Editorial – Edição 154

situação atual do que um dia foi o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) está merecendo toda a atenção do setor produtivo. Com a extinção do MPA, as suas atribuições ficaram a cargo da recém-criada Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que passa a conduzir as ações e políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da aquicultura brasileira.

Até aí nada demais, não fosse o fato do desmonte do MPA ter sido de uma magnitude sísmica. Do que sobrou, já é possível avaliar a dificuldade que o MAPA terá para dar continuidade, de forma eficiente, a qualquer um dos projetos que estavam sendo tocados pelo extinto MPA.

Ao deixar o MAPA, após o impedimento da presidente Dilma Rousseff, a ministra Kátia Abreu exonerou todos os secretários e ocupantes das diretorias, ato que tirou de cena Marlon Carvalho, recentemente nomeado Secretário de Aquicultura e Pesca, cargo que agora está sendo ocupado interinamente por Aline Fagundes, uma desconhecida do setor. Olhando mais de perto, temos hoje uma estrutura bem menor do que a que tivemos antes, lá em 1998, quando a aquicultura ainda era uma diretoria neste mesmo ministério. É difícil saber o que os aquicultores terão pela frente, mas a impressão que se tem é que estamos diante de um retrocesso sem tamanho.

Se por um lado os aquicultores brasileiros se mostram bons na arte de criar peixes, crustáceos e moluscos, nunca foram bons na briga pelos interesses comuns, deixando a sorte dar as cartas. Está aí o exemplo da criação do MPA, que tanto beneficiou a aquicultura brasileira que foi, na verdade, uma conquista vinda das demandas dos pescadores e não dos aquicultores.

O desmonte do MPA aconteceu diante dos olhos inertes de todo o setor. E agora, diante dos escombros, a paralisia se mantém. Ao que parece, ainda vai demorar um bom tempo para vermos essa máquina, ainda desconhecida, trabalhando e, minimamente, dando respostas para as demandas dos aquicultores. O pior é que, até lá, na falta de interlocução, provavelmente será mais fácil reclamar com o bispo.

Mas, para seguir seguindo, leia nas próximas páginas sobre a inauguração da sede própria da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), um importante centro de pesquisas, na verdade um presente há muito esperado pelos aquicultores brasileiros. O leitor encontrará também uma diversidade de temas que certamente enriquecerão seus conhecimentos. Dentre eles, o primeiro de uma série de artigos que se inicia nessa edição, falando sobre as grandes oportunidades da aquicultura ornamental, principalmente para os produtores que já criam peixes de corte. Outro tema que não poderia faltar é o TiLV, o badalado vírus de Israel, tratado aqui por dois grandes especialistas que nos esclarecem sobre o assunto. Além desses, vários outros temas foram criteriosamente escolhidos para esta edição, e espero que sejam bastante úteis para você, assinante da Panorama da AQÜICULTURA.

A todos uma boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor