Como Vender Seu Peixe

Na aqüicultura, assim como em outras atividades comerciais, busca-se uma compensação, pelos investimentos e esforços realizados. Esta compensação é medida pelo retomo financeiro, mais conhecido como lucro.

Ocorre que muitos técnicos e criadores não dispõem de habilidades para as práticas comerciais e, por não conseguirem o retomo esperado com suas produções, começam a se desestimular. Para que os esforços e investimentos possam apresentar um resultado comercial compensador é necessário que o produtor também se preocupe com o “marketing” do seu produto, principalmente buscando conhecer o que um determinado público necessita e deseja em termos de produto.

O conhecimento do mercado, ou seja, saber o que determinada parcela da população ou uma região pode absorver em função das condições econômicas. O hábito de consumo é outro ponto que não pode deixar de ser estudado antes de se iniciar qualquer produção. É a partir dessas informações que o produtor poderá definir que providências precisa tomar e que possíveis alterações serão necessárias para oferecer um produto de ampla aceitação.

Embora as condições básicas para a aqüicultura praticamente sejam as mesmas há mais de 5000 anos qualidade d’ água, espaço compatível com a população, animais sadios, proteção contra predadores etc. O desenvolvimento tecnológico dos últimos anos contribui para que os cultivos sejam mais produtivos e por isso mais rentáveis, inclusive os sistemas de policultivo – criação de várias espécies sob as mesmas condições apresentam resultados mais próximos dos projetados.

Para que os piscicultores possam se informar a respeito das possibilidades da atividade, apresentamos algumas opções para condições diferenciadas:

– Peixes ornamentais: Incluem um grande número de espécies como espadas, molinésias, acarás, barbus, paulistinhas, japonês etc. São muito procurados pelos varejistas de feiralivre e por lojas de animais de estimação.

– Enguias: Cultivadas para atender principalmente restaurantes de comida oriental. São iguarias finas e de alto valor que têm o Japão e Taiwan como maiores fornecedores.

– Alevinos: Os “filhotes” de peixes se destinam a atender piscicultores iniciantes, sitiantes e fazendeiros que desejam povoar lagos e açudes, seja para a pesca desportiva ou para complementar a alimentação dos empregados. As espécies mais procuradas são as tilápias, carpas, pacus, tambaquis, pirarucus, black bass, tucunarés e outros. A produção pode ser destinada ao cultivo ou à revenda.

– Produção em gaiolas: Lagos e açudes sem condições de serem esgotados (para a despesca total), ou mesmo recessos de represas, podem ser bons locais para o cultivo de peixes em gaiolas. Estas podem ser confeccionadas com tela plástica aplicada sobre estrutura de PVC ou ferro tratado. Em locais com abundância de água é possível concentrar mais de 40 kg de peixe por metro cúbico, utilizando-se uma ração completa.

– Isca-viva: O peixe japonês é a isca ideal por sua cor e alta resistência ao transporte. Lambaris, piabas, tilápias e lampréias, também têm boa aceitação no mercado. Ofertados em locais próximos às grandes represas onde há clubes de pesca, alcançam bons preços.

– Aquários de visitação: É uma forma de piscicultura onde o cliente paga apenas para ver os peixes. Entretanto, ele pode receber uma boa aula de Biologia, caso esteja interessado, além de ser um bom programa para a família, especialmente para as crianças.

– Peixe vivo: Muitas pisciculturas vendem os seus peixes vivos, à escolha do freguês, colocados em pequenos tanques rasos e de água límpida. Nessas condições, o comprador tem a garantia de estar levando um produto 100% fresco e de origem conhecida. A vantagem para o piscicultor é o bom preço alcançado pelo seu produto, além da comodidade de vender quando convier.

– Pesque e Pague: Algumas propriedades com grandes espelhos d’água povoam estes reservatórios com vários tipos de peixes apropriados para a pesca desportiva. Umas oferecem instalações completas para alojamento e material de pescaria, enquanto que outras cobram apenas uma taxa de utilização da área de acampamento e pelo peso de peixes efetivamente pescados. Com a intensificação da poluição em muitos dos grandes rios e o aumento da pesca predatória, essa modalidade de lazer certamente se tornará cada vez mais popular.

Conhecendo melhor a sua localização, cada aqüicultor deverá identificar a espécie ideal para cultivo, bem como a melhor forma de comercialização. Em função das características climáticas, topografia do local, da disponibilidade e da qualidade da água e de outros fatores relacionados ao aspecto comercial é que cada piscicultor deverá buscar a área mínima de criação de peixes, levando em conta que o não atendimento a esses fatores pode tomar o projeto inviável. Contudo, podemos considerar que a aqüicultura é sempre um bom negócio, desde que sejam observados os interesses de cada pessoa e analisadas as condições de localização do projeto.