Editorial #163

Jomar Filho

Numa palestra sobre probióticos e alimentos funcionais apresentada no XX CONBEP, evento que acabou de acontecer em Florianópolis, Marcelo Borba, da Phileo, apresentou os resultados de uma pesquisa feita em setembro de 2016, pela Global Aquaculture Alliance (GAA), na qual especialistas de diversos países foram convidados a apontar o fator que mais limita o desenvolvimento da aquicultura. Como resultado da entrevista, 53% responderam que os dois temas que mais impactavam o crescimento deste setor eram a sanidade e o manejo de doença, seguidos das questões ambientais e sociais (21%). Aqui no Brasil, se fizéssemos uma pesquisa semelhante, é bem provável que a dificuldade para a obtenção do licenciamento ambiental, ou a falta de crédito, viessem a ocupar os primeiros lugares. No mesmo CONBEP, Enox Maia, falando sobre tecnologia e inovação em sistemas de produção de camarões como alternativa de combate a Mancha Branca, calculou em mais de um milhão de dólares o prejuízo que esse vírus já causou na carcinicultura brasileira. Aqui, como em outros países, é cada vez maior o impacto econômico causado pelas doenças na aquicultura. Na nossa tilapicultura, por exemplo, apesar de não existir nenhum estudo detalhado para avaliar o impacto econômico causado pelas bactérias, principalmente a Streptococcus agalactiae e a Francisella noatunensis, sabemos que as perdas são cada vez maiores a cada safra.

O manejo sanitário, portanto, merece toda a atenção, na medida em que os produtores, quando não ficam paralisados ao se depararem com problemas “desconhecidos” de doenças, tendem a fazer o que “ouviram dizer que dá certo”. E é aí que mora o perigo. Em geral, nessas ocasiões entram em cena drogas não licenciadas, indicação incorreta de antibacterianos, erros na dose recomendada e na quantidade de produto a ser misturado à ração. Por essas e por outras, os erros operacionais e interpretações técnicas equivocadas, são temas do artigo sobre o uso de antibióticos na aquicultura, de Carlos Leal, Thais Oliveira e Henrique Figueiredo, da Escola de Veterinária da UFMG, que orgulhosamente publicamos nesta edição.

O leitor vai encontrar também importantes informações técnicas para uma produção de qualidade, onde são apresentadas a estreita relação entre pH, gás carbônico, alcalinidade e dureza da água no desempenho e saúde dos peixes e camarões. Trazemos ainda, como artigo de capa, um texto preparado pela equipe da Aquatec, que sugere a utilização de um índice inovador que cria curva de crescimento de juvenis e permite uma melhor avaliação do desempenho na pré-engorda de camarões.

Assim, é com muita satisfação que ofereço a você, leitor da Panorama da AQÜICULTURA, mais uma edição recheada de conhecimentos de qualidade.

A todos, uma boa leitura!

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor