CONVERSÃO ALIMENTAR

Por: José Teixeira de Seixas Filho – Biologo


A alimentação é um dos fatores mais importantes para os bons resultados de todas as criações com finalidade econômica. Em função disso, vários estudos encontram-se em andamento, em diferentes instituições, visando principalmente a melhoria da taxa de conversão alimentar, que se mede através da divisão da quantidade de alimento consumido pelo animal e seu ganho de peso em determinado período de tempo.

Tanto a falta de alimento como seu excesso podem acarretar perdas econômicas para os criadores além, é claro, de prejudicar de diferentes maneiras o desenvolvimento adequado dos animais.

Nos cultivos aqüícolas a determinação da taxa de conversão é bem mais difícil e complexa visto que as rações se dissolvem com bastante facilidade na água, podem ser deslocadas pelas correntes sem aproveitamento pelos animais, decantadas atuando como adubação dos criatórios e ainda podem interferir na quantidade de oxigênio livre indispensável para a vida dos organismos.

Outro problema importante é a impossibilidade de se saber exatamente a influência do alimento natural disponível no ganho de peso, o que contribui para que o resultado final da taxa de conversão seja pouco preciso.

PROCESSO DIGESTIVO

Durante o processo da digestão as substâncias alimentícias sofrem uma degradação que as tornam produtos de peso molecular mais baixo, o que acarreta perda das características específicas originais e facilita ao organismo a absorção dos nutrientes que as compõem.

É a partir do conhecimento do processo digestivo que os estudos nutricionais vêm avançando e contribuindo de forma marcante para a escolha dos elementos utilizados na elaboração de rações balanceadas. As formulações visam permitir ao organismo, tanto qualitativa como quantitativamente, os nutrientes necessários para que haja um suprimento perfeito das exigências nutricionais, o que resulta no pleno funcionamento d o organismo dos animais e na melhoria da situação zootécnica, com reflexos diretos na avaliação econômica da criação.

Uma das características dos animais aquáticos é a importância da faixa de conforto térmico, determinada para cada espécie e que é um intervalo entre temperaturas máximas e mínimas para o pleno funcionamento do metabolismo. Quando essa faixa está em desacordo com a espécie pode haver desperdício de alimento oferecido – ração – que pode entrar em decomposição e, então, absorver parte do oxigênio livre indispensável à respiração. Respirando mal pela redução do oxigênio no ambiente, o animal entra em estresse, não come, piora o seu metabolismo e a safra fica prejudicada pela redução do crescimento e aumento da mortalidade.

A dissolubilidade da ração na água é objeto de estudo de muitos pesquisadores que buscam encontrar substâncias e processos ligantes para que os alimentos sob a forma de “pellet” se mantenham rígidos por maior período de tempo. Entretanto o grau de rigidez pode impedir uma boa assimilação do alimento em função da estrutura e da fisiologia do trato digestivo do animal. Esse aspecto é muito importante porque pode provocar aumento na taxa de conversão alimentar e consequentemente elevar o preço final de comercialização do animal cultivado.

PEIXES, CAMARÕES E RÃS

As espécies aquáticas apresentam comportamentos distintos e, por isso, têm hábitos alimentares diferenciados.

Os peixes, devido a alta mobilidade, buscam quase que instantaneamente o alimento oferecido no momento do arraçoamento, conseguindo aproveitar bastante os nutrientes das rações. Os camarões, por serem bentônicos e de hábitos erráticos, demoram mais a capturar o alimento oferecido, possibilitando maior solubilização dos nutrientes na água.

As rãs não tem os mesmos problemas de arraçoamento observados para peixes e camarões. Sistemas modernos de alimentação estão, cada vez mais, sendo empregados nos ranários e o que intervem na determinação precisa da taxa de conversão é a dificuldade de recuperação das sobras do alimento colocado em cochos. O animal ao se alimentar costuma lançar quantidades significativas do alimento na água, dificultando a medição da quantidade realmente consumida.

Acredito que a consolidação da aqüicultura como atividade de produção contínua de alimento ocorrerá com o aprimoramento das técnicas de criação e com a transformação de sistemas extensivos e semi-intensivo em intensivo, este capaz de proporcionar aos produtores maior segurança e produtividade. Nesta condição a nutrição tem papel fundamental porque as reais exigências nutricionais só podem ser atendidas através de rações balanceadas e adaptadas ao comportamento distinto de cada espécie.

Trabalhos e pesquisas voltados para os problemas da nutrição dos organismos aquáticos estão sendo desenvolvidos no CEPTA em Pirassununga, no Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Viçosa, na FlPERJ – Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro, entre outras instituições.

Até que possamos dispor de novos resultados de pesquisa, recomenda-se ao produtor usar rações disponíveis para os diferentes animais e, principalmente, proporcionar condições ambientais satisfatórias e aplicar corretamente as técnicas de manejo. Esses são fatores básicos para que o animal viva e se desenvolva melhor.

Com conforto adequado ele também tem condição de retirar o proveito máximo do alimento oferecido, permitindo ao produtor retorno satisfatório dos investimentos aplicados.