Editorial #170 | Um clima de esperança e recomeço

Enfim, um ano que parecia não querer terminar, rompeu seus limites e cá estamos juntos em 2019.

 

 

Por:
Jomar Carvalho Filho
Editor

Depois de um ano inteiro de altos e baixos, muitas incertezas e algumas esperanças, recebemos 2019 animados e um tanto curiosos com o desfecho de importantes temas reservados ao setor aquícola. Infelizmente, ao olharmos para trás, constatamos que muitas turbulências persistem. Para os piscicultores, 2018 se encerrou com queixas. Em entrevista ao portal Informamais, o presidente da Peixe SP – Associação dos Piscicultores em Águas Paulistas e da União, Emerson Esteves, resumiu que 2018 “foi o pior ano, disparado, superando os anos de 2013 e 2014, quando tivemos a crise hídrica com a baixa dos níveis dos reservatórios”. Emerson explicou que o volume de peixes produzido em 2018 foi muito alto e o consumo muito baixo, e que isso acarretou queda nos preços de mercado, sobra do produto nas pisciculturas e nas indústrias, e refletiu negativamente no bolso dos produtores. Emerson acha ainda que, no início deste ano, assistiremos a uma diminuição da produção em razão da saída de alguns produtores do mercado, e da redução da capacidade produtiva de outros. No entanto, otimista, acredita que o consumo logo voltará a crescer com a proximidade da quaresma, quando tudo tende a se normalizar.

Projeções otimistas também estão presentes no setor do camarão. Em 2018, carcinicultores seguiram aperfeiçoando manejos e adaptando instalações na busca de meios para viabilizar seus empreendimentos diante do vírus da Mancha Branca. Quem participou da Fenacam, viu um interesse muito grande por manejos e tecnologias que concorrem para um significativo aumento das sobrevivências e melhoria das condições sanitárias dos cultivos. E neste caso, há um consenso de que os resultados aparecem para quem se dedica a fazer as coisas certas.

Nem mesmo o susto no final do ano, vindo do Supremo Tribunal Federal (STF), desanimou o setor da carcinicultura. No apagar das luzes de 2018, o presidente do STF, Dias Toffoli, suspendeu decisão liminar da sua colega Carmem Lúcia, que proibia, desde maio passado, a importação de camarões. As cartas seguem na mesa para mais rodadas, e já dá pra perceber que assistiremos, ao longo de 2019, a muitos lances antes do desenrolar final dessa pendenga. Tranquilo, apesar da pressão equatoriana, o presidente da ABCC, Cristiano Maia, pede apenas que seja respeitada a Instrução Normativa que exige a Análise de Risco de Importação (ARI) para qualquer camarão proveniente do exterior. E vida que segue.

O bom é que os ares de janeiro sempre trazem um clima de esperança e recomeço, momento que deixamos vir a tona os nossos sonhos, e o desejo de concretizá-los. Cada um de nós tem seu olhar crítico, e guarda consigo muitas opiniões sobre a construção de uma política pública capaz de fomentar o crescimento do nosso setor. Neste momento, com a criação da Secretaria de Aquicultura e Pesca, dentro do MAPA, mais uma vez reacendem as esperanças de que todos esses anseios sejam ouvidos e quiçá atendidos. Portanto, ficam aqui os votos da Panorama da AQÜICULTURA para que o atual secretário da SAP, Jorge Seif Jr., tenha ouvidos para ouvir os anseios do setor e sensibilidade para conduzir sua gestão de mãos dadas com pequenos e grandes aquicultores.

A todos, uma boa leitura.