Camarão – Nunca se exportou tanto!

O momento pelo qual passa a carcinicultura brasileira é sem dúvida o mais importante nessas suas quase três décadas de existência. É bem verdade que a produção brasileira ainda não deve ser comparada a de alguns países asiáticos, tampouco ao do nosso vizinho Equador, mas existem motivos de sobra para festejar esse momento da carcinicultura nacional, mesmo porque nunca, em nossa história recente, vimos nesse País tantos camarões sendo produzidos, despescados e exportados.


Segundo Itamar de Paiva Rocha, presidente da ABCC – Associação Brasileira de Criadores de Camarão, em recente seminário em Belém, promovido pela Secretaria Executiva de Agricultura do Pará – Sagri, até o final deste ano a indústria brasileira do cultivo de camarão contabilizará 6.250 hectares em produção, quase toda ela distribuída pelas Regiões Norte e Nordeste, à exceção do Estado de Santa Catarina, como pode ser visto na figura 1. Há, segundo ele, uma previsão de que a indústria feche o ano 2000 tendo despescado cerca de 25 mil toneladas de camarões, apesar de fontes mais conservadoras afirmarem que dificilmente ultrapassaremos as 20.000 toneladas.

Figura1 - Projeção da produção de camarão cultivado no Brasil, por Estado, para o ano 2000
Figura1 – Projeção da produção de camarão cultivado no Brasil, por Estado, para o ano 2000


Segundo Raul Malvino Madrid, do DPA/MA e Coordenador do Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento do Camarão Marinho, o momento é extremamente favorável para os carcinicultores. A desvalorização do Real é muito bem- vinda quando estamos tratando de exportações. Por outro lado, por conta de várias mudanças no cenário da produção mundial, os preços do quilo do camarão no mercado internacional mantiveram uma tendência de alta, subindo de 5,65 para 7,5 dólares, nos últimos 18 meses. No Brasil, nos últimos dois anos, o cultivo de camarões marinhos destaca-se como a atividade mais lucrativa em todo o agribusiness. Para se ter uma idéia, nos últimos dois anos o
 faturamento das exportações de carnes subiu 20%, de frutas 30% e de camarões a incrível marca de 1700%.

A expectativa é de que o faturamento das exportações alcance, até o final do ano, os 65 milhões de dólares. Até setembro deste ano, a parcela exportada da produção brasileira já havia alcançado os 38,7 milhões de dólares (figura 2), num desempenho inédito da indústria.


Na figura 3, um outro dado curioso pode dar a idéia da importância do crescimento da indústria da criação do camarão ao comparar a participação do camarão cultivado com o camarão pescado, no total de camarões exportados pelo Brasil. Em 1998, o camarão cultivado representava somente 11% dos camarões exportados, participação essa que subiu para 35,7% em 1999 e alcançando 62% em 2000, sem esquecer que as estatísticas deexportação deste ano contabilizam as exportações até o mês de setembro.

Os EUA, que somente importam camarões sem cabeça, até a metade deste ano absorveram 51% do camarão exportado brasileiro (Figura 4), seguido da Espanha com 16%, França 14%, Japão 9% e Itália 6% além da Bélgica e Países Baixos, que preferem importar com a cabeça.
Na Espanha, os camarões são importados pelos “cosedores” que re-processam os camarões, salgando-os e fazendo um pré-cozimento. Os principais portos brasileiros por onde embarcam esses camarões, podem ser vistos na figura 5.

 

Figura 4 - Principais países importadores de camarão congelado 
Figura 4 – Principais países importadores de camarão congelado

A participação dos camarões cultivados no total das exportações até julho deste ano, mostra que o camarão proveniente dos viveiros já participa com quase 30% de toda a exportação de pescado brasileira (figura 6), contribuindo bastante par reduzir o déficit da balança comercial de pescados.

O ambiente favorável para a expansão da atividade gera, no entanto, algumas preocupações, diz Raul Madrid. Uma delas é a ambiental e para isso vários estudos estão em andamento para que seja feito o zoneamento de cada estado, visando definir as áreas disponíveis e avaliar seus riscos e potenciais.
O Ministério da Integração Social, através da SUDENE, ao custo de 100 mil reais, realizará nos próximos meses o levantamento de toda a costa pernambucana com os olhares voltados para a expansão da atividade no estado. A segunda preocupação do Coordenador do Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento do Camarão Marinho do DPA está relacionada às medidas de biossegurança para que o desenvolvimento da carcinicultura marinha não seja ameaçado pelas mazelas que tornaram a atividade vulnerável e chegaram mesmo a quebrar a indústria em outros países. Para Raul, a indústria deve preocupar-se com a sustentabilidade se quiser, de fato, que seus investimentos possam ainda estar gerando divisas daqui a muitos anos.