Disputa pela Água pode Gerar Conflito entre Países

Segundo Federico Mayor, diretor-geral da Unesco, num futuro próximo, caso não haja um uso racional do recurso hídrico mundial, haverá uma grande disputa pela água, com possibilidade de sérios conflitos entre os países. De acordo com Federico, no ano 2025 dois terços da população mundial estarão vivendo em regiões com recursos hídricos insuficientes como conseqüência de um grande aumento populacional. Proporcionalmente ao aumento da população, será necessário que o volume de água para a produção de alimentos cresça de 50 % a 100 %.

A Unesco prevê que a crise afetará principalmente os países em desenvolvimento que tinham, no ano de 1995, uma média de 37% da população vivendo em centros urbanos, devendo essa concentração chegar a 56 % em 2025. Os números da Unesco são preocupantes: 97 % dos 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água são salgadas. Dos 3 % restantes, 77% estão congeladas nas costas polares e 22 % são subterrâneas. Sobra então, 1% de água potável na superfície para ser utilizada pela população mundial; o que seria suficiente se não fosse distribuída no planeta de forma desigual.

O estudo mostra também que as 200 bacias hidrográficas mais importantes do mundo estão localizadas em fronteiras, o que pode caracterizar uma possibilidade de conflito entre os países próximos.

Durante 18 anos a Unesco realizou um estudo dos recursos hídricos na América Latina, que é o primeiro continente a ter um mapeamento da disponibilidade da água. Esse estudo mostra uma distribuição desigual onde o Peru é o país mais pobre em água, com disponibilidade de 1.800 metros cúbicos per capta, quando o mínimo recomendável é de 3.000 metros cúbicos per capta. Apesar do Brasil ter uma boa quantidade de recursos hídricos – 33.700 metros cúbicos per capta, é preciso ficar alerta aos grandes centros urbanos.

A cidade de São Paulo por exemplo, já utiliza 95% dos seus recursos e o Rio de Janeiro caminha para uma crise de oferta. Segundo o especialista da Unesco ainda há tempo de ser feito um planejamento a tempo de evitar uma situação como a de Lima, o centro latino-americano que mais sofre crises de falta de água.