROPAGAÇÃO

Na preparação do experimento, 4,5 ml de solução salina (0,7% de NaCl) foram utilizadas para homogeneizar 300 mg de extrato purificado de hipófise de carpa (gonadotropina), quantidade suficiente para 9 kg de peixe. Esta solução, foi denominada de “A”. A solução “B” foi obtida misturando 1 ml da solução “A” com 4 ml de solução salina.

No experimento, as fêmeas reprodutoras recebem duas aplicações, em diferentes períodos, enquanto os machos receberem somente uma. Na primeira aplicação, as fêmeas que pesavam aproximadamente 1 kg cada, receberam 0,4 ml da solução “B”. Na segunda aplicação das fêmeas, que coincide com a primeira aplicação dos machos, foram aplicadas 0,4 ml da solução A. As doses foram administradas segundo a proporção de 0,4 ml por kg. As injeções foram intramusculares, aplicadas acima da cavidade abdominal, próximo a nadadeira dorsal.

Os ovos foram obtidos 12 horas após a segunda aplicação, pressionando suavemente o abdômen desde a parte mais anterior, no sentido do orifício anal. O esperma foi obtido sacrificando o macho, retirando-lhes os testículos e espremendo-os sobre o recipiente com os ovos.

Depois de misturados com uma espátula, para ocorrer a fecundação, os ovos foram espalhados numa tela de nylon com malha de 0,5 mm, bem estendida numa moldura. Esta estrutura foi imersa no tanque de incubação, fazendo um ângulo (mais vertical que horizontal). Apesar disso, os ovos ficam aderidos à tela devido a suas propriedades adesivas.

Durante a incubação, a troca de água foi constante, numa taxa de 0,5 litros por minuto, bem como a aeração.

TEMPERATURA

Três faixas de temperatura foram testadas pelos pesquisadores: 34-35ºC, 30-31ºC e 25-26ºC. Em cada uma dessas faixas foram avaliados o tempo de incubação necessário a eclosão dos ovos, a taxa de desenvolvimento larval e os comprimentos das larvas 48 horas após a eclosão. As taxas de sobrevivência dos ovos e a duração da incubação pode ser observada na tabela 1.

As análises dos resultados concluíram que temperatura de 34-35º C foi letal para os ovos e os autores, em seu relatório, acreditam que a temperatura 30-31ºC é mais eficaz visto que o tamanho médio das larvas após 48 h da eclosão foi de 7,8 mm, ao passo que aquelas submetidas a 25-26ºC alcançaram um tamanho médio de 5,9 mm.