Chile desenvolve pele artificial a partir de crustáceos

Visando a regeneração da pele humana, o pesquisador Galo Cárdenas, da Universidad de Concepción, no Chile, vem desenvolvendo estudos com películas de quitosana, um produto químico natural, de composição similar a do açúcar e da celulose, que está presente em todos os insetos e crustáceos que possuem carapaça.

Os resultados iniciais vêm sendo bastante animadores, principalmente no que se refere ao tempo de regeneração. Há cerca de um ano Cárdenas e seus colaboradores, vêm desenvolvendo pesquisas sobre as propriedades do quitosana como germicida e bactericida natural, criando filmes parecidos com o celofane, que são aplicados sobre a pele ferida, queimada ou com infecções.

A quitina extraída da carapaça dos crustáceos (lagostas e camarões) é o composto que possui dentre seus derivados, o quitosana. Cerca de onze pessoas queimadas, acidentadas, operadas ou tatuados arrependidos, receberam durante o tempo dos experimentos, películas de quitosana embebidas em soro cirúrgico. A pele artificial elimina as infecções e impede a perda de líquidos corporais. Após cinco dias da aplicação da pele artificial, a recuperação dos tecidos é visível. Com dez dias, as feridas já estão quase curadas, e sem marcas ou deformações.

Segundo os testemunhos das pessoas que usaram a pele artificial, também a dor é substituída por uma sensação analgésica. Não são necessários curativos e as películas de quitosana se desprendem sozinhas.

A pele artificial chilena supera a única pele artificial existente até então no mercado, que é de preço bastante elevado (cerca de US$ 100.00 cada 10 cm2), é à base de silicone e deve ser arrancada após um tempo da aplicação, o que ocasiona dores e a necessidade de novos curativos. De acordo com as expectativas de Cárdenas, a pele artificial chilena deve custar cerca de 90% menos que a pele artificial à base de silicone, e provavelmente a partir de 2006 já deve estar sendo oferecida no mercado.