Comportamento Alimentar dos Peixes

Dr. Luiz Edivaldo Pezzato – Lab. de Nutrição de Peixes
CAUNESP – Dep. de Melhoramento e Nutrição Animal


Uma dezena de rações extrusadas para peixes já se encontram disponíveis no mercado e em várias oportunidades, em cursos e palestras, criadores têm nos questionado acerca das diferenças existentes entre elas. Na verdade, cabe ao próprio piscicultor clas-sificá-las em função dos resultados obtidos na granja. Acreditamos que no momento, apenas 10% das piscigranjas utilizem dietas completas e mesmo assim, a previsão de consumo em 1996 é de aproximadamente 70.000 toneladas – um valor que pode ser considerado extraordinário, uma vez que a maioria das pisciculturas não podem ser classificadas como intensivas.

Por outro lado, o manejo alimentar aplicado na maioria das piscigranjas, por não considerar o comportamento alimentar dos peixes, tem resultado em baixos índices zootécnicos.

O peixe, como na maioria dos animais domésticos, devem ser alimentados à partir de critérios que possam facilitar seu acesso à dieta, evitando desperdícios e conseqüentemente melhores respostas zootécnicas. A localização da ração pelos peixes depende das características físicas e químicas do alimento, do manejo adotado, da capacidade motora e sensorial da espécie, além de seu comportamento alimentar e geralmente, estes fatores são pouco considerados pelos profissionais ligados às piscigranjas. A ração, após ser localizada e avaliada pelo peixe, somente será ingerida após sua aprovação. Provavelmente, esta seja a forma mais fácil e prática de diferenciar os produtos existentes no mercado, pois uma dieta atrativa possibilita fácil condicionamento ao manejo alimentar

Geralmente estes fatores são pouco considerados pelos profissionais ligados às piscigranjas e nesse sentido, cabe destacar que a ração deverá ser localizada e avaliada pelo peixe, e somente ingerida após aprovação. Provavelmente, esta seja a forma mais fácil e prática de diferenciar os produtos existentes no mercado, pois uma e prática de diferenciar os produtos existentes no mercado, pois uma dieta atrativa possibilita fácil condicionamento ao manejo alimentar.

A seguir, apresentamos algumas informações relativas ao comportamento dos peixes quando em contato com as dietas, cabendo aos técnicos as prováveis adaptações ao manejo alimentar já adotado nas piscigranjas.

Localização visual

A maioria das espécies de peixes por serem alimentadoras visuais, alimentam-se preferencialmente durante o dia, uma vez que a presença da luz na água facilita a localização do alimento. A luminosidade, associada a visão, apresenta-se como fator importante para a alimentação, cabendo ao técnico manter a água do tanque com baixo nível de turbidez para propiciar melhor eficiência alimentar. Neste sentido, recomendamos critérios técnicos na adubação e que seja evitada a entrada nos tanques de água muito carregada por argila (barrenta).

Segundo pesquisadores, o limite mínimo de luminosidade para localização e captura do alimento pelo peixe seria de aproximadamente 10 lux, o equivalente a visibilidade em noite de lua cheia.

A incidência de luz no alimento implica no reflexo de sua cor e o contraste resultante permite seu reconhecimento pelo peixe. Nesse sentido, para cada fase da vida, o pellet deveria apresentar diâmetro, cor e formato mais apropriado, fatores nem sempre considerados por técnicos e criadores. Estudos demonstraram que os peixes tem preferência por alimentos com cores (roxo, amarelo, branco, verde, azul e preto) que resultam em alto contraste, facilitando sua localização. Essa preferência é inata e de rápido condicionamento.

Quanto ao diâmetro e formato do pellet, cabe-nos ressaltar que dependem da espécie, da relação com seu próprio tamanho e da capacidade de captura e ingestão. Se o manejo alimentar for bem feito, as respostas zootécnicas serão semelhantes com dietas pelletizadas ou extrusadas. Entretanto, a ração extrusada (baixa densidade), facilita sua localização pelos peixes, permite ao tratador o controle do consumo e principalmente o condicionamento dos peixes ao manejo adotado.

Localização e avaliação com base em sinais químicos

A preferência alimentar dos peixes está ligada a um processo seletivo que envolve a composição química do alimento e a quimiosensibilidade do peixe. Isto explica o fato de que algumas dietas artificiais, mesmo equilibradas nutricionalmente, podem resultar em consumo baixo ou mesmo nulo, por apresentarem-se deficientes em estimulantes ou ainda conterem dissuadores e ou supressores alimentares. Como exemplo, apresentamos a farinha de penas, que apesar de sua baixa palatabilidade pode ser empregada quando combinada com ingredientes mais atrativos.

O peixe detecta o alimento à distância, de forma visual ou química, porém, a ingestão dependerá principalmente de seu sabor. Os canais quimiosensoriais, odor e sabor, são mediados pela água. Nesse sentido, faz-se necessário que as dietas artificiais contenham os elementos químicos presentes nos alimentos naturais preferidos pelos peixes.

O comportamento alimentar das diferentes espécies de peixes é estimulado por distintas substância químicas, com baixo peso molecular, hidrosolúveis e amplamente distribuídos nos tecidos animais e vegetais (glicerina, prolina, amônia quaternária, óxido de trimetilamina). Desta forma, faz-se necessária a presença nas dietas de produtos de origem animal (farinhas de peixe, carne, vísceras, camarão, etc.), que além de sua contribuição em aminoácidos limitantes e essenciais, dão maior atratividade às dietas por serem mediadores químicos de sabor, resultado de suas propriedades físico químicas, polaridade e volatilidade.

Nas dietas para peixes tropicais, os produtos de origem animal são pouco utilizados devido ao custo elevado, entretanto, deveriam ser empregados no mínimo como aditivos (níveis de 2 a 5%).

Avaliação com base nas características físicas

O peixe após localizar o alimento, abocanha-o em função da composição química e do seu tamanho. Nesse momento o alimento é “manipulado” e, em função de seu tamanho, dureza, abrasividade e principalmente sabor, será ingerido ou repelido (ejetado) pelo peixe.

Pesquisas revelaram que há uma relação ideal do diâmetro do pellet e do tamanho da boca do peixe, onde os alimentos delicados (pastosos e macios) podem apresentar até a relação de 1:1, enquanto aqueles mais rígidos e abrasivos, para serem ingeridos, deverão apresentar o diâmetro de 0,4 a 0,6:1,0. Assim, uma ração que é própria para engorda (peixes jovens e reprodutores), jamais deverá ser empregada para alevinos.

Quando esta relação não é respeitada, serão esculpidos, tocados com a cabeça e a boca, até sua desintegração. Tal comportamento resulta em perdas de nutrientes da dieta por lixiviação na água e consumo de energia por parte do peixe.

Cabe-nos ressaltar para a indústria de ração a importância das características físico-químicas das dietas, e chamar a atenção do criador no sentido de usar dietas que respeitem a natureza dos peixes, pois, se a confecção da dieta é uma ciência, o manejo deve ser considerado uma arte.

Nesse sentido, destacamos ainda que existem muitas diferenças entre as rações disponíveis no mercado, não apenas em seus preços, mas principalmente no comportamento alimentar que induzem aos peixes e, conseqüentemente nos resultados zootécnicos.

Sabemos que qualidade tem preço, portanto, é chegado o momento de acompanhar, comparar e cobrar resultados.