A importação de tilápia do Vietnã foi finalmente suspensa – Editorial # 195

O tema da importação da tilápia do Vietnã foi bem encaminhado. Líderes setoriais estão de parabéns, e novas pautas estão à espera do mesmo empenho para encontrar boas soluções 


O ministro do Mapa, Carlos Fávaro, acatou as considerações encaminhadas pelo ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, e assinou despacho, em 9 de fevereiro, determinando que a Secretaria de Defesa Agropecuária revise o protocolo sanitário vigente quanto aos riscos associados à introdução do vírus da TiLV no território nacional. Portanto, até que seja concluído o estudo, a importação de tilápia do Vietnã permanecerá suspensa de forma cautelar. 

Foi um desfecho muito positivo para o setor, e expôs um nível de articulação maduro das lideranças que, apenas no início dos acontecimentos, tiveram dificuldades para conter notícias “desinformativas” do tipo “Governo federal passa a importar tilápia do Vietnã…”. Foram notícias preparadas com o propósito de confundir produtores. Aqueles menos esclarecidos passaram a acreditar que a importação foi realizada pelo governo federal, e não por uma empresa privada, como de fato aconteceu. A desinformação em nada ajuda, e cabe às lideranças setoriais o pronto restabelecimento da verdade, para que “todos fiquem na mesma página”, mantendo o foco e fazendo coro para a solução tanto deste quanto de tantos outros problemas que naturalmente surgem.   

É justo lembrar que, para o bom desfecho do problema, também pesou a experiência e o bom senso do ex-ministro da Aquicultura e Pesca Altemir Gregolin que, três semanas antes do despacho do Mapa, manifestou publicamente em vídeo a sua preocupação com a importação. O ex-ministro lembrou que existem no Mapa mais de 100 empresas habilitadas para importar pescado e qualquer uma delas, desde que cumpra com as obrigações legais, pode importar o pescado que desejar, ao preço que for mais conveniente. No vídeo, Gregolin defendeu medidas para proteger a produção nacional, e lembrou que fez uso delas quando estava à frente da pasta e foi instado a deter a entrada do panga, também do Vietnã. Entre essas medidas, foi criada a Análise de Risco de Importação (ARI), um instrumento largamente utilizado pelos países desenvolvidos para proteger seus mercados, associada ao veto da licença automática de importação. No caso do panga, o resultado foi o estabelecimento de exigências sanitárias que levaram o Vietnã a ter que enviar para o Brasil um peixe de melhor qualidade, evidentemente com preço superior àqueles que vinha praticando. Isso deu mais competitividade aos produtos brasileiros, inclusive para tilápia, disse Gregolin. Portanto, é justo lembrar que o despacho do Mapa proibindo a importação da tilápia do Vietnã certamente tem um pouco das digitais do ex-ministro, assim como das diversas lideranças setoriais que se mobilizaram para que tudo tenha terminado da forma mais favorável possível para os produtores.    

Além de parabenizar a todos que ficaram na linha de frente, quero desejar que o mesmo poder de articulação seja mantido para encaminhar outras pautas de grande importância, como os protocolos capazes de deter o avanço de patógenos país afora, como os que tanto impactaram a tilapicultura em 2023. 

Por fim, que fique registrado aqui a enorme curiosidade que fiquei em saber qual a cara desse filé trazido do Vietnã pela empresa catarinense: seu tamanho, peso, presença de off-flavor, presença de tripolifosfato de sódio, presença de gordura, tipo de toalete, etc. Quem souber, me avise. 

Boa leitura a todos

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor