Editorial – Edição 147

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Pecuaristas, agricultores e aquicultores que o digam: a vida não anda nada boa para quem depende da água pra viver, trabalhar e produzir.

As previsões de chuvas em volumes suficientes para a recomposição dos níveis dos reservatórios e dos volumes hídricos das principais bacias, em especial nas Regiões Nordeste e Sudeste, não são das melhores para este ano, nem tampouco para 2016. A escassez da água para engordar peixes é a mesma que está paralisando as hidrelétricas, levando ao acionamento das térmicas, que geram uma energia mais cara. Inevitável, portanto, a elevação dos custos da energia elétrica.

A falta de água e suas consequências estão mudando a rotina e o fluxo de caixa dos aquicultores. A aeração dos viveiros está mais cara, rações para os animais também, sem contar o aumento do preço do frete que chega ou sai das fazendas. Diante dos seus olhos, muitos produtores sem acesso ao crédito para o custeio do dia a dia, assistem impotentes ao aumento dos custos de produção e a queda da rentabilidade de seus empreendimentos. Entretanto, momentos de adversidade sempre moveram empresas e pessoas em busca de inovações, e a aquicultura é uma atividade propícia a inovações, principalmente se essas estiverem alicerçadas em sólidas bases técnicas. E é por acreditar nisso que trazemos nesta edição da Panorama da AQÜICULTURA, dois temas que vêm de encontro ao desejo de quem está disposto a inovar, e não a ficar apenas dando nó em pingo d´água.
O conceito dos “viveiros divididos” ou “Split Ponds” é uma dessas inovações que merecem ser conhecidas. Tenho certeza de que muitos produtores passarão a considerar a sua adoção após a leitura do ótimo artigo que o craque Fernando Kubitza preparou para esta edição. Os resultados da utilização dos Split Ponds por produtores de catfish nos EUA é uma mostra de como esse sistema pode ajudar o aquicultor brasileiro a ganhar competitividade. O método de cultivo, que pode ser utilizado para camarões, peixes ou a combinação de ambos, requer pequenas intervenções no leiaute dos viveiros, que se traduzem em aumento da produção, em mais segurança e na redução significativa dos custos operacionais de uma fazenda.

O outro tema inovador é a aquaponia, a união inteligente da aquicultura com a hidroponia, que traz benefícios ao aquicultor ao diversificar o leque de produtos cultivados que podem ser oferecidos ao mercado. Aproveito pra fazer aqui um mea culpa por não ter abordado esse interessante tema ao longo dos 25 anos da revista. Mas, como é sempre tempo de inovar, é nesta edição que mostramos a versatilidade da aquaponia e como essa atividade pode ajudar o produtor a escapar das pequenas margens de lucro que podem eventualmente se abater sobre o seu negócio. A equipe do Laboratório de Aquicultura da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), liderada pelo professor Maurício Emerenciano, se debruçou sobre o excelente artigo, que escolhemos para ser capa da edição que está em suas mãos.

Entre os demais temas abordados nesta edição, destaco a entrevista que fiz com o ministro do MPA, Helder Barbalho, que falou da sua percepção sobre a importância da aquicultura, da estatística do setor, do licenciamento ambiental, da importação de pescado e de outros temas do interesse de todos os aquicultores.

A todos uma boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor