Comer peixe só faz bem: É anti-depressivo, evita problemas cardíacos e aumenta a longevidade

Um estudo realizado na Universidade de Kuopio, na Finlândia, e divulgado durante o encontro anual da Associação Psiquiátrica Americana, revelou que as pessoas que comem peixe menos de uma vez por semana têm maior possibilidade (31%) de desenvolver depressão de moderada a severa. Segundo a pesquisa, o responsável por essa função antidepressiva é o ácido graxo poliinsaturado ômega-3 encontrado nos peixes, também como PUFA. Esta mesma substância, de acordo com estudos recentes, é uma grande aliada no combate de distúrbios maníaco-depressivos.

No ano passado, Alberto Taskanen, psiquiatra responsável pela pesquisa, e sua equipe constataram que os países cujo consumo per capita de peixes é alto, tendem a apresentar uma incidência menor de depressão entre sua população. O estudo analisou 3.204 pessoas. Cerca de 30% dessas pessoas comiam peixe menos de uma vez por semana e foram considerados consumidores não freqüentes. A disparidade maior foi entre as mulheres, os sinais de depressão apareceram em 34% das consumidoras não freqüentes, enquanto as 27% das freqüentes disseram sofrer do mal. Entre os homens a diferença foi de 30% para 28,5%.

Comer peixe é uma recomendação médica também para evitar problemas cardíacos. Refeições ricas em fibras e pobres em gordura saturada, como as que estão na dieta dos habitantes dos países da bacia do Mediterrâneo, mostraram ser capazes de manter o colesterol baixo, prevenindo enfartes e doenças coronarianas. Nesses países a expectativa de vida fica entre 75 e 80 anos, e a incidência de ataques cardíacos é baixíssima, a taxa do LDL – o mau colesterol – não ultrapassa 140 decilitros, o índice considerado ideal pelos cardiologistas. A dieta no Mediterrâneo é simples: frutas, vegetais, cereais, azeite de oliva e… muito peixe. Carne vermelha é indicada para consumo no máximo duas vezes por semana.

Rosana Costa, médica do Hospital do Coração em São Paulo, que participou de um congresso sobre cardiologia promovido em junho pelo hospital, disse que outro fator que contribui para os poucos casos de enfarte registrados na região do Mediterrâneo é o consumo de Ômega 3, gordura poliinsaturada encontrada no peixe. “O enfarte pode ser causado por um acúmulo de gordura nas artérias ou por trombos. O Ômega 3 aumenta a viscosidade do sangue, evitando a formação de coágulos”.

A vida no Brasil está abaixo da média latino-americana, que fica entre 60 e 69 anos. Dados da OMS – Organização Mundial de Saúde mostram que os brasileiros vivem, em média, 59,1 anos, ficando atrás da média do Uruguai (67), da Argentina (66,7), do México (65), da Costa Rica (66,7) e até de El Salvador (61,5). O Chile aparece em primeiro lugar, entre os países da América Latina, com expectativa de vida de 68,6 anos. Mas no ranking global, o Japão aparece como o país onde as pessoas vivem mais tempo em boas condições físicas e mentais. A expectativa de vida dos japoneses ficou em 74,5 anos e, segundo o especialista Chris Murray, da OMS, a liderança japonesa se deve e à baixa incidência de doenças respiratórias e à dieta baseada em alimentos com pouca gordura, principalmente peixe.