Editorial – edição 146

Editorial_Jomar_124O final do ano foi de tensão e expectativa para quem se dedicou a acompanhar o rumo que seria dado ao Ministério da Pesca e Aquicultura.

A derrota do candidato Aécio Neves, declaradamente a favor da extinção do MPA, não acabou com os rumores de que seria a própria Presidente Dilma Rousseff que tomaria essa decisão, pressionada para reduzir, ainda que minimamente, o número de pastas da Esplanada. E as listas de cortes eram sempre encabeçadas pelo MPA. Como se isso não bastasse, muitas vozes de dentro do setor, insatisfeitas com o engessamento do MPA diante dos problemas crônicos da aquicultura brasileira, entre eles a obtenção do licenciamento ambiental, acesso ao crédito, etc., advogavam pela extinção do Ministério, em favor da criação de uma Secretaria forte dentro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O que se viu foi que nada disso aconteceu. Às vésperas do Natal veio a notícia da nomeação do ex-prefeito de Ananindeua e candidato derrotado ao governo do Estado do Pará, Helder Zahluth Barbalho, um jovem de 35 anos, aliado ao PMDB, que passou a ser o sétimo ministro a ocupar a pasta desde 2003, quando foi criada a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (SEAP).

Segundo o próprio Barbalho, a escolha do seu nome premiava o Estado do Pará, por liderar a produção aquícola nacional. O fato curioso é que aí, indiretamente, entra na história o “dedo sagrado” do seu antecessor, Marcelo Crivella. No início de 2014, Crivella anunciou sem questionar o resultado de uma pesquisa polêmica, encomendada internamente para avaliar a produção aquícola brasileira em 2013. Não se sabe se por incompetência, má fé, ou ambas as possibilidades, a Superintendência do MPA no Pará produziu uma série de dados que apontavam para uma produção de exatas 224.152 toneladas de pescado cultivado, fato que imediatamente retirou o Pará das últimas colocações no ranking para se tornar líder isolado na produção aquícola nacional.

Mas, como as mentiras têm pernas curtas, a luz se fez nos primeiros dias de 2015 com a
divulgação, pelo IBGE, dos resultados da Pesquisa Pecuária Municipal 2014, que pela primeira
vez incluiu a aquicultura no seu foco, avaliando em 2014 a produção de 2013, tal qual o MPA fez. Pois bem, o IBGE relatou que apenas 5.103 toneladas de pescado foram produzidas no Pará, e não as 224 mil toneladas divulgadas pela gestão Crivella, dados que agora devem ser revistos, já que fazem parte de documentos e de material oficial de divulgação do MPA.
É claro que Helder Barbalho não tem nada a ver com essa manipulação de dados que, de
alguma forma, pode até ter feito com que seu nome fosse lembrado para ocupar o cargo. Mas o fato ilustra um pouco a gestão equivocada de alguns dos seus antecessores, que fez com que uma parte do setor produtivo até desejasse se desfazer de um dos seus maiores trunfos, que é ter um MPA.
Desejo a Helder Barbalho sorte e competência para enfrentar os muitos desafios da sua
pasta. E a todos, desejo boa leitura e um próspero ano.