Editorial – Edição 142

Jomar Carvalho Filho, Editor da Panorama da AQUICULTURAEm março, o MPA apresentou oficialmente ao CONAPE – Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca e, consequentemente, a todo setor aquícola, um relatório contendo o que deveria ser o retrato da produção de pescado no Brasil do ano de 2013.

Do papel brotaram exatas 969.370 toneladas de pescado cultivado e 1.561.429,62 toneladas da pesca extrativa, que somaram 2.530.880,22 toneladas, colocando o Brasil num patamar de produção nunca visto anteriormente.
Aos aquicultores, porém, a produção apurada soou tão falsa quanto uma nota de R$ 3,00. Isto porque, quem vive o dia a dia da indústria aquícola brasileira sabe que jamais, com a atual infraestrutura, o Estado do Pará seria capaz de produzir 224.152,12 toneladas, e tampouco o Maranhão teria condições de produzir 170.078,00 toneladas, conforme querem nos fazer acreditar.
Mas o que teria levado o ministério a publicar essa bobagem? Bem antes de 2013 terminar a produção aquícola já havia sido “sentenciada” pela Secretaria Executiva do MPA, que para isso jogou para escanteio a Secretaria de Monitoramento e Controle da Pesca e Aquicultura (SEMOC), abrindo mão dos técnicos do ministério especializados em estatísticas aquícolas e pesqueiras. Muito antes de serem apresentados ao CONAPE, os números da produção aquícola já constavam das páginas do documento “Mensagem ao Congresso Nacional”, impresso em janeiro para ser entregue em fevereiro, pela Presidência da República, ao Congresso Nacional. Tudo pode não ter passado de um esforço para que o MPA “saísse bonito na foto”, ainda que em cima de mentiras. Isso me faz lembrar a frase “o fim justifica os meios”, atribuída a Maquiavel, para mostrar que na política tudo é possível para se alcançar os objetivos, mesmo que acima da ética e da moral.
Restaurar de forma grotesca o cenário aquícola brasileiro mostra o desapreço para com o setor que desejou, articulou e lutou para criar esse mesmo ministério que agora, agindo dessa forma, se mostra virando as costas. Ficou feio explicar que os números estranhamente “inflados” só foram possíveis porque os produtores tiveram acesso ao crédito. Que crédito? Que Plano Safra? Todos nós sabemos que é preciso licença ambiental para se obter crédito. E cadê a licença para os produtores?
A história religiosa nos ensina que apesar das evidências de sua provável inocência, Herodes ficou conhecido no Evangelho de São Mateus como o monarca que mandou exterminar, em Belém, as crianças do sexo masculino, numa tentativa fracassada para matar Jesus que, segundo a profecia seria rei dos Judeus. Além do crime hediondo, sua decisão passou também a ser um dos mais contundentes exemplos dos desacertos das decisões políticas pautadas na certeza de que o fim justifica os meios. Inocente ou culpado, o fato é que eu nunca conheci quem tenha sido batizado com o nome de Herodes.
Será que um dia alguém se lembrará do nome dos que hoje ocupam a pasta do MPA? Quantos hoje se lembram de que tivemos um Luiz Sérgio à frente desse ministério?

À todos boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor