Camanor inaugura larvicultura com tecnologia AquaScience e aposta na genética importando reprodutores SPF

A Camanor Produtos Marinhos já está produzindo as suas próprias pós-larvas no moderno laboratório de larvicultura, inaugurado no início de março, na Barra do Cunhaú, município de Canguaretama, RN. As novas instalações foram projetadas para produzir mensalmente 50 milhões de pós-larvas e, segundo o diretor e fundador da empresa, Werner Jost, não será um laboratório comercial, já que toda produção será utilizada para povoar os viveiros da empresa. Para o novo empreendimento, além de uma equipe de craques, Jost contou com a sua experiência de 27 anos participando como sócio do laboratório Aquatec, de onde se desligou há dois anos.

A tecnologia AquaScience de engorda de camarão desenvolvida pela Camanor está agora na sua quarta geração e segue sendo aprimorada. No momento utiliza densidades de até 400 camarões por m2 e obtém animais de 18 gramas num período de 110-120 dias.

Apesar dos bons resultados que se traduzem em despescas anuais de 3 mil toneladas de camarões nos 20 hectares até então em operação, faltava incorporar ao processo produtivo as pós-larvas também produzidas em ambiente com tecnologia AquaScience, fato que agora já é possível com a entrada em funcionamento do novo laboratório.

Reprodudores SPF

Os planos da Camanor não param por aí. No ano que passou, 40% da empresa foi adquirida pela tailandesa CPF, líder mundial na genética de camarões. Werner conta que o programa genético da CPF permite um ganho de peso de até 7 gramas semanais, enquanto o material genético usado no Brasil atualmente não consegue ultrapassar as 2 gramas semanais. “Com uma genética adequada, o animal é capaz de aproveitar o melhor da alimentação, o que viabiliza economicamente o uso de rações caras e de qualidade superior”, disse.

Através da Camanor, o uso da genética tailandesa no Brasil está a um passo de ser incorporada a realidade, principalmente com a chegada de reprodutores SPF (livres de patógenos conhecidos para o camarão). Há algum tempo a Camanor vem cumprindo uma longa e detalhada lista de exigências junto ao MAPA para regularizar o funcionamento do seu quarentenário, cujas obras já estão bem adiantadas. Uma vez dentro do quarentenário, os animais são monitorados, tanto pela empresa como pelo MAPA, por um período de 30 dias antes de serem utilizados como reprodutores. Como parte do protocolo, em breve, técnicos do MAPA embarcam para visitar as instalações na Tailândia, com o objetivo de certificar localmente o processo que permite que os animais sejam considerados livres de patógenos (SPF).

Nos planos de Werner Jost, a presença da tecnologia AquaScience em todas as fases do processo produtivo, associada ao uso de material genético SPF, irá permitir que a Camanor, em breve, conclua os 50 hectares licenciados pelo IDEMA, momento em que espera estar produzindo 15.000 toneladas a cada ano.