Depuradoras de moluscos de pequeno porte são testadas em Santa Catarina e no Paraná

A maricultura nos estados do Paraná e Santa Catarina vem se profissionalizando a passos largos, e as demandas do mercado forçam o setor a trabalhar cada vez mais a qualidade dos organismos produzidos. Neste sentido, e coincidentemente, pesquisadores dos dois estados vêm desenvolvendo projetos semelhantes que visam a depuração de moluscos bivalves.

Em Santa Catarina, está sendo testada pela Associação dos Maricultores do Norte da Ilha de Santa Catarina, a primeira depuradora de moluscos bivalves, projetada e desenvolvida no estado (Fotos 1 e 2). A pesquisa está sendo realizada com auxilio do Departamento de Microbiologia da UFSC.
Os resultados dos primeiros testes foram considerados bastante promissores, uma vez que as contaminações induzidas com salmonelas foram eliminadas, indicando que os demais coliformes também o serão. Foi inoculada uma quantidade conhecida destes microorganismos e a cada seis horas eles eram contados. O tempo desejado para a depuração é de 24 horas, o que já vem sendo alcançado nos testes realizados.

Para os pesquisadores responsáveis pelo projeto este tipo de equipamento poderá resolver um dos grandes problemas da ostreicultura e da mitilicultura: a sanidade dos moluscos cultivados. A depuradora utiliza raios ultravioleta e um dosador de cloro. Além disto, como o principal problema da depuração é a desova das ostras, o equipamento possui um sistema de controle automático da temperatura baseado num resfriador, visto que de nada adiantaria fazer a depuração e perder a qualidade do produto.

Fotos 1 e 2 – Sistema de depuração de moluscos desenvolvido por pesquisadores catarinenses
Fotos 1 e 2 – Sistema de depuração de moluscos desenvolvido por pesquisadores catarinenses

Da mesma forma, pesquisadores paranaenses, com o patrocínio da Emater-PR, lançaram durante as festividades do pescador e XX Festa da Tainha, em Paranaguá – PR, o protótipo de uma depuradora de ostras, cujo projeto técnico foi elaborado e desenvolvido pelos engenheiros de pesca José Maria Moura Gomes, Ivanildo Soares da Silva e Luiz de Souza Viana (Foto 3). A depuradora é modulada podendo ser transportada para funcionamento próximo das áreas de produção de ostras. O projeto consta de um tanque em PVC com capacidade para 1000 litros, um sistema de ultravioleta em conjunto com ozônio, filtro de areia e filtros com 5µ de malha, além de um sistema de refrigeração da água, por meio de recirculação.

A capacidade de depuração é de cerca de 120-150 dúzias de ostras/ciclo de 24 horas, por tanque. Assim como o sistema de depuração catarinense, o idealizado pelos pesquisadores do Paraná também possui um resfriador para evitar que a água alcance temperaturas acima de 28 oC, e ocorra a desova de ostras, além de servir também para evitar que as bactérias se multipliquem.

Testes realizados pelos técnicos, indicaram que a unidade depuradora foi capaz de reduzir valores de 12.000 para 20 unidades de coliformes fecais/100ml de água salina durante período de 6 horas de purificação da água. O próximo passo será a construção de uma unidade municipal de depuração de ostras nos municípios de Paranaguá e Guaratuba, com capacidade para depurar 800-1000 dúzias/ostras/ciclo, beneficiando produtores locais, comerciantes e consumidores.

Foto 3 - Sistema de depuração de moluscos desenvolvido no Paraná
Foto 3 – Sistema de depuração de moluscos desenvolvido no Paraná