Diagnóstico da Cadeia Aqüícola para o Desenvolvimento da Atividade no Estado do Rio de Janeiro

Por:
Philip C. Scott – LAQUASIG
Universidade Santa Úrsula – RJ
[email protected]
Luiz Fernando Vianna – UNIVALI
Universidade do Vale do Itajaí – SC
[email protected]
Marco Antonio de C. Mathias
Consultor em Aqüicultura
[email protected]


Visando orientar produtores, investidores potenciais, extensionistas rurais, pesquisadores e consultores técnicos, com relação à situação atual da aqüicultura no Estado do Rio de Janeiro, assim como determinar de uma forma macro as áreas potenciais para a implantação de projetos aqüícolas nos diversos municípios do Estado, o SEBRAE/RJ, dentro das ações previstas no projeto “Desenvolvimento da Aqüicultura do Estado do Rio de Janeiro”, em parceria com o LAQUASIG – Laboratório de Aqüicultura e Sistemas de Informação Geográfica da Universidade Santa Úrsula, promoveu a elaboração do estudo intitulado “Diagnóstico da Cadeia Aqüícola para o Desenvolvimento da Atividade no Estado do Rio de Janeiro”. Este estudo realizou um levantamento para conhecer o “estado da arte” da aqüicultura fluminense, traçando um perfil do aqüicultor, e colhendo informações a respeito dos processos produtivos, de comercialização e de consumo nos principais mercados atacadistas e varejistas no estado.

Foram também levantadas as instituições que executam atividades de apoio, regulamentação, pesquisa, extensão e ações que afetam a cadeia, assim como as linhas de crédito disponíveis, voltadas para a aqüicultura.

Neste diagnóstico foram avaliadas ainda, através do SIG – Sistema de Informação Geográfica, as áreas potenciais para a criação de organismos aquáticos, apontadas as vocações e os principais entraves para o desenvolvimento das atividades aqüícolas. Em função da inexistência de um cadastro das atividades aqüícolas no estado, não foi possível determinar a área alagada total, assim como a produção aqüícola total. Este artigo apresenta um resumo desse diagnóstico e todos os interessados em obter uma cópia do CD com a íntegra do trabalho, devem dirigir-se ao SEBRAE/RJ através do endereço eletrônico: [email protected]

O SIG e a Aqüicultura

Cada vez mais, a utilização do SIG como ferramenta para a análise espacial de informações, vem se tornando de grande importância e valia para diversos setores da sociedade, desde o planejamento municipal, vendas e marketing até o planejamento de infra-estruturas em sistemas agropecuários e aqüícolas. Alguns especialistas descrevem que esta importância é tão significativa para a análise espacial, assim como a invenção do microscópio e do telescópio o foram para o desenvolvimento da ciência, representando um grande passo para o manejo das informações geográficas desde o surgimento dos mapas.

O SIG é um sistema de coleta, armazenamento, checagem, manipulação, análise e disponibilização de informações espaciais indexadas, referentes a uma determinada região ou regiões, sobre as quais várias perguntas podem ser interpretadas, respondidas e visualizadas. Ao cruzar diversas informações sobre uma determinada região e plotá-las em uma única imagem, o SIG cria uma enorme facilidade na análise e interpretação, não somente das potencialidades de desenvolvimento de determinados setores, como possibilita o planejamento, ordenação e manejo de operação de diversas atividades comerciais e produtivas.

O SIG tem a capacidade de sobrepor em apenas uma imagem, uma grande quantidade de camadas de informações não só geográficas como também referentes a aspectos da biologia dos animais cultivados, como se fossem transparências colocadas umas sobre as outras num retroprojetor (Figura 1).

A análise da imagem final permite a identificação de áreas apropriadas para a implantação de projetos aqüícolas e suas potencialidades, o planejamento de ações visando o desenvolvimento da atividade paralela à preservação do meio ambiente, a ordenação do setor aqüícola, além do acompanhamento do setor no que se refere à produção, área alagada, etc..

Os SIGs, além de incorporarem bases de dados com informações sobre o clima, relevo, recursos hídricos, tipos e usos de solos, atividades agropastorís e áreas com restrições ambientais, podem incluir também nomes, endereços de produtores rurais, bem como sua produção, produtividade e outras informações complementares sobre a atividade, incluindo fotografias. O cruzamento e sobreposição de todas essas informações permitem verificar um ponto ou uma área do espaço e indagar que produtor mora ali, seu endereço, telefone, e-mail, produção do ano anterior, espécies que cultiva, entre outras questões.

No caso específico da aqüicultura, o SIG vem se tornando uma importante ferramenta por ser capaz de manejar e integrar os diversos componentes de um banco de dados aqüícola, incluindo clima, quantidade e qualidade da água, tipos e usos do solo, mercado, infra-estrutura e outras informações gerais. Podemos usar o SIG para melhor servir ao desenvolvimento regional e ao produtor, ao oferecer-lhe novas informações acerca de sua propriedade. Essas informações podem ser suficientes para aconselhá-lo ou não a investir num projeto, já que é possível dizer de antemão, se a propriedade está localizada em região adequada aos seus propósitos, se possui solo propício e se está próxima a mercados consumidores. É possível ainda, avaliar o clima da região prevendo baixas temperaturas, e combinar esses e outros fatores não mencionados. Desta maneira, o SIG regional pode apontar oportunidades de negócios ainda inexistentes, levando em conta as características da região que a tornam apropriadas para a criação de uma determinada espécie.

No “Diagnóstico da Cadeia Aqüícola para o Desenvolvimento da Atividade no Estado do Rio de Janeiro” os estudos de SIG foram realizados usando-se as bases cartográficas desenvolvidas pela Fundação CIDE-RJ, nas escalas 1:100.000 e 1:50.000, que incluem informações sobre clima, uso do solo, unidades ambientais, hidrografia, densidade populacional, infra estrutura viária e áreas com restrições (Unidades de Conservação Ambiental) e outras limitações naturais.

Potencial para o Desenvolvimento

A aqüicultura no Estado do Rio de Janeiro possui um enorme potencial de crescimento como atividade comercial, principalmente em função das inúmeras características que favorecem o seu desenvolvimento, destacando-se:

a) Condições climáticas que favorecem tanto a implantação de projetos de piscicultura tropical e de carcinicultura de água doce, como de carcinicultura marinha, malacocultura, ranicultura e de truticulturas;
b) Riqueza de recursos hídricos que favorecem a implantação tanto de projetos de piscicultura tropical, como de carcinicultura de água doce, e de truticulturas;
c) Grande quantidade de áreas com características de topografia e tipo de solo apropriado para a construção de viveiros de peixes tropicais, camarões de água doce e de camarões marinhos;
d) Vasta costa litorânea com extensas áreas adequadas ao desenvolvimento de projetos de carcinicultura marinha assim como para a malacocultura;
e) Grande quantidade de áreas apropriadas às atividades aqüícolas, próximas a centros de comercialização, aeroportos e com facilidade para aquisição de insumos, materiais e equipamentos;
f) Proximidade de instituições de pesquisas e universidades;
g) Grande mercado consumidor para os produtos aqüícolas, principalmente para o camarão marinho cultivado;

Para identificar as áreas potenciais ao desenvolvimento da aqüicultura no Estado do Rio de Janeiro, o LAQUASIG da Universidade Santa Úrsula, realizou um macro zoneamento levando em consideração as informações disponíveis sobre características relevantes para cada atividade aqüícola, como condições climáticas, relevo, tipo e usos do solo, disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos, proximidade de centros de comercialização, disponibilidade de energia elétrica, vias de acesso em condições adequadas, proximidade de centros fornecedores de alevinos e pós-larvas, e facilidade para obtenção dos insumos necessários à produção.

Essas informações foram plotadas em mapas que resultaram em imagens indicando a potencialidade de cada região. O levantamento das áreas adequadas para o desenvolvimento das atividades aqüícolas realizado com a utilização do SIG, mostrou o grande potencial do Estado do Rio de Janeiro para a expansão da aqüicultura, principalmente no que se refere à quantidade de áreas consideradas boas, muito boas e excelentes para a piscicultura tropical, carcinicultura de água doce (ver ilustração na página 15), truticultura (Figura 2), malacocultura (Figura 3) e ranicultura (Figura 4 ), esta última, destacando-se como a atividade que possui a maior quantidade de áreas consideradas aptas para a expansão da atividade, por ser a espécie de menor exigência ambiental. Além disso, este levantamento demonstrou ainda a existência de cerca de 47.000 hectares de áreas consideradas apropriadas para a implantação de projetos de carcinicultura marinha, atividade inexistente até o presente momento no estado, indicando com isso, um importante potencial para o desenvolvimento desta atividade (Figura 5).

Figura 2 - Mapa do Estado do Rio de Janeiro indicando as áreas adequadas para truticultura (interior) e carcinicultura marinha (litoral)
Figura 2 – Mapa do Estado do Rio de Janeiro indicando as áreas adequadas para truticultura (interior) e carcinicultura marinha (litoral)
Figura 3 - Detalhe do litoral sul fluminense com indicações das áreas potenciais para a malacocultura
Figura 3 – Detalhe do litoral sul fluminense com indicações das áreas potenciais para a malacocultura

 

Figura 4 - Mapa do Estado do Rio de Janeiro indicando as áreas adequadas para ranicultura
Figura 4 – Mapa do Estado do Rio de Janeiro indicando as áreas adequadas para ranicultura
Figura 5 – Detalhe do litoral fluminense com indicações das áreas potenciais para a carcinicultura marinha.
Figura 5 – Detalhe do litoral fluminense com indicações das áreas potenciais para a carcinicultura marinha.

A tabela 1 mostra um resumo das áreas consideradas boas, muito boas e excelentes para cada uma das atividades aqüícolas estudadas. O levantamento realizado através do SIG, teve como principal objetivo um macro zoneamento do estado para determinação das áreas potenciais para a implantação de projetos aqüícolas no Estado do Rio de Janeiro, levando em consideração, as informações disponíveis sobre características relevantes para cada atividade aqüícola. No entanto, para as regiões consideradas de interesse para futuras implantações de projetos aqüícolas, a realização de SIG’s regionais detalhados é de grande importância para a verificação dos potenciais apontados inicialmente neste estudo.

Tabela 1 – Resumo das áreas aptas para as atividades aqüícolas no Estado do Rio de Janeiro.
Tabela 1 – Resumo das áreas aptas para as atividades aqüícolas no Estado do Rio de Janeiro.
Aspectos de comercialização e consumo

Atualmente, o produto aqüícola mais importante e de maior volume comercializado no Estado do RJ é o camarão marinho Litopenaeus vannamei, proveniente principalmente das fazendas localizadas no Nordeste do Brasil, e em menor quantidade, de fazendas de Santa Catarina.

Os peixes tropicais como a tilápia e os “peixes redondos” (tambaqui, pacu, pirapitinga e tambacu), ocupam o segundo lugar entre os produtos aqüícolas mais comercializados no RJ. Estes vêm de fazendas localizadas no próprio estado, assim como de outros estados brasileiros, e são principalmente comercializados nos pesque-pagues (Gráfico 1).

Em contraste, o comércio da truta arco-íris está bem mais organizado, com o produto fresco sendo encontrado com facilidade nos hotéis, restaurantes e pousadas das regiões serranas, assim como nas bancas de peixes de alguns supermercados, apresentando tamanho uniforme e qualidade de conservação visivelmente melhor do que outros pescados de água doce concorrentes. Isto explica o fato da truta não ter sido encontrada nos grandes mercados atacadistas e varejistas entrevistados neste trabalho (CEASA, Mercado São Pedro e Mercado do Produtor da Barra da Tijuca).

O comércio de moluscos bivalves é extremamente reduzido, limitado principalmente às regiões praianas. Um fator preponderante na rejeição do consumidor potencial deste produto (ostras e mexilhões) é a falta de certificação da origem. Assim, ganha espaço e cresce a importação do produto vindo de cultivos marinhos em Santa Catarina, que incluem no seu processo, o acompanhamento da qualidade das águas e a inspeção federal (SIF) dos produtos finais.

A produção de moluscos no sul do Estado do Rio de Janeiro (região de Angra dos Reis e Parati), é comercializada principalmente para os restaurantes e pousadas da região, para os veleiros e lanchas de turistas que chegam até os cultivos, e nos bares ou restaurantes dos próprios produtores.

Os elevados preços dos moluscos cultivados favorecem a maior comercialização dos moluscos provenientes da extração artesanal, apesar dos riscos à saúde dos consumidores.

A comercialização da carne de rã parece estar sendo prejudicada principalmente pelo seu elevado preço no mercado. A aceitação do consumidor pelo produto oferecido inteiro é moderada ou tímida, e a demanda verificada é relativamente baixa e estável. A maior parte das rãs produzidas são comercializadas através da cooperativa de produtores (Cooperan) ou diretamente para os restaurantes e peixarias do estado. Existe uma tendência da comercialização de rãs abatidas com peso médio acima de 220g, e da venda apenas das coxas.

Nos grandes mercados atacadistas e varejistas entrevistados neste trabalho, o camarão marinho é indiscutivelmente o produto aqüícola com maior volume comercializado. A padronização do tamanho, a grande facilidade para a obtenção, a regularidade na oferta, os preços atrativos e a qualidade do produto, fortalecem o mercado para esse camarão. O preço do camarão de cativeiro vem atualmente, servindo de âncora para o preço dos camarões provenientes da pesca, uma vez que a constância nos preços do camarão de cativeiro força a relativa estabilidade no preço dos camarões oriundos da pesca.

A Tabela 2 mostra a variação dos preços máximos e mínimos dos produtos aqüícolas, praticados pelos produtores e supermercados da região metropolitana do Estado do RJ, no período de novembro/2001 a fevereiro de 2002.
A Tabela 2 mostra a variação dos preços máximos e mínimos dos produtos aqüícolas, praticados pelos produtores e supermercados da região metropolitana do Estado do RJ, no período de novembro/2001 a fevereiro de 2002.

As tabelas a seguir indicam as variações percentuais nos preços dos produtos aqüícolas desde o produtor até os supermercados da região metropolitana do estado (Tabela 3), assim como desde a CEASA (maior mercado atacadista de pescados do RJ) até os supermercados da região metropolitana (Tabela 4).

Tabela 3 – Variação Percentual dos Preços Mínimos e Máximos dos Produtos Aqüícolas, desde o Produtor até os Supermercados da Região Metropolitana do Estado do RJ (período de nov/2001 a fev/2002).
Tabela 3 – Variação Percentual dos Preços Mínimos e Máximos dos Produtos Aqüícolas, desde o Produtor até os Supermercados da Região Metropolitana do Estado do RJ (período de nov/2001 a fev/2002).
Tabela 4 – Variação Percentual dos Preços Mínimos e Máximos dos Produtos Aqüícolas, desde a CEASA até os Supermercados da Região Metropolitana do Estado do RJ (período de nov/2001 a fev/2002).
Tabela 4 – Variação Percentual dos Preços Mínimos e Máximos dos Produtos Aqüícolas, desde a CEASA até os Supermercados da Região Metropolitana do Estado do RJ (período de nov/2001 a fev/2002).

Essas tabelas mostram que a grande parcela do lucro na comercialização dos produtos aqüícolas não fica nas mãos do produtor, e sim dos inúmeros atravessadores.

Demanda amostrada dos produtos aqüícolas

O potencial de desenvolvimento da aqüicultura no estado depende não apenas de fatores climáticos, recursos naturais disponíveis, índices zootécnicos para as espécies, legislação pertinente e ambiente financeiro, mas da demanda regional. O presente estudo considerou apenas a demanda estadual, embora esta tenha sido relativamente limitada e concentrada principalmente na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Assim, foi elaborada a tabela 5 a seguir, que retrata os principais resultados obtidos das enquetes de campo realizadas de dezembro 2001 a fevereiro de 2002. Os resultados foram extrapolados para 12 meses, e os valores considerados foram os preços mínimos encontrados. A tabela 5 mostra também a receita anual estimada obtida com a comercialização dos produtos aqüícolas, além de um Índice de Demanda (ID) por produto, desenvolvido à partir da estimativa dos volumes anuais comercializados.

Tabela 5 – Índices de demanda dos produtos aqüícolas comercializados no Estado do Rio de Janeiro (período de nov/2001 a fev/2002). * Preço por dúzia.  ** Baseado em 4 semanas por mês e 12 meses por ano.  *** Preços de dezembro de 2001 a fevereiro de 2002.
Tabela 5 – Índices de demanda dos produtos aqüícolas comercializados no Estado do Rio de Janeiro (período de nov/2001 a fev/2002). * Preço por dúzia. ** Baseado em 4 semanas por mês e 12 meses por ano. *** Preços de dezembro de 2001 a fevereiro de 2002.

Através do ID percebe-se mais claramente que o camarão marinho é o produto aqüícola com maior demanda pelo mercado consumidor no Estado do Rio de Janeiro, representando pouco mais que a metade da demanda amostrada total (ID = 0,606). Os peixes tropicais (tilápia e os peixes redondos), são o segundo maior ítem de demanda no estado (ID = 0,292), seguidos, pelos moluscos bivalves (ID = 0,076), a truta (ID = 0,022) e a carne de rã (ID = 0,005).

Apesar dos índices de demanda de camarões e peixes tropicais serem próximos, deve ser mencionado que o ítem camarão marinho, refere-se apenas a uma única espécie, enquanto que os peixes tropicais são compostos de pelo menos três espécies e um híbrido (tambaqui, pacu, tilápia e tambacu). Cabe mencionar ainda, que as tilápias apresentam uma demanda amostrada duas vezes maior que a dos peixes redondos.

O diagnóstico da cadeia aqüícola do Estado do RJ revelou, conforme ilustrado na Tabela 1, a grande quantidade de áreas consideradas aptas para o desenvolvimento da aqüicultura. Adicionalmente, a Tabela 6 compara o potencial apto detectado no estudo, com a área (em hectares) necessária para cobrir a demanda amostrada de produtos aqüícolas no estado, apontando um índice de prioridade para atender somente essa demanda dos mercados atacadistas e varejistas do Estado do Rio de Janeiro.

Tabela 6 - Índice de prioridade para atender a demanda de produtos aqüícolas no Estado do Rio de Janeiro * IP = HN/HNTOTAL  ** Produtividade estimada para dois ciclos de engorda por ano.  (1) 1.000 kg de mexilhão produzido por espinhel de 50m de comprimento, com espaçamento de 1 metro entre cordas e 2 metros entre espinhéis. 25% aproveitamento da carne (mexilhão cozido e descascado). Baseado em dados médios dos produtores da AMBIG entrevistados.  (2) Média de 1.150 dúzias por espinhel de 50m de comprimento com espaçamento de 2 metros entre cada espinhel. Baseado em dados médios dos produtores da AMBIG entrevistados.  (3) Média de 600 dúzias por espinhel de 50m de comprimento com espaçamento de 2 metros entre cada espinhel. Baseado em dados médios dos produtores da AMBIG entrevistados.  (4) Baseado na média das produtividades dos ranicultores entrevistados = 0.67 kg/m2/mês (80.000kg/ha/ano) e no levantamento da ranicultura elaborado pela EMATER Rio em 1999 = 6.2 kg/m2/ano. (média = 70.000kg/ha/ano).  (5) Considerada a menor produtividade encontrada entre os truticultores entrevistados do RJ.  (6) Média dos produtores no RJ.
Tabela 6 – Índice de prioridade para atender a demanda de produtos aqüícolas no Estado do Rio de Janeiro * IP = HN/HNTOTAL ** Produtividade estimada para dois ciclos de engorda por ano. (1) 1.000 kg de mexilhão produzido por espinhel de 50m de comprimento, com espaçamento de 1 metro entre cordas e 2 metros entre espinhéis. 25% aproveitamento da carne (mexilhão cozido e descascado). Baseado em dados médios dos produtores da AMBIG entrevistados. (2) Média de 1.150 dúzias por espinhel de 50m de comprimento com espaçamento de 2 metros entre cada espinhel. Baseado em dados médios dos produtores da AMBIG entrevistados. (3) Média de 600 dúzias por espinhel de 50m de comprimento com espaçamento de 2 metros entre cada espinhel. Baseado em dados médios dos produtores da AMBIG entrevistados. (4) Baseado na média das produtividades dos ranicultores entrevistados = 0.67 kg/m2/mês (80.000kg/ha/ano) e no levantamento da ranicultura elaborado pela EMATER Rio em 1999 = 6.2 kg/m2/ano. (média = 70.000kg/ha/ano). (5) Considerada a menor produtividade encontrada entre os truticultores entrevistados do RJ. (6) Média dos produtores no RJ.

O índice de prioridade (IP), foi desenvolvido utilizando-se da demanda estimada do produto em relação à quantidade de áreas potenciais aptas para o desenvolvimento da aqüicultura, e serve como indicador das atividades onde as ações devem ser priorizadas visando o seu desenvolvimento.

No caso, o camarão de cativeiro apresenta o maior IP, demonstrando que essa atividade ainda inexistente no Estado do RJ merece especial atenção, principalmente pelo fato de que apenas 0,56% do total de áreas consideradas aptas para a implantação de projetos de carcinicultura marinha, seriam suficientes para atender a demanda atual dos mercados atacadistas e varejistas amostrados. A piscicultura tropical de água doce aparece como a segunda atividade de maior potencial de desenvolvimento no estado, seguida da malacocultura, da truticultura e da ranicultura. Os resultados do estudo realizado, indicam:

• Demanda atacadista e varejista amostrada de ~ 900 ton/ano de pescados cultivados;
• Movimento (apenas nestes mercados) de mais de R$7.000.000,00/ano;
• Maior parte dos produtos aqüícolas consumidos no Rio de Janeiro é importada de outros estados

Desdobramentos

• Potencial de expansão da área aqüícola em 300 a 400 ha apenas para atender os mercados atacadistas e varejistas do Estado de do Rio de Janeiro;
• Potencial para gerar cerca de 800 novos empregos diretos e 3.200 indiretos na produção aqüícola, visando esses mercados atacadistas e varejistas amostrados;
• Potencial para transformar o Estado do RJ em exportador de produtos aqüícolas;
• Necessidade da realização de SIGs regionais para avaliação detalhada do potencial apontado no macro zoneamento realizado.

O diagnóstico da cadeia aqüícola do RJ, realizado através da parceria entre o Sebrae/RJ e o LAQUASIG, além de ser um trabalho pioneiro no estado, reúne uma série de informações de grande importância e utilidade não somente para a determinação de ações voltadas para o desenvolvimento da atividade aqüícola, mas também serve de base para a avaliação de áreas potenciais para a implantação de futuros projetos.

Os resultados das análises espaciais em SIG na determinação das áreas potenciais para o desenvolvimento da aqüicultura no Estado do RJ, levaram em consideração as informações disponíveis sobre características relevantes a cada atividade aqüícola. No entanto, para uma determinação pormenorizada nas regiões consideradas de interesse para futuras implantações de projetos aqüícolas, é importante que sejam realizados SIG’s regionais detalhados, que permitirão o dimensionamento preciso dos potenciais, usando todo o conhecimento local disponível. Isto pode incluir desde planejamentos municipais, levantamentos de solos, dados ambientais, permitindo mesmo um ajuste fino no SIG, usando o histórico da performance dos cultivos já implantados.

Com a disputa pelo controle e uso cada dia mais intensivo do território, é necessário ajustar os modelos em função de modificações no território. Uma camada que pode ser incorporada num SIG regional para aqüicultura, seria referente ao custo das terras. Com a expansão da urbanização e turismo, áreas eventualmente propícias para a carcinicultura marinha, por exemplo, podem ter seu preço elevado em função do potencial turístico iminente a ser desenvolvido, inviabilizando assim, um plano de agronegócios que contemplasse aquisição de terras para implantação de projetos de carcinicultura.

Mas, mesmo aí, e especialmente no âmbito municipal ou estadual, o SIG é capaz de realizar análises espaciais muito interessantes como a MOLA do SIG Idrisi. A MOLA (multi-objective land allocation) tenta ‘resolver’ a alocação de terras nos casos de diversos objetivos conflitantes no mesmo território. Baseado nas informações de diversos mapas de viabilidade, um para cada objetivo final, e, baseado nos pesos ponderados relativos a cada mapa, e a quantidade de área disponível para cada atividade, a MOLA determina uma ‘solução–compromisso’, um ‘meio-termo’ para agradar a gregos e troianos tentando maximizar a viabilidade das terras para cada objetivo dentro dos pesos designados. O SIG é uma ferramenta, que inevitavelmente colocará, administradores, técnicos, interessados locais da comunidade, todos juntos na mesma mesa para definir os ‘pesos’ atribuídos aos mapas temáticos para o desenvolvimento do território. E como boa e nova ferramenta, o SIG deve ser usado com freqüência e esmero para produzir bons resultados.