Bandeja de Alimentação na engorda de Camarão Marinho

Por: Alberto J.P. Nunes,
Ph.D. [email protected]


O cultivo comercial de camarões marinhos em cativeiro é uma atividade recente no mundo, com pouco mais de 30 anos de história. A década de 70 foi caracterizada por um período de aprimoramento e difusão das técnicas comerciais de engorda. Nos anos 80, favorecida pela consolidação da tecnologia de cultivo, alta rentabilidade da atividade, baixa competitividade dos mercados internacionais e ampla disponibilidade de áreas adequadas ao cultivo, houve uma rápida proliferação de fazendas de camarão em países da Ásia e América Latina. No seu pico, a produção mundial de camarão marinho chegou a alcançar uma taxa anual de crescimento da ordem de 35%. Em 1984, já se registrava 33 países atuando comercialmente na engorda de camarão. Naquela época, o cultivo era praticado de forma intuitiva e com uma alta dependência nos recursos naturais. Fazia-se o uso de larvas selvagens, grandes volumes de água, baixas densidades de estocagem e rações com alta inclusão de ingredientes de origem marinha, o que resultava em uma menor eficiência produtiva. Na década de 90, a produção mundial de camarão foi fortemente afetada por anomalias climáticas (El Niño, Furacão Mitch) e pela deflagração de epizootias de alta patogenicidade e risco para sobrevivência da indústria (IHHNV, Síndrome de Taura, vírus da Mancha Branca e Cabeça Amarela). Neste período, as quebras na produção mundiais de camarão de cativeiro incentivaram o surgimento de preços elevados no mercado internacional, tendo sido este o principal agente propulsor de novos entrantes na atividade.

Mais recentemente, com a maior regularidade na oferta de camarões no mercado externo, as metas das fazendas de engorda convergiram de recordes na produtividade para um maior gerenciamento econômico-financeiro. Como qualquer outro segmento de produção animal, as perdas e os excessos passaram a ser fatores decisivos para a competitividade e a rentabilidade do empreendimento. Sendo a ração o insumo de maior impacto nos custos operacionais, técnicos tem se empenhado para otimizar sua utilização através de uma modernização das práticas de alimentação em bandejas. O presente artigo faz um breve histórico sobre o uso de bandejas de alimentação, destacando os mais recentes avanços e esforços nesta área traçados pelas fazendas de engorda de camarão marinho no Brasil.

 

Método Combinado: Bandejas como Indicadores do Consumo

O apetite dos camarões sofre influências das condições ambientais dos viveiros, tais como temperatura, dias ensolarados ou nublados, ou mesmo as fase da lua; varia ainda com fatores fisiológicos como doenças, muda, atividade enzimática e, também com fatores temporais como sazonalidade ou hora do dia e da noite.

Diferente da maioria dos peixes cultivados, nos camarões peneídeos predomina o modo alimentar bentônico, no qual o animal permanece a maior parte do ciclo de engorda pouco visível, à procura de alimento no fundo do viveiro. Estes fatores complicam o uso isolado de guias e tabelas de alimentação para ajustes de refeições, pois impossibilitam observações do consumo alimentar e não contemplam os aspectos que afetam o apetite do camarão.

Para melhor subsidiar ajustes em refeições fornecidas por meio de lanços ou voleios surgiram, nos anos 80, em fazendas de camarão na Ásia, as primeiras bandejas de alimentação. As bandejas, também chamadas de comedouros, oferecem um melhor mecanismo para determinar a quantidade de ração a ser ministrada em viveiros de camarão. O ajuste nas taxas de alimentação baseia-se no monitoramento das sobras de ração remanescentes em comedouros posicionados estrategicamente no viveiro e inspecionados dentro de um intervalo de tempo predefinido. Com isto, foram desenvolvidos os primeiros protocolos sobre o manejo de bandejas voltados para a adequação das refeições distribuídas por lanços. Os protocolos fazem recomendações sobre a densidade de bandejas, a quantidade de ração a ser alocada por bandeja e ao intervalo adequado de inspeção das sobras (Tabelas 1 e 2).

Tabela 1. Número ideal de bandejas de alimentação por  área cultivada instaladas para funcionar como indicadores do consumo de ração.
Tabela 1. Número ideal de bandejas de alimentação por  área cultivada instaladas para funcionar como indicadores do consumo de ração.
Tabela 2. Percentual de ração em relação à refeição total a ser alocada por bandeja e período (hr) correspondente a inspeção das sobras em função ao peso médio (g) da população cultivada.
Tabela 2. Percentual de ração em relação à refeição total a ser alocada por bandeja e período (hr) correspondente a inspeção das sobras em função ao peso médio (g) da população cultivada.

Para atender os objetivos de indicadores de consumo de ração da população de camarão cultivada, um percentual (geralmente entre 3 e 5%) da quantidade diária de ração distribuída no viveiro é colocada em um determinado número de bandejas. São introduzidas em média entre 6 e 8 bandejas/ha, sendo o mínimo de três bandejas por viveiro, independente da área de cultivo existente. As bandejas são submersas no viveiro, podendo ser inspecionadas de barcos ou dos taludes empregando-se rampas de observação (Fig. 1). A ração é colocada na bandeja simultaneamente a distribuição por voleio. Passadas 2 – 2,5 hrs, as bandejas são cuidadosamente erguidas para se fazer uma estimativa da quantidade de ração não consumida. No período seguinte de arraçoamento, a quantidade de ração a ser distribuída por lanço baseia-se na média da quantidade de ração restante nas bandejas indicadoras do consumo de ração de cada viveiro, sendo as refeições ajustadas conforme a Tabela 3

Tabela 3. Ajustes nas taxas de arraçoamento por voleio baseados no uso de bandejas de alimentação.
Tabela 3. Ajustes nas taxas de arraçoamento por voleio baseados no uso de bandejas de alimentação.

 

Fig. 1. Plataforma para inspeção de sobras de uma bandeja indicadora do consumo alimentar.
Fig. 1. Plataforma para inspeção de sobras de uma bandeja indicadora do consumo alimentar.
Método Exclusivo: Bandejas como Ferramenta de Oferta do Alimento

O método exclusivo de alimentação em bandejas foi desenvolvido nas Filipinas e disseminado nas Américas. Um dos primeiros artigos sobre o uso de bandejas de alimentação como ferramenta única de oferta de ração em fazendas de engorda do Litopenaeus vannamei, foi publicado no Peru, em 1995, por Moises Viacava, hoje residente no Brasil. Contudo, desde o início da década de 90 este método vem sendo empregado com sucesso no Brasil. O método de alimentação exclusivo em bandejas constitui-se um dos procedimentos de manejo que mais caracteriza a indústria brasileira.

Figura 2: bandejas devem ser introduzidas no viveiro de forma eqüidistante
Figura 2: bandejas devem ser introduzidas no viveiro de forma eqüidistante

O procedimento de arraçoar unicamente em bandejas requer um maior número possível de pontos de alimentação a fim de permitir um acesso mais homogêneo de toda população à ração (Fig. 2). Estabeleceu-se empiricamente que as bandejas devem ser introduzidas no viveiro de forma eqüidistante em um número proporcional às densidades de estocagem de camarão adotadas (1 bandeja/ha para cada 10.000 camarões/ha). Após a estocagem das pós-larvas nos viveiros de engorda, são introduzidas entre 10 e 30 bandejas/ha, adicionando-se semanalmente mais unidades na medida que se aproxima do 30o dia de cultivo, iniciando-se a instalação da periferia em direção ao centro do viveiro. Camarões menores de 3g ainda exibem um zoneamento irregular com pouca movimentação na área de cultivo, concentrando-se em regiões rasas do viveiro próximas aos taludes. Neste estágio, para atender esta distribuição espacial, a ração é ministrada através de lanços conduzidos com o auxílio de caiaques em áreas próximas aos taludes e o restante nas bandejas já instaladas. Quando os camarões alcançam 2,5 – 3,0g, a ração passa a ser fornecida integralmente em bandejas, sendo a distribuição por lanço descontinuada. Os ajustes das refeições são realizados individualmente para cada ponto de alimentação e a cada trato, considerando as sobras observadas junto com uma tabela de correção das taxas de alimentação (Tabela 4).

Tabela 4. Tabela de orientação para ajuste das taxas de alimentação, com base no arraçoamento exclusivo em bandejas.
Tabela 4. Tabela de orientação para ajuste das taxas de alimentação, com base no arraçoamento exclusivo em bandejas.

Tabelas de alimentação podem ser utilizadas em combinação com o método exclusivo de bandejas para projeções esperadas do consumo. Neste caso, aplica-se a seguinte formula (F1):

QR = PC x BP
onde:
QR = Quantidade de ração em kg
PC = % do peso médio dos camarões
BP = Biomassa da população

Para estimar a quantidade de ração a ser ofertada em cada bandeja e em cada horário de arraçoamento (QRBA, em g), temos a formula (F2):

QRBA = QR ÷ n° de bandejas (NB) ÷ n° de arraçoamentos/dia (AD)

Como exemplo, para uma população de 1.440.000 camarões com 3g de peso médio, devemos arraçoar 6,2% da biomassa estocada (Tabela 5). Aplicando a formula F1, teremos: QR = 6,2% x (1.440.000 camarões x 3 g) = 6,2% x 4.320 kg = 268 kg. A ração é distribuída 3 vezes/dia e são utilizadas 30 bandejas/ha. Em um viveiro com uma área de 6,0 ha, temos um total de 180 bandejas. Calculando a refeição por bandeja e horário de arraçoamento, teremos: QRBA = 268 kg ÷ 180 bandejas ÷ 3 vezes ao dia = 0,49 kg ou 500 g.

Tabela 5. Tabela de alimentação comercial e banda (taxas de alimentação restritivas) para o Litopenaeus vannamei. A coluna do lado direito apresenta a ingestão máxima de ração pelo Farfantepenaeus subtilis. Dados para o F. subtilis foram estabelecidos em laboratório sob condições controladas na ausência de alimento natural, 1,5 hrs após os animais receberem uma refeição ad libitum.
Tabela 5. Tabela de alimentação comercial e banda (taxas de alimentação restritivas) para o Litopenaeus vannamei. A coluna do lado direito apresenta a ingestão máxima de ração pelo Farfantepenaeus subtilis. Dados para o F. subtilis foram estabelecidos em laboratório sob condições controladas na ausência de alimento natural, 1,5 hrs após os animais receberem uma refeição ad libitum.

Mais recentemente têm-se adotado tabelas de alimentação restritivas (Tabela 5), chamadas de bandas. Nestas, são estipulados limites máximos de oferta de ração em relação ao peso do camarão, na expectativa de uma redução do fator de conversão alimentar (FCA). Para camarões, os limites de oferta devem ser aferidos com base no apetite do animal e na capacidade máxima de ingestão de ração pela espécie, ambos aspectos com alta variabilidade condicionada a fatores já mencionados no texto. Restrições na oferta de ração podem na verdade levar a um efeito ricochete, gerando condições de sub-alimentação e deficiência nutricional, em particular nos sistemas intensivos, sujeitos ao estresse, deficientes de alimento natural e expostos a uma maior grau de infecções de ordem viral e bacteriana. Contudo, o uso de bandas é valido para identificação de excessos no arraçoamento, projeções de consumo, estabelecimento de metas e no auxílio de ajustes semanais das refeições.

Fig. 3. O monitoramento populacional representa uma importante vantagem das bandejas sobre outros métodos de dispersão de ração.
Fig. 3. O monitoramento populacional representa uma importante vantagem das bandejas sobre outros métodos de dispersão de ração.
Comparação entre os dois Métodos

O método combinado de alimentação por voleio e bandeja continua sendo amplamente empregado em países da Ásia e América Latina, e em algumas fazendas do Brasil. A diferença entre a prática parcial de alimentação em bandejas e a de alimentação exclusiva nas mesmas, está no nível de precisão que os dois métodos podem proporcionar em relação às projeções de consumo alimentar e ao monitoramento populacional (Fig. 3). Em condições de menor densidade de camarões, o método combinado de bandejas pode ser mais vantajoso e econômico, pois requer pouca mão-de-obra. Se bem conduzido, não representa riscos de degradação do solo e da água ou detrimento nos níveis de conversão alimentar. Em sistemas de cultivo mais intensivos, com taxas de alimentação superiores a 50 kg/ha/dia (> 15 camarões/m2), o uso de bandejas como forma exclusiva de oferta de ração é mais recomendável. Sob tais condições, a alimentação exclusiva em bandejas permite ajustes mais pontuais, regulados com o apetite do animal, com as variações ambientais e com as características físicas do viveiro, minimizando assim os riscos de autopoluição (Tabela 6). Além disto, ração concentrada em bandejas amplifica o poder de atratividade das rações, permitindo uma rápida localização e consumo do alimento. Por um outro lado, embora os peneídeos não sejam territorialistas, inclusive apresentando o hábito de agregação e movimentação em grupo durante o dia, é de extrema importância introduzir um maior número possível de bandejas a fim de evitar intensificação de contato entre indivíduos e promover o encontro com o alimento.

Tabela 6. Parâmetros comparativos entre dois métodos de distribuição de ração: (1) bandejas em combinação com lanço e (2) oferta exclusiva em bandejas.
Tabela 6. Parâmetros comparativos entre dois métodos de distribuição de ração: (1) bandejas em combinação com lanço e (2) oferta exclusiva em bandejas.
Aprimoramento do Manejo e Design de Bandejas

As bandejas precursoras dos comedouros atuais surgiram em Taiwan, tinham um formato retangular, consistindo de uma moldura de sustentação feita de bambu, ou de metal com dimensões variando entre 70 x 70 cm e 1 x 1 m, onde uma tela fina é estendida como base para repouso do alimento. O modelo de bandeja Taiwanes foi rapidamente disseminado em países da Ásia e trazido para a América Latina, onde inúmeros tipos tomaram forma (Fig. 4 ). No Brasil, predomina bandejas circulares fabricadas da virola de pneus. Na base é fixada uma tela para retenção de ração, enquanto as laterais recebem um cordão a fim de possibilitar sua imersão na água e posterior remoção. As bandejas da virola de pneus são fabricadas de forma artesanal, geralmente por borracheiros, oficinas ou na própria fazenda (Fig. 5).

Fig. 4. Modelos de bandejas de alimentação no (A) Equador, (B) México, (C) Nicarágua e (D) Brasil.
Fig. 4. Modelos de bandejas de alimentação no (A) Equador, (B) México, (C) Nicarágua e (D) Brasil.

 

Fig. 5. Produção artesanal de bandejas feitas de virolas de pneus prosperou nos últimos anos Região Nordeste, atuando como reciclador de pneus velhos.
Fig. 5. Produção artesanal de bandejas feitas de virolas de pneus prosperou nos últimos anos Região Nordeste, atuando como reciclador de pneus velhos.

Fatores antes ignorados, associados ao manejo e ao design de bandejas, estão sendo agora considerados críticos para melhorar os níveis de conversão alimentar. A perda de ração no arraçoamento ocorre no momento da colocação do alimento na bandeja e durante o trajeto do comedouro, entre a superfície da água até o fundo do viveiro (Fig. 6 ). A saída de ração para fora da bandeja pode levar o tratador a concluir que todo alimento ofertado está sendo consumido, gerando superestimativas de consumo e excessos na alimentação. A ração derramada também tem menor probabilidade de ser consumida pelos camarões, pois no momento da alimentação provavelmente priorizam o comedouro, onde há maior lixiviação de atratores alimentares e maiores chances de captura de peletes. A expulsão da ração da bandeja é resultado de inúmeros fatores, a maioria falha humana. A mecânica da oferta de ração em bandejas é um processo extremamente laborioso e repetitivo, que exige paciência, tempo, resistência física e treinamento por parte do arraçoador. Neste processo podem ser identificados três estágios: (1) o estacionamento do caiaque no ponto de alimentação, com o enlaçamento de um dos braços do tratador na estaca de fixação da bandeja; (2) o içamento da bandeja para remoção das sobras, e; (3) o posicionamento da bandeja parcialmente imersa para colocação da ração e a posterior lançamento controlado até contato com o fundo do viveiro (Fig. 7).

Fig. 6. Seqüência de fotos mostrando os pontos críticos de perda de ração (A) oferta de ração fresca, (B) afundamento da bandeja, (C) impacto com o fundo, (D) repouso e (E) resgate das sobras.
Fig. 6. Seqüência de fotos mostrando os pontos críticos de perda de ração (A) oferta de ração fresca, (B) afundamento da bandeja, (C) impacto com o fundo, (D) repouso e (E) resgate das sobras.

 

Fig. 7. Tratador devidamente posicionado em um ponto de alimentação. Note bandeja parcialmente imersa para favorecer absorção de água pela ração e melhor afundamento dos peletes.
Fig. 7. Tratador devidamente posicionado em um ponto de alimentação. Note bandeja parcialmente imersa para favorecer absorção de água pela ração e melhor afundamento dos peletes.

Arraçoadores sem incentivo financeiro, com múltiplas tarefas, despreparados para a função, indispostos ou cansados certamente estão mais propícios a gerar perdas de ração. Associado a estas condições, viveiros com uma ampla extensão, forte ação dos ventos, com grande número de tratos ao dia ou com inúmeros pontos de alimentação, são também fatores condicionantes a um maior desperdício de ração.

Com a revelação de que as perdas no momento da oferta da ração em bandejas podem ter um forte impacto sobre os níveis de conversão alimentar das fazendas de engorda de camarão, iniciou-se uma série de ajustes e melhorias no manejo alimentar e no design das bandejas (Tabela 7). Os comedouros tradicionais vêm sendo equipados com apetrechos que variam desde bordas mais elevadas nas laterais, pés de PVC e (ou) madeira fixadas na base até bóias duplas nos cordões (Fig. 8). A soma destes artefatos tem como intuito inibir a saída de ração, amortecer o impacto da bandeja com o fundo, reduzir a velocidade de descida e propiciar um melhor equilíbrio horizontal do comedouro no momento do afundamento.

 

Fig. 8. O aparelhamento de bordas elevadas (A), pés (B) e bóias duplas (C) em bandejas representam esforços praticados pelas fazendas de camarão para minimizar a perda de ração durante o trato.
Fig. 8. O aparelhamento de bordas elevadas (A), pés (B) e bóias duplas (C) em bandejas representam esforços praticados pelas fazendas de camarão para minimizar a perda de ração durante o trato.
Tabela 7. Melhorias nos processos de manejo e design de bandejas com vistas à redução de perdas de ração.
Tabela 7. Melhorias nos processos de manejo e design de bandejas com vistas à redução de perdas de ração.

Com isto, começaram também a prosperar inúmeras idéias de novos designes para as tradicionais bandejas de alimentação, alguns questionáveis em relação a sua eficácia, outros mais persuasivos. Canos de PVC fixos em pontos de alimentação ou em bandejas e canos de PVC transportáveis em caiaques têm sido algumas alternativas testadas para eliminação de perdas (Fig. 9). Mais recentemente têm surgido bandejas industriais manufaturadas de canos de PVC ou polipropileno (Fig. 10) e algumas destas já contemplam algumas melhorias alcançadas em fazendas.

Fig. 9. Algumas fazendas já aderiram integralmente ao uso de canos de PVC para auxiliar a alocação de ração na bandeja. Os canos transportáveis em caiaques são uma alternativa mais barata, permitindo sua limpeza rotineira (A). Os canos fixos, acumulam resíduos de ração no seu interior e requerem um maior investimento (B) e (C).
Fig. 9. Algumas fazendas já aderiram integralmente ao uso de canos de PVC para auxiliar a alocação de ração na bandeja. Os canos transportáveis em caiaques são uma alternativa mais barata, permitindo sua limpeza rotineira (A). Os canos fixos, acumulam resíduos de ração no seu interior e requerem um maior investimento (B) e (C).
Fig. 10. Produção artesanal de bandejas vem sendo substituída pela industrial. (A) Bandeja feita de cano de PVC, (B) bandeja com borda retrátil e (C) bandeja com abertura automática de tampa no momento do contato com o solo.
Fig. 10. Produção artesanal de bandejas vem sendo substituída pela industrial. (A) Bandeja feita de cano de PVC, (B) bandeja com borda retrátil e (C) bandeja com abertura automática de tampa no momento do contato com o solo.
Perspectivas

Qualquer programa de arraçoamento deve estabelecer harmonia com o hábito alimentar da espécie cultivada. No caso dos camarões peneídeos o lema principal a ser seguido é “pequenas refeições em múltiplas vezes ao dia”. Atualmente a implementação deste esquema alimentar em fazendas comerciais de camarão é praticamente impossível. A grande extensão dos viveiros, o turno de trabalho dos funcionários e o processo laborioso associado ao fornecimento de ração em bandejas implicaria em custos ainda mais elevados. A semi-mecanização do sistema de distribuição de ração em bandejas pode representar uma alternativa economicamente vantajosa. Apesar da automatização do fornecimento de ração não ter obtido êxito em alguns segmentos de produção aqüícola, sistemas simples, baratos e funcionais, que não acarretem mudanças radicais e se adequam a realidade da carcinicultura brasileira não devem ser desprezados. Uma destas ações já está sendo desenvolvida no Estado do Rio Grande do Norte. A idéia combina a liberação de pequenas quantidades de ração em uma bateria de bandejas, acionada manualmente diversas vezes ao dia por um cabo fixado no talude do viveiro. Neste sistema, teoricamente as perdas de ração devem ser minimizadas devido às pequenas quantidades ministradas, a manutenção do frescor, da qualidade nutricional e da atratividade do alimento e ao maior número de pontos de alimentação. O tratador por sua vez, reduz a carga de trabalho associado à distribuição de ração, passando a priorizar funções mais importantes como a de limpeza de bandejas, monitoramento das sobras, avaliação da qualidade da ração, além do acompanhamento da condição ambiental e de saúde do cultivo.