Editorial – Edição 36


Os ventos alísios sopram generosamente. A temperatura é agradável, e se mantém entre 25 e 30 ºC ao longo de todo o ano. Quase não chove e a água se evapora facilmente. O cenário perfeito é ainda temperado pela riqueza que o sal proporciona. É a região salineira do Rio Grande do Norte.

Como ninguém vive sem o sal e a população cresce dia-a-dia, o consumo aumenta sem parar. Essa riqueza crescente, entretanto, esta cada vez mais concentrada, como as salmouras devem estar. A realidade mostra que é cada vez menor o número de pessoas que consegue viver do sal no Rio Grande do Norte. Paradoxalmente, o estado, apesar de produzir 4 milhões de toneladas anuais de sal, suficientes para abastecer 90% do consumo brasileiro, abriga hoje um número grande de famílias produtoras de sal que sucumbiram aos grandes grupos que dominam o setor salineiro no Brasil, modernamente mecanizados e devoradores de novas tecnologias, à eles inacessíveis. São os “refugos” do neo-liberalismo, onde quem não tem a “competência”, não se estabelece.

Mas, felizmente, não é só de sal que vive o homem da região salineira do Rio Grande do Norte. Desde 1977, a Artemia salina, um valioso microcrustáceo que é também um dos mais importantes insumos da aqüicultura mundial, faz parte do dia-a-dia dessas famílias.

Após já se ter produzido mais de 10 toneladas anuais de cistos de Artemia no final da década de 70, gerando receitas ao redor de US$ 1,8 milhões para a região, hoje não se consegue produzir mais do que uma tonelada a cada ano. Uma queda drástica na produção que pode muito bem ser revertida, trazendo benefícios à muita gente e mudanças importantes na economia da região. É o que assegura nessa edição o biólogo potiguar Marcos Rogério Câmara, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, um craque no assunto.

Passando do calor tropical para o frio temperado, da salmoura quente para águas cristalinas e geladas e, sem precisar de sair do pais, o leitor poderá conhecer, ainda nesta edição, os aspectos principais que determinarão o crescimento da truticultura no Brasil, que já quadruplicou sua produção nos últimos cinco anos.

Além desses assuntos, abordamos também neste número a piscicultura ornamental, as rações, os recursos para financiamento de custeio da aqüicultura e a sucessão da ABRAq em Sete Lagoas – MG.

Esperamos que gostem desta edição que antecede ao IX SIMBRAq. A todos, uma boa leitura e até breve.

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor