Cultivo de Camarão Marinho no Brasil

rigida Gomes Fries 
Bióloga – Consultora em carcinicultura


Atualmente, há cerca de 20 fazendas de camarão marinho em operação e aproximadamente 2.135 hectares em produção no País. A produção total esperada para 1991 é de 2.100 toneladas de camarão com cabeça. A produtividade por hectare é extremamente variável, dependendo principalmente da densidade de povoamento, espécie e localização.Em geral, varia de 300 a 2.400 kg por hectare por ano. A média está em torno de 1.000 kg/ha/ano.

Na maioria das fazendas, a área dos viveiros de engorda varia de 8 a 20 hectares, com média de 10 ha. Duas fazendas foram planejadas para cultivo intensivo: Formosa, com viveiros de engorda de 0,6 a 1,5 ha, e Yakult, com viveiros de 1 ha, aproximadamente.

A densidade de povoamento varia de 1 a 4 camarões por metro quadrado nas fazendas extensivas e semi-extensivas (60%), de 5 a 10/ m2 nas fazendas semi-intensivas (30%) e de 10 a 15/m2 nas fazendas intensivas (10%).

A maioria das fazendas está localizada na Região Nordeste, do Maranhão à Bahia (2o a 15o de latitude), e algumas na Região Sul (25o a 29o de latitude). No Nordeste a temperatura da água varia de 25ºC a 33ºC. Na Bahia a temperatura mínima pode chegar aos 21ºC. Na Região Sul o padrão de temperatura muda consideravelmente, com mínimas de 10/11ºC a máximas de 31ºC. Existem estações de chuva e seca no Nordeste e estações de inverno e verão no Sul. As fazendas do Nordeste despescam três safras ao ano e as do Sul, devido à baixa temperatura do inverno, despescam duas safras ao ano.

As espécies nativas atualmente em produção são: Penaeus subtilis, P. schmitti e P. paulensis. O cultivo de P. aztecus tem sido desencorajado porque cresce pouco em densidades superiores a dois camarões por m2. P. subtilis é a espécie mais cultivada nas fazendas extensivas e semi-extensivas do Nordeste. Em densidades de 1 a 3/4 por m2. O P. subtilis cresce muito rápido, especialmente quando a biomassa de poliquetas no fundo do viveiro é alta. P. schmitti tem sido cultivado em densidades de 1 a 15/m2. A taxa de crescimento e o peso final diminuem significativamente com o aumento da densidade, apesar do uso de rações comerciais. Mas mesmo com esse problema, P. schmitti tem sido usado pelos produtores como uma alternativa de sair do manejo extensivo para entrar no manejo semi-intensivo. P. paulensis, que ocorre na costa sul do país, é principalmente caracterizado pela sua alta tolerância a baixas temperaturas. Em Santa Catarina há 4 fazendas produzindo P. paulensis durante o ano todo, mesmo durante o inverno quando a temperatura no viveiro cai para 10ºC. As espécies exóticas produzidas são Penaeus vannamei e P. penicillatus. A Maricultura da Bahia, devido ao seu esforço contínuo e aos avanços na tecnologia de cultivo, é a única fazenda no Brasil a atingir níveis de produção estáveis em nível absolutamente comercial. Seu laboratório produz 15 milhões de pós-larvas de P. vannamei e 5 milhões de P. penicillatus por mês. A fazenda está despescando mais de 3 safras ao ano, através da redução do ciclo de cultivo para menos que 90 dias para P. vannamei e menos que 80 dias para P. penicillatus . A Maricultura da Bahia produzirá 1.000 toneladas de camarão em 1991, quase 50% da produção esperada no País.

Há 10 laboratórios em operação, a maior parte com maturação. A capacidade máxima de produção varia de 2,5 a 20 milhões e pós-larvas ao ano. Dos laboratórios, 5 produzem P. subtilis e P. schmitti, 3 produzem P. paulensis e 2 produzem P. vannamei e P. penicillatus. As pós-larvas produzidas em todos os laboratórios são para vender ou para povoar seus viveiros, com uma exceção: o laboratório da Universidade do Rio Grande do Sul está produzindo PLs para o repovoamento da Lagoa dos Patos, vítima da pesca predatória há muitos anos.

No presente, há cerca de 11 fazendas e 5 laboratórios desativados no País. Alguns projetos estão mudando de donos, alguns estão com problemas financeiros e de produção e outros foram construídos mas ainda não iniciaram a operação. O Brasil tem excelente potencial para o cultivo de camarão marinho: extensa costa com inúmeras áreas disponíveis, ótima qualidade de água, espécies nativas adaptadas aos climas tropical e sub-tropical, sucesso na produção comercial de P. vannamei, etc. Mas problemas têm obstruído o desenvolvimento do setor, tais como: falta de interesse do governo, ausência de programas de apoio, falta de investimento em tecnologia e falta de pesquisa sobre espécies nativas.

Para mudar a situação, foi criada em 1988 uma Comissão Interministerial para elaborar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Produção de Camarão em Cativeiro no Norte e Nordeste do Brasil. O objetivo do Programa era o de estabelecer bases técnicas, políticas e de infra-estrutura para o desenvolvimento de 100.000 hectares de viveiros de camarão marinho e de água doce, num prazo de 5 anos. Com a mudança de Governo, em 1990, a apresentação desse Programa acabou não ocorrendo. Em 1991, um novo Programa, reduzindo a área de produção para 30.000 hectares, foi elaborado e encaminhado ao Ministério da Agricultura para a aprovação do Governo Federal.

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