Editorial – edição 115

Jomar Carvalho Filho, Editor da Panorama da AQUICULTURA

Aproveito para redigir este editorial, enquanto some no horizonte a cidade de Florianópolis, onde estive por ocasião da VII Semana de Aquicultura da UFSC, um evento organizado pelos alunos do curso de Engenharia de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina. E, revendo os inúmeros temas que abordamos nesta edição, me detive no inusitado retrato da aquicultura brasileira, revelado pelo Censo Agropecuário 2006, divulgado pelo IBGE no final de outubro.

Os detalhes do censo estão nesta edição, e certamente vão surpreender muita gente, principalmente aqueles que sempre acreditaram que o Brasil produzia muito mais do que o Ibama divulgava em suas estatísticas. Segundo o IBGE, em 2006, a aqüicultura brasileira produziu 181.797,75 toneladas de pescado, apenas 2/3 das 271.695,50 toneladas divulgadas pelo Ibama no boletim Estatística da Pesca 2006. Para se ter uma idéia, se considerarmos a população daquele ano, a diferença de 89.897,77 toneladas que separa as duas estatísticas, reduz em quase meio quilo (480 gramas) o consumo per capita de pescado no Brasil.

Os resultados do IBGE são provenientes de um censo que cobriu pontualmente todos os estabelecimentos rurais do país. Já os do Ibama, resultam de informações colhidas junto a instituições nos diversos estados brasileiros, muitas delas sucateadas e sem a capilaridade necessária para captar dados minimamente confiáveis.

A prova dos noves, entretanto, está sendo tirada, e em breve esclarecerá aqueles que ficarão sem saber como se posicionar diante de dois cenários tão distintos. Falo da execução do Censo Aquícola, uma das melhores ações do Ministério da Pesca e Aquicultura, que agora se reveste de uma importância ainda maior, diante da disparidade dos números.

Outra pauta desta nossa edição é o susto que piscicultores brasileiros estão levando com a chegada do filé congelado do bagre pangasius, ou panga, vindo do Vietnã. A notícia da presença desse peixe, oferecido na gôndola de um supermercado em Chapecó-SC, foi divulgada na Panorama-L, lista de discussão da Panorama da AQÜICULTURA na Internet. Mensagens pipocaram de todos os lados, umas em apoio à entrada de um produto de qualidade inquestionável, e outras de repúdio ao panga, acusado de ser um “reservatório de veneno”, tamanha a quantidade de produtos químicos supostamente utilizados na sua produção.

Produtores de tilápia sentiram-se ameaçados com a entrada do panga no mercado brasileiro, em razão das dificuldades que enfrentam na tentativa de reduzir seus custos de produção. Esse, aliás, o tema escolhido por Fernando Kubitza, que preparou um artigo sobre o manejo da tilápia em viveiros escavados, ambiente ideal para produzir o alimento natural tão bem aproveitado pelo peixe, reduzindo assim os custos do piscicultor.

Como artigo de capa, escolhemos o tema “uso das microalgas para a fabricação de biodiesel”, onde o professor da FURG, Paulo Cesar Abreu, escreve sobre as razões que ainda impedem que essa indústria tão promissora decole no Brasil e no mundo. O leitor encontrará também nas próximas páginas, notícias sobre a 3ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca e sobre o XVI CONBEP, Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca, realizado em Natal, e muito mais.

A todos uma boa leitura.

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor