Cultivo de Camarão Cresce com Tecnologia

Por: Roberto Roche Moreira Jr,
Biólogo especialista em larvicultura de peneídeos.


O cultivo de camarão’, nas dias de hoje, apresenta algumas novas idéias, cama a redução da área dos viveiros e a aumenta das densidades iniciais de cultiva, que aliadas a uma tecnologia em constante desenvolvimento fazem surgir fazendas cujas produções médias alcançam até 10 toneladas/ hectare/ano.

Há vinte anos, quando’ a indústria do camarão começou a ser profissionalizada, a palavra tecnologia não’ era mencionada no meio empresarial e muita menos havia uma infra-estrutura de equipamentos que apoiasse a atividade. Até então, os viveiros eram extensos, chegando a alcançar áreas de 40 hectares; a densidade inicial de povoamento era de uma pós-larva por metro quadrado; a troca de água, quando ocorria, era em torno de 3% ao dia; e a profundidade média dos viveiros girava em torna de 40 centímetros. Com o passar do tempo e a surgimento de novas fazendas, as áreas apropriadas para os cultivos escassearam e os preços, em conseqüência, foram sofrendo elevações. Paralelamente, foram desenvolvidas novas técnicas que propiciaram a melhoria dos resultados obtidos com o cultivo.

Taxas de densidade menores que oito camarões por metro quadrado, trocas diárias da água inferiores a 5% do volume e a inexistência de alimentação suplementar não ocorrem mais nos dias de hoje. Mesmo no Equador, onde é tradicional o sistema de cultiva extensivo, a ração balanceada já faz parte da rotina, sem mencionar o uso de aparelhos para aumentar a oxigenação da água.

Na Europa, fazendas modernas, mesmo com uma colheita anual, produzem quatro a cinco toneladas por hectare/ ano. Em Taiwan, é normal alcançar-se produções anuais de 15 toneladas sem maiores dificuldades, o mesmo ocorrendo em outros países asiáticos. Em Chicago, nos Estados Unidos, fazendas modernas utilizando o sistema “raceways” calhem 10 toneladas/ha/ana. Esses exemplos servem para ilustrar que os bons resultados podem ser obtidos mesmo em situações adversas.

É interessante citar as experimentas realizadas na Havaí onde os viveiros são povoados com 200 juvenis por metro quadrado, o mesmo acontecendo no Caribe e no Japão, este a país berço, do cultivo de camarão.

No Japão, assim como em Taiwan, foram desenvolvidas rações balanceadas microencapsuladas com a vantagem de só se degradarem quando alcançam o aparelho digestivo do camarão, dessa forma não afetando negativamente a qualidade da água de cultiva. A água, por sua vez, é monitorada por sensores acoplados a um computador que aciona um sistema regularizador do fluxo, de acordo com as necessidades de oxigênio.

Em função’ da crescente mercado consumidor, que só nos Estados Unidos aumenta 8,5% anualmente, desde 1980, encontram-se em desenvolvimento projetas de biotecnologia e de engenharia genética para a obtenção de variedades de camarões mais resistentes a doenças e de crescimento, mais rápido, a semelhança do que ocorre em larga escala na agricultura moderna, comprovando que a tendência é de aumentar rapidamente a tecnificação do setor.