Na Espanha o consumidor está disposto a pagar um pouco mais pela dorada produzida com farinha de insetos

Na busca de alternativas para as proteínas da farinha de pescado, os fabricantes de alimentos para a aquicultura estão dedicando parte dos esforços para as pesquisas com a farinha de insetos, tanto por suas propriedades nutricionais, como pelo fato de ser fácil de produzir e ter um baixo impacto ecológico. No entanto, o consumidor é aquele que exerce a opção de compra, então ele tem a última palavra sobre o caminho para converter este ingrediente experimental em uma alternativa real, e, portanto, é importante saber o que ele pensa sobre isso.

Foi com a finalidade de conhecer a disposição do consumidor espanhol para pagar por pescado produzido com farinha inseto, que pesquisadores da Universidade Politécnica da Catalunha (IRTA) e da Entomo Agroindustrial, uma plataforma para a produção de insetos, usaram a metodologia “Experiência de Escolha Discreta” , onde as pessoas pesquisadas expressam suas preferências sobre cenários hipotéticos alternativos. Para isso, o peixe utilizado como estudo de caso foi a “dorada” (Sparus aurata). Os pesquisadores também analisaram informações sobre o conhecimento e a percepção dos consumidores espanhóis a respeito da aquicultura e o impacto ambiental da atividade em comparação com outros sistemas de produção animal.

Os resultados do estudo foram publicados no Journal of Cleaner Production sob o título “O uso de farinha de inseto como uma alternativa sustentável de alimentação em aquicultura: situação atual, a percepção dos consumidores espanhóis e sua vontade de pagar“, onde estão resumidos os avanços das pesquisas com as proteínas de insetos como substitutas ou suplementando a alimentação aquícola. O estudo, evidentemente, é focado em espécies de interesse na Espanha e na Europa. No mesmo estudo também foi dada uma ênfase especial às limitações do uso dos insetos; o seu impacto na conversão alimentar e seus principais problemas nutricionais, como ácidos graxos e quitina.

Os estudos mostraram como o uso de insetos, em particular a mosca soldado negro (Hermetia illucens), a mosca doméstica (Musca domestica) e a farinha da larva do tenébrio (Tenebrio molitor), podem ser uma alternativas promissoras, tanto do ponto de vista técnico-produtivo quanto da aceitação do consumidor.

De acordo com os resultados, os consumidores entrevistados consideraram a aquicultura como a atividade que mais respeita o meio ambiente, em comparação com outros sistemas de produção animal. Além disso, a produção da “dorada” alimentada com farinha de insetos foi percebida como mais ecologicamente correta na comparação com outros sistemas convencionais onde são esses peixes alimentados com farinha de pescado.

Tecnicamente, a principal limitação no uso de insetos na alimentação de peixes está no seu perfil de ácidos graxos, que não está de acordo com as exigências da “dorada”. Isso pode ser minimizado por meio de um processo de “desengorduração” e enriquecimento dos insetos usando substratos com subprodutos de pescado, incluindo uma dieta rica em óleo de peixe durante os últimos estágios de criação, antes da comercialização. Por outro lado, eles apontam em suas conclusões, “ainda não há informações claras sobre os efeitos da quitina, portanto, mais pesquisas são necessárias”.

Finalmente, concluíram que são necessárias pesquisas futuras sobre espécies alternativas de peixes e de insetos, bem como estudos de mercado que incluam avaliações sensoriais para melhor consolidar o uso de farinhas de insetos na produção aquícola.

Fonte: Mispeces

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