Editorial – edição 131

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Eventos de grande importância marcaram os últimos meses de junho e julho.

A 9ª Fenacam, que este ano trouxe especialistas do mundo todo para debater a produção de camarões diante das patologias causadas por vírus; a Rio+20, que 20 anos depois da Eco 92, veio sedimentar a ideia de que sustentabilidade não pode mais sair da pauta do dia a dia das nossas vidas e, o Aquaciência 2012, que nesta sua quinta versão, veio para se consolidar definitivamente como o principal evento da academia brasileira dedicada a aquicultura e biologia aquática.

Este ano a ABCC – Associação Brasileira de Criadores de Camarão, organizadora da Fenacam, proporcionou aos produtores e pesquisadores uma rara oportunidade de conhecer de perto o manejo e as estratégias de produção que são utilizadas na Tailândia, Indonésia, China, Vietnã, Nicarágua, Guatemala, Equador e México, países que mesmo na presença das principais viroses, mantêm aquecida a indústria mundial de camarão, que deverá crescer 10,3% este ano.

A Fenacam 2012 proporcionou um grande encontro também para aqueles que não estão envolvidos com a carcinicultura, e que foram brindados com palestras brilhantes, como as proferidas pela Claudia Ehrlers Kerber, da Redemar e pelo Rodrigo Zanolo, da MSD Saúde Animal. Claudia surpreendeu ao mostrar os dados que colheu nos últimos anos e que comprovam o enorme potencial do cultivo da garoupa. Zanolo, por sua vez, apresentou uma resenha das enfermidades de impacto econômico na tilapicultura, um presente para quem está no campo e sabe o quanto dói no bolso quando se fecha os olhos para os temas relacionados a sanidade. A Fenacam está de parabéns pela agenda oferecida este ano.

A aquicultura na Rio+20 não foi tema tão badalado como nós gostaríamos. Mas não ficaram dúvidas de que precisamos compreender melhor e aperfeiçoar, cada vez mais, os mecanismos que podem ajudar o setor produtivo a avaliar o grau de sustentabilidade dos empreendimentos, pesquisa que já vem sendo desenvolvida pela equipe do professor Wagner Valenti.

No mês de julho a cidade de Palmas – TO recebeu de braços abertos os pesquisadores para a quinta versão do Aquaciência, um evento pra ninguém botar defeito. Logo na cerimônia de abertura a presidente da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática – AQUABIO, Débora Fracalossi, botou a boca no trombone para alertar que os recursos para a pesquisa no setor estão à míngua e são insuficientes e incompatíveis com o desejo de todos de ver o crescimento sustentável da aquicultura brasileira. Apesar disso, 713 trabalhos de pesquisas realizadas foram apresentados nos quatro dias do evento. Fica aqui a minha homenagem aos pesquisadores brasileiros, que das pedras tiram leite para nutrir essa criança que ainda engatinha. Em especial, homenageio a memória do querido Marcos Guilherme Rigolino, biólogo e pesquisador do Instituto de Pesca de Campos do Jordão, que nos deixou nesses dias efervescentes do setor. Não só Yara e todos da família estão tristes. A truticultura brasileira está triste, todos os seus amigos estão tristes, inclusive eu.

Boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor