Editorial #176 | É preciso cuidado na hora de economizar

Antes de colocar a mão no bolso, imaginando que se está diante de uma fórmula mágica para obter mais lucros, convém sempre perguntar: será que vale mesmo a pena adquirir um produto só porque ele está mais em conta?


Todos nós queremos ganhar dinheiro e lucrar com o nosso trabalho, e em momentos difíceis quase sempre acreditamos que o melhor caminho é economizar. Com toda certeza você leitor, já ouviu frases como “o barato sai caro” ou “tiro no próprio pé”, expressões que, aliás, valem para tudo em nossas vidas. E na aquicultura não é diferente. Não raro, quando um aquicultor tem como objetivo economizar, a ração é o primeiro item que lhe passa pela cabeça. As consequências do uso de rações mais baratas, porém, repercutem muito no funcionamento de um empreendimento e, ao contrário do que se imagina, pode atacar ainda mais o bolso do produtor desavisado.

São as chamadas rações de combate. Com o seu uso, um produtor desinformado chega a economizar até 320 reais por tonelada achando que está realizando o melhor dos negócios. Só que não. Mas é fácil entender o que o leva a fazer isso, principalmente quando é obrigado a vender seus peixes por um valor muito próximo ao do seu custo de produção. E esse é um cenário de mercado que tem sido recorrente no cotidiano dos piscicultores brasileiros.

O uso de rações baratas e suas consequências negativas é o tema do artigo do mestre Fernando Kubitza para esta edição. Para o autor, chamá-las de ração de combate é o que há de mais acertado, na medida em que estão “combatendo” o próprio produtor e as suas possibilidades de melhorar os resultados nas suas pisciculturas. Uma pretensa economia que acaba virando um tiro no próprio pé.

Como qualquer outra atividade competitiva, a aquicultura lida com uma multiplicidade de fatores que precisam estar harmonizados para que os resultados positivos e as boas margens de lucro apareçam. E os lucros na aquicultura são obtidos com boas práticas de manejo, que incluem o uso de rações que atendam às exigências específicas dos animais, com boa digestibilidade e que promovam um impacto aceitável na manutenção da qualidade da água do cultivo. Isso tudo, claro, sob a mira de uma boa gestão.

E boa gestão é um exemplo que trazemos com a matéria de capa desta edição, que conta um pouco sobre o funcionamento da Oka´s Fish, um moderno empreendimento pioneiro no uso de rios da região Amazônica para a criação de peixes nativos. Tudo isso sob o comando de Kazuo Oka, um empresário pró-ativo de origem oriental que, apesar das dificuldades impostas pela legislação ambiental na Amazônia, mantém, totalmente legalizado, seu cultivo de tambaquis e matrinxãs em cerca de 10.000 m3 de tanques-rede.

Tudo isso e muito mais, você leitor, encontrará nas nossas próximas páginas.

A todos uma boa leitura

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor