Camarão de Água Doce ao Redor do Mundo

No Encontro Nacional de Produtores de Camarões de Água Doce realizado em Vitória – ES, Michael New apresentou o status da produção de M. rosenbergii nos principais países em que ele é cultivado, com destaque para os países asiáticos, líderes no ranking mundial da produção deste crustáceo. Ainda segundo o biólogo inglês, o cultivo de camarões de água doce em outras partes do mundo também registra um crescimento significativo, com destaque para os países do continente Americano


O ano de 1991 foi o marco na produção mundial do M. rosenbergii, quando a produção global bateu seu recorde com 37.000 toneladas produzidas. No ano seguinte, a queda de 33% na produçâo de um único país, Taiwan, acarretou uma queda de 7% na produção mundial daquele ano (34.928 t). Entretanto, a despeito da queda na produção global, a atividade como um todo manteve um crescimento positivo visto que os demais países produtores, registraram um aumento na produção, mantendo a tendência de crescimento iniciada em 1986, quando em todo o mundo foram produzidas l3.000 toneladas de M. rosenbergii (fig. 1).

1993

As estatísticas mais recentes sobre a produção mundial de camarões de água doce apresensadas por Michael New em Vitória – ES, são aquelas fornecidas pela FAO, referentes ao ano de 1993, e dão conta que a produção global de camarões de água doce foi de 35.177 toneladas, não tendo sido incluído os dados referentes a Bangladesh.

A produção de camarão de água doce em 1993, representou apenas 4% das 935.000 toneladas de crustáceos que a aqüicultura mundial produziu naquele ano, em contraste com os camarões marinhos, responsáveis por 86% (804.100 t) da produção.

Os dados da FAO revelam ainda que aproximadamente 5% do total de camarões (marinhos e de água doce), produzidos na Ásia, foram da espécie M. rosenbergii, enquanto esta proporção no resto do mundo foi de somente 1,9%.

Os dados referentes a Bangladesh não participaram das estatísticas da FAO em 1993, mas acredita-se que o país tenha produzido cerca de 5.000 t, o que elevaria a produção global em 14%. Vale lembrar que nos rios de Bangladesh, em 1993, foram pescadas 40.000 t de M. rosenbergii (quase 5.000 t acima da produção total mundial, produzida pela aqüicultura no mesmo ano) contribuindo para que este país seja atualmente o principal fornecedor mundial deste commodity.

Fig. 1 - Produção mundial (em toneladas) de camarões de água doce - 1984 a 1993 (FAO - 1995)
Fig. 1 – Produção mundial (em toneladas) de camarões de água doce – 1984 a 1993 (FAO – 1995)

Ásia

Em 1987, a produção da Tailândia alcançou seu primeiro pique e havia somente dois outros países na reião com produção significativa: Vietnã e Taiwan (fig.2).

Em 1991, Taiwan alcança seu maior pique de produção que, somados aos bons resultados dos demais países, fez com que a produçãso mundial alcançasse recorde de 37.000 t.

Em 1992 a ptodução global de camarões de água doce caiu 7%, espalhando falsas notícias que o cultivo mundial desse animal estava em declínio. Michael New esclareceu entretanto que, mesmo registrando uma queda na produção mundial, a atividade continuou crescendo em todo o mundo. A queda registrada, mascarou importantes eventos que não foram ressaltados. Entre eles, a quebra brusca da produção taiwanesa devido a problemas de doenças relacionadas com o aumento exagerado na taxa de estocagem (intensificação), e o aumento significativo da produção tailandesa e vietnamita. O fato mais interessante, foi o aumento de 20 vezes na produção da Índia que em 1993 produziu 12% da produçã total da Ásia enquanto o Vietnã contribuiu com 38%, Tailândia 33% e Taiwan 17%.

AMÉRICA DO NORTE E CENTRAL

Mais de 1.500 toneladas dos camarões cultivados em fazendas foram cultivados nas Américas do Norte e Central em 1993. Deste total, 49% vieram da República Dominicana, enquanto l6% vieram de Porto Rico, 12% do México e 11% dos EUA.

A produção dos EUA atingiu seu pique em 1990 e 1991 e, desde então, vem declinando. A maior parte da produção era originária do Havaí. A produção total de camarões cultivados nos EUA, permaneceu abaixo das 200 t no período entre 1985 e 1993 (menos que 0,5% da produção global de camarões cultivados em 1993).

O México é considerado “o gigante adormecido” da América do Norte, possuindo condiçöes ambientais mais favoráveis que os EUA. No entanto, a produção mexicana, que em 1988 foi de 410 t, caiu para somente 139 t em 1991, aumentando novamente para 175 t em 1993.

A produção da República Dominicana em 1987 foi de 120 t, declinando até 1991, atingindo posteriormente 739t em 1993. Na República Dominicana, a produção de camarão de água doce tem um papel de grande importância dentro da produção total de crustáceos daquele país, sendo a produção de camarões de água doce 3,7 vezes maior que a produção de camarões marinhos.

Porto Rico atingiu seu pique de produção de 439 t em 1992, caindo para 246 t em 1993, devido principalmente, a problemas de doenças e de mercado numa das maiores fazendas locais.

AMÉRICA DO SUL

Em 1993, Equador produziu 800 t de camarões de água doce (muito pouco se comparada com a produção equatoriana de camarões marinhos). O Brasil, no mesmo ano, produziu 700 t destacando-se ao lado do Equador como os dois maiores produtores de camarões de água doce cultivados na América do sul. Em terceiro lugar segue a Guiana Francesa com 80 t produzidas. Na Venezuela, Colômbia, Argentina e Peru, também foram registradas pequenas produções.

O FUTURO

Para Michael New, muito do potencial para o cultivo do camarão de água doce no mundo, ainda não tem sido explorado. O cultivo desse camarão que, segundo New, é considerado por muitos como superior em sabor e textura, ao camarão marinho, deve tornar-se uma atividade mais atrativa. É esperada uma expansão substancial do cultivo, embora a produção deva permaneœr ainda pequena,em relação a produção de camarões marinhos.

Está previsto que a produção de camarões de água doce na Ásia atingirá, até o ano 2.000, cerca de 68.000 toneladas anuais (mais que o dobro da produção de 1992). Se os “gigantes adormecidos” como Bangladesh, Índia, Brasil e outrospaíses do continente americano, vierem a explorar os seus potenciais de produção, essa estimativa pode então vir a ser bastante conservadora. Existem sinais de que pelo menos na India, esse fato já venha ocorrendo. Segundo New, se esses países que possuem condições ambientais adequadas e mão-de-obra barata, puderem obter vantagens no mercado doméstico e no mercado internacional, a produção mundial atingirá, ainda nesta década, valores superiores a 70.000 toneladas anuais.