Editorial – edição 130

Editorial_Jomar“No peito de um desafinado também bate um coração…”
Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça

A marcha da mancha branca segue e se alastra pelos viveiros e estuários do Nordeste, abatendo o ânimo dos produtores.

E, mesmo aqueles que hoje produzem cercados de cuidados, observando as melhores práticas de manejo disponíveis, não estão livres de serem afetados. Ao contrário de outros setores da aquicultura, que podem facilmente antever como será o cenário dos seus cultivos e as tendências para os próximos anos, os carcinicultores brasileiros estão, atualmente, incapacitados de fazer um esboço do padrão de cultivo que encontraremos nos próximos anos nas atuais áreas produtivas.

No peito do produtor que assiste de mãos atadas a sua produção desafinar e ser comida pelas garças, bate um coração que sofre, não apenas pelos prejuízos e interrupção da produção, mas também e, principalmente, por não saber o rumo que irá tomar.
Duas vertentes dominam as atuais discussões. Uma delas defende o uso de pós larvas provenientes de animais resistentes, sobreviventes de viveiros que foram afetados pelo vírus, um caminho encontrado por produtores do Equador, Colômbia e Panamá. Na outra vertente, estão aqueles que estão focados no cultivo intensivo, utilizando pós larvas livres de patógenos conhecidos (SPF), criadas em meio a bioflocos, um modelo utilizado com sucesso em vários países asiáticos.

As duas vertentes, no entanto, não são conflitantes. Com relação ao uso de animais resistentes, resta saber se os que hoje se encontram disponíveis na América Central são também resistentes à cepa (ou cepas) do vírus que temos no Brasil. Os trâmites de importação desses animais são complicados, mas não impossíveis. O produtor terá, porém, que lidar com a disparidade de tamanhos que esses animais têm apresentado nos viveiros onde são cultivados, e rezar para que esses “super animais” não se mostrem tão sensíveis às demais mazelas domésticas que habitam nossos viveiros. Na hipótese de não se utilizar animais hoje cultivados em outros países, teremos pela frente que concluir o mesmo trabalho que esses países tiveram.

Os carcinicultores que optarem pelo cultivo de animais SPF em meio ao bioflocos, já têm à sua disposição os resultados que começam a aparecer em campo. No intuito de difundir resultados que ajudem a carcinicultura a encontrar bons e novos rumos, publicamos nesta edição um artigo preparado pelo grupo de pesquisadores da FURG (RS) que estão obtendo sucesso com o cultivo em um área severamente afetada pelo surto da mancha branca, em Laguna (SC). Nesta edição são apresentados os bons resultados de produção e, na próxima edição, o leitor encontrará uma análise econômica do empreendimento.

O espaço deste editorial está acabando, mas tenho certeza que o leitor encontrará nesta edição, essa e muitas outras informações que certamente serão úteis para tornar o seu dia-a-dia ainda mais produtivo.

A todos uma boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor