Como Perder Dinheiro em Aqüicultura

A visão romântica de que a aqüicultura proporciona lucro fácil está levando alguns empreendimentos ao fracasso. Essa é a conclusão a que chegaram John Lindenberg e Karen Pryor no artigo “Six Ways to Loose Money in Aquaculture”, publicado na “Aquaculture Magazine” de junho de 1989.

John e Karen, a partir de experiências vivenciadas no planejamento e execução de vários projetos, sintetizam as principais razões de sucesso ou fracasso dos empreendimentos.

Tecnologia

Muitos empresários subestimam o tempo necessário para desenvolver uma tecnologia para que sua operação se tome comercialmente viável. O controle dos ciclos reprodutivos ou a criação de larvas e pós-larvas em quantidades suficientes às vezes toma-se difícil. A pesquisa é cara e não há prazo fixado para desenvolve-la. A escolha de espécies marinhas deve levar em conta aquelas cujo manejo já está estabelecido e cujo cultivo e reprodução em cativeiro apresentam resultados satisfatórios.

o Negócio

A aqüicultura é uma atividade semelhante à de uma fazenda. Muitos projetos começam como empresas de alta tecnologia – “high tech” – com complexos sistemas hidráulicos, pessoal altamente qualificado etc. Não obstante, os problemas que oneramos funcionamento não são os de alta tecnologia e sim problemas que qualquer fazendeiro enfrenta condições climáticas, empregados relapsos, roubo (dano mais sério quando se perdem matrizes), canos obstruídos, veículos enguiçados, atraso de fornecedores, baixa nos preços de mercado, aumento de custo de rações, parasitas, doenças etc., além de técnico e administrador geralmente inexperientes.

Para administrar uma fazenda são necessários talentos adicionais como aptidão para problemas mecânicos, gerenciamento de pessoal e ainda gostar do trabalho duro do campo. As aptidões técnicas para a manutenção de uma larvicultura podem ser adquiridas por uma pessoa com estas características, mas as aptidões para a gerência de pessoal, especialmente em casos de emergência, levam anos para que os pesquisadores assimilem.

O reconhecimento de que a aqüicultura é uma atividade de “fazenda” se reflete no orçamento e projeção de custos. Equipamentos eventualmente quebram, tempestades, roubos e doenças causam perdas e custos de manutenção são importantes.

Sub capitalização

Em aqüicultura geralmente leva-se o dobro do tempo projetado pelo cientista para se obter a primeira safra. A tendência de muitos projetos é também de ter folha de pagamento de alto custo. Alguns investidores, tentados por projetos avançados, gostam de utilizar mecanismos complexos, ainda não testados com eficiência como a energia eólica, que poderão custar caro a uma fazenda iniciante e não se pagarem com o uso.

Mercado

Produzidos em grandes quantidades, o milho, o arroz e o feijão têm preços usualmente baixos e atendem às necessidades alimentares da grande população. Frutas e olerículas comumente são mais caras por requerem uma grande quantidade de trabalho manual para serem produzidas e obtêm melhores preços em função da aparência e qualidade.

Produtos da aqüicultura geralmente são vistos como do primeiro tipo, ou seja, grandes fontes de proteína barata e facilmente obtidas com pouco esforço para alimentar populações carentes do mundo. Contudo, a realidade nos mostra que quase todos os projetos bem sucedidos são do segundo tipo, ou seja, artigos finos. Esta também é a realidade nos países menos desenvolvidos – truta, camarão, e salmão no Brasil, Chile, Equador. Isto não é ruim na medida em que havendo mercado pode-se faturar mais por área e esforço cultivando-se espécies mais caras.

Ao que parece, ainda está distante o dia em que a aqüicultura poderá fornecer proteína a baixo custo. Atualmente, a pesca comercial é mais competitiva na produção de farinha de peixe para consumo animal e humano.

Um projeto comercial provavelmente terá mais sucesso se produzir um alimento tipo “gourmet”.

Produto Final

Talvez devido ao fato que que muitas espécies cultivadas são de sangue frio, não se leva em conta suas necessidades em relação ao meio ambiente. Criadores de aves e suínos sabem que têm que proteger bem seus animais ou perdem dinheiro. Entretanto, em fazendas aquáticas, mesmo nas melhores, observam-se manejos inadequados, superpovoamento, falta de abrigo, excesso de barulho e temperaturas impróprias que ocasionam menores taxas de crescimento, maior mortalidade e outros danos invisíveis que causam diminuição dos lucros.

Conclusão

Observa-se que a maioria da empresas de aqüicultura podem sucumbir por falta de experiência dos responsáveis pelo gerenciamento dos negócios. Proprietários, mesmo que idealistas e trabalhadores, até mesmo biólogos bem treinados, nem sempre têm experiência necessária para resolver os negócios de uma empresa.