CATFISH AGITA PALOTINA

Através da conjugação de esforços da Prefeitura Municipal de Palotina, da Associação Palotinense de Aqüicultura – APAQUE e da Secretaria de Agricultura do Paraná e ainda contando com o empenho pessoal do Dr. Taciano César Freire Maranhão da SURHEMA e Presidente da AEP-SUL, 250 pessoas participaram de um curso de dois dias sobre as diversas fases do cultivo do catfish – Ictalurus punctatus – realizado nos dias 27 e 28 de junho, no Teatro Municipal de Palotina.

O Curso foi ministrado pelo prof. John W. Jensen, especialista em extensão em piscicultura da Auburn University, do Alabama – EUA. Jensen, um dos maiores conhecedores das tecnologias de criação, manejo, nutrição e também de comercialização e industrialização de catfish, trouxe informações importantes para os participantes, em bom número de diferentes estados, como Mato Grosso, Sta. Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e outros, além de alguns paraguaios que se deslocaram até Palotina.

No seu retorno aos EUA, John Jensen visitou a redação do Panorama da AQÜICULTURA, no Rio de Janeiro, oportunidade em que conversou longamente sobre o mercado brasileiro e internacional de produtos aqüícolas. Jensen que já viveu quatro anos no Brasil, em diferentes regiões, o que o credencia a analisar as potencialidades da nossa aqüicultura, disse que, ao contrário do que a maioria das pessoas julga, o Brasil não está tão atrasado nas tecnologias do setor. Para ele, dispomos das melhores condições para desenvolver e expandir a atividade em função das nossas variedades climáticas, abundância de terras planas e argilosas, abundância de água e, sobretudo, porque o consumo de carne branca está em crescimento, acompanhando a tendência dos países desenvolvidos.

Falando especificamente sobre o catfish, o professor disse que são bastante boas as possibilidades de crescimento do cultivo dessa espécie em diferentes locais do nosso território, sobretudo por ser um peixe de boa rusticidade e, por isso, pouco exigente em comparação a outras espécies mais difundidas entre os piscicultores brasileiros. Além das condições climáticas, hídricas e topográficas para o cultivo, Jensen enfatizou que embora não tenhamos ainda especialistas não vê isso como obstáculo, porque considera que os brasileiros têm um elevado nível de assimilação de conhecimentos, como resultado dos quatro anos em que trabalhou em nosso país, e ainda diz que os nossos custos de mão-de-obra são relativamente baixos, o que favorece a competitividade internacional.

Na análise de Jensen, um impecílho para o desenvolvimento da piscicultura no Brasil é a falta de linhas de financiamento para o setor e para que as decisões políticas se alterem é indispensável que apareçam experiências bem sucedidas, o que a curto prazo pode ser conseguido com os cultivos de catfish.