Editorial #168 | IBGE e o bom senso do censo

A Peixe BR, associação que reúne o setor produtivo nacional, divulgou em janeiro deste ano que a piscicultura cresceu 8% em 2017. Esse crescimento, no entanto, acaba de ser contestado com a publicação da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2017 realizada pelo IBGE, que aponta uma queda de 2,6% na produção de peixes no mesmo período.


Para muita gente os números revelados pela PPM foram bem diferentes do esperado. Em Rondônia, as 39,8 mil toneladas de peixes apuradas para 2017, contrastaram com as 90 mil toneladas despescadas em 2016. Os números do IBGE mostram uma “queda” de 56% na produção, principalmente de tambaqui, carro-chefe da piscicultura local. Lideranças locais discordaram. Francisco “Paco” Hidalgo Farina, presidente da Associação dos Criadores de Peixes de Ariquemes e Região (Acripar), disse ter “certeza absoluta de que há um equívoco por parte do IBGE, um engano ou uma tabulação malfeita, não existindo a menor possibilidade de ter havido uma regressão na capacidade produtiva do estado”. O próprio governador Confúcio Moura, em pronunciamento no 1º Fórum da Piscicultura de Rondônia, confirmou, baseado em dados validados pela Emater, pelo Idaron (agência sanitária que emite as GTAs) e pela Secretaria de Fazenda do estado, que a produção de 2017 teria sido em torno de 96-98 mil toneladas.

O coordenador de Agropecuária do IBGE, Octávio Costa de Oliveira, me explicou que este ano, a coleta de dados da PPM coincidiu, em muitos casos, com as entrevistas do Censo Agropecuário. “Além da qualidade, isso trouxe mais precisão para as informações. Antes, quando não era possível levantar a produção no campo, fazíamos uma estimativa através do consumo de ração, como faz a Peixe BR. Agora usamos a consulta ao produtor e isso modificou a informação”, garantiu Octávio.

No caso específico de Rondônia, a Gerente de Pecuária do IBGE, Angela Lordão, informou que até o ano passado, os dados utilizados pela PPM se baseavam nos registros da Sedam – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental. “Só que os dados da Sedam dizem respeito a capacidade instalada e não a produção em si. Com o Censo Agropecuário em andamento, percebemos que os próprios produtores nos diziam que não estava sendo produzido aquele total de peixes que a Sedam vinha informando. Fizemos então uma videoconferência com a Sedam e a Emater, ocasião em que a própria Emater concluiu que os números estavam superestimados. Isso foi acatado pela nossa supervisão estadual e, com a ajuda do Censo, chegamos aos resultados de 2017”, explicou Angela.

Os números finais do Censo Agropecuário só serão conhecidos no primeiro semestre do ano que vem, e cobrem a produção do período que vai do último trimestre de 2016 até o terceiro trimestre de 2017, enquanto que a PPM cobre somente a produção de 2017. Portanto, ajustes precisaram ser feitos para finalizar os números que recentemente foram divulgados pelo IBGE. Com tudo isso, para as futuras PPMs, Octávio Oliveira se diz bastante otimista com a qualidade dos dados que serão gerados para avaliar a produção aquícola. 

Com todas essas explicações, sou levado a acreditar que não estamos diante de uma queda real, principalmente da produção de peixes, até porque não tivemos relatos de surtos de doenças ou contratempos climáticos que impactassem a produção. Estamos, sim, e felizmente, diante de números mais próximos da realidade, provenientes de um processo de coleta de dados absolutamente mais confiável que os métodos até então utilizados. E quem ganha com isso somos todos os envolvidos com a cadeia de produção. Os números do IBGE detalhados nesta edição, junto a tantos outros importantes assuntos, estão também publicados no nosso novo portal na internet.

A todos, boa leitura,