Colégio Brasileiro de Aqüicultura discute sanidade na piscicultura

Agar Costa Alexadrino Perez, presidente do Colégio Brasileiro de Aqüicultura  (CBAq), durante o XXXIII Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária (CONBRAVET)

Os problemas relacionados ao cultivo de peixes foi um dos temas debatidos durante a quarta reunião do Colégio Brasileiro de Aqüicultura (CBAq), um evento anual realizado dentro programação do XXXIII Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, ocorrido em maio passado em Cuiabá, paralelamente ao 4º Enipec, um encontro internacional de negócios da pecuária, que abrange também a aqüicultura. O CBAq foi criado em 2000 e é formado por 26 médicos veterinários que trabalham com a atividade.

Segundo a médica veterinária, pesquisadora e presidente do CBAq, Agar Costa Alexandrino de Pérez, apesar do grande potencial da piscicultura no país, principalmente pela quantidade de água que temos, a atividade ainda está desordenada e corre o risco de não se concretizar esse potencial. Para Agar Pérez é necessário planejamento e ordenamento da atividade, principalmente do ponto de vista sanitário.

A especialista afirma que esse ordenamento deverá ser iniciado a partir do registro de todos os estabelecimentos que trabalham com os produtos da piscicultura no Brasil e que esse registro deve contar com o monitoramento do Ministério da Agricultura. “Isso é fundamental para podermos levantar qual a realidade da produção, o que se produz e como se produz”.

Agar Pérez explica que os pequenos produtores, que têm na piscicultura a sua principal atividade econômica, reclamam da falta de incentivos e geralmente não conseguem chegar até a ponta da exportação, porém, muitos países só compram produtos com origem comprovada e, isso só se consegue a partir de um controle sanitário, com a presença de um profissional médico veterinário. “Os pontos críticos sanidade, genética e alimentação, são os três fatores principais de qualquer atividade produtiva”, conclui.

O controle de doenças nos peixes foi o tema abordado pelo pesquisador do Centro de Biopatologia Aquática de Buenos Aires, Luis Alberto Romano, que acredita que temas como responsabilidade técnica, importações e quarentena, entre outras coisas, precisam ser desenvolvidos individualmente e com leis específicas. No caso do controle sanitário o pesquisador destacou que quanto mais se desenvolvem métodos intensivos de aqüicultura, mais aumentam as doenças, trazendo como conseqüência grandes perdas econômicas. Para Romano, atualmente, o mais sensato é se usar métodos não agressivos.