Editorial – edição 134

Editorial_JomarO ano de 2012 se despediu e não ficaram dúvidas de que a aquicultura está crescendo no Brasil. E melhor, estamos conseguindo ampliar os alicerces que nos permitirão um crescimento com mais segurança ao longo dos próximos anos. Eu já sei que muitos discordarão e vão querer me lembrar de que o país nunca importou tanto pescado e gerou, em outros países, tantos empregos e divisas nesse setor.

Outros até me puxarão a orelha para avisar que os insumos nunca foram tão caros e que os custos de produção nunca estiveram tão perigosamente perto dos custos de comercialização. Sei que são observações pertinentes e que realmente expõem a fragilidade e os gargalos que precisam ser solucionados. Mas o fato é que, mesmo com tudo isso, a aquicultura brasileira “vai muito bem, obrigado”.

Eu adoraria poder dar aos leitores a melhor prova desse crescimento: os números reais. Mas, lamentavelmente, desconheço quem possa me fornecer essas informações. O silêncio retumbante do Ministério da Pesca e Aquicultura sobre o que se conseguiu apurar no arremedo de censo que realizou em 2009, parece ter servido para sepultar de vez esse tema, até porque não se ouve falar de nenhum outro movimento no sentido de um dia sabermos quantos somos e produzimos. Em 2013 os números do setor serão novamente divulgados e só os vão engolir quem quiser.

A percepção do crescimento se dá, principalmente, diante dos pontos de venda de pescado de qualquer cidade brasileira, onde lá estão, dominando cada vez mais a cena, os tambaquis e vários dos seus familiares, a tilápia filetada e inteira ao gosto do freguês, pintado, camarão, mexilhão e ostras. Dependendo da região é possível até esbarrar em filés de pirarucu, desses de comer rezando. Ao longo de 2012 só não viu quem não quis que a aquicultura mudou definitivamente a cara do comércio de pescado no país. E vai mudar ainda mais. Nos últimos dias de dezembro piscicultores do Tocantins receberam a boa notícia de que já podem produzir o tambaqui nos reservatórios de Tucuruí, Lageado, Serra da Mesa, Cana Brava, Peixes Angical e Estreito.

Um estudo encomendado pelo MPA aponta que somente em Lageado e Tucuruí será possível produzir de forma sustentável 467 mil toneladas anuais! Do Palácio dos Bandeirantes também vieram boas notícias, com a assinatura do decreto que abre as portas do licenciamento ambiental para os piscicultores paulistas. Os produtores sabem que não há melhor insumo que o acesso ao crédito e a segurança jurídica. Quem viver verá! Breve muito pescado sairá das águas paulistas.

O ano de 2012 será lembrado também pela criação do Programa Sanitário para Moluscos Bivalves e da Rede Nacional de Laboratórios. Todos sabemos que conhecimento, controle e prevenção são determinantes para o sucesso do setor aquícola.
Esta edição 134 da Panorama da AQÜICULTURA chega em suas mãos, em 2013, com ótimas notícias e a reafirmação do nosso compromisso de que continuaremos a municiar o leitor com informações estratégicas e focadas para o crescimento, cada vez maior do nosso setor produtivo.

A todos uma boa leitura,

Boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor