Catfish: Cuidados na Seleção de Matrizes

O bagre do canal conhecido por nós como Channel Catfish (Inctalurus punctatus) alcança a maturidade aos quatro anos de vida e, com bons cuidados, 50% das fêmeas desovarão nesta idade. Já os peixes com mais de seis anos, embora desovem regularmente, são de difícil manejo dado seu grande porte.

Ao invés de esperar que os juvenís alcancem idade de reprodução, muitos criadores preferem comprar matrizes de catfish prontas. Havendo possibilidades de comprar matrizes no Brasil, sugiro peixes pesando de 1,5 a 5,0 kg. Sugiro também aos criadores que tenham certeza de estar comprando de uma criação com boa reputação e, que não estão comprando os descartes ou seja, peixes que se desempenharam mal na última temporada de reprodução. Se por ventura estiver adquirindo suas matrizes nos EUA, assegurem-se que estão vindo de boa orígem e que não sejam peixes recém-coletados no meio natural. O catfish, cultivado nos EUA por mais de 40 anos, já possui algumas variedades que estão em produção há algumas gerações. Pergunte ao seu fornecedor de que variedades se compõe o material genético de suas matrizes. Este conhecimento poderá dar alguma credibilidade quanto à seriedade do trabalho do criador.

Evite como fonte de matrizes as que tem um passado do virus específico que afeta o Channel Catfish. Embora a maioria dos estoques já foram expostos ao virus, é possível encontrar estoques com certificado de isenção do virus.

Verifique as matrizes da mesma forma como quando se compra um cavalo ou vaca, isto é, verifique se o peixe está com boa aparência, encorpado e livre de chagas ou hemoragias na pele.

Embora a prole do catfish venha numa proporção 50:50 macho/fêmea, na hora da compra assegure-se que esteja adquirindo uma proporção de 3 fêmeas para cada 2 machos. Determinem o sexo de cada peixe que comprar.

Para identificar os machos das fêmeas, utilize os conhecimentos das caracteristicas sexuais primárias e secundárias, sendo estas últimas aquelas que não estão ligadas diretamente com a reprodução. Por exemplo, os machos são maiores e de cabeça mais larga e a medida que a estação de reprodução se aproxima, ficam mais esguios, com a cabeça mais musculosa, as vezes ficando com uma coloração mais escura. As fêmeas quando vistas de cima, apresentam a cabeça mais estreita do que o corpo e também desenvolvem o abdomen mais inchado e macio.

Sempre confirme o sexo analisando a genitália, a característica sexual primária. Esta característica é importante para animais jovens ou fora da época de reprodução quando as características secundárias não estão acentuadas. Criadores experientes podem identificar o sexo de um peixe menor que 0,5 kg examinando a genitália.

Para isso o peixe deve ser virado com o abdomen para cima. Poderão haver dois ou três orifícios. O orifício mais próximo à cabeça é o ânus e o mais próximo da cauda é o orifício genital.

A abertura genital do macho está na ponta de uma estrututra carnosa em forma de mamilo chamada papila genital. Esta se torna inchada e rija quando se aproxima da época de desova.

A região genital da fêmea do catfish é ovalada e achatada e tem duas aberturas separadas por uma membrana. Um sulco está localizado na extremidade anterior da área genital. Uma pequena abertura urinária está localizada na extremidade da cauda. A região genital da fêmea torna-se vermelha e inchada coberta de muco na época da desova. As vezes é possível ver uma pulsação da região genital.

Uma sonda pode ser usada para distinguir os sexos, principalmente nos exemplares jóvens ou que ainda não atingiram a condição de reprodução. Pode-se usar um lápis com ponta. Segurando o peixe com o abdomen para cima imobilize-o pela cabeça e pela nadadeira caudal, arcando o corpo do peixe de modo que a papila do macho ou a fenda da fêmea fiquem bem visiveis. Peça a um assistente para passar a ponta do lápis sobre a região genital em direção a nadadeira caudal. Se a ponta da sonda ficar presa na abertura genital, o peixe é fêmea.

John Jensen Auburn University – EUA