Editorial – Edição 37

Por que nos países desenvolvidos se arrancam plantações, se sacrificam rebanhos e se pagam altas quantias para que a terra não produza, se 35 mil pessoas, a metade crianças,

Fidel Castro, Presidente de Cuba, na abertura da Cúpula Mundial de Alimentação.

As nações se reuniram na Cúpula Mundial de Alimentação, realizada na sede da FAO, em Roma, para discutir basicamente o papel dos Estados e governantes que insistem em manter-se indiferentes à existência de 840 milhões de famintos e desnutridos, no mesmo mundo em que o drama de outras 500 milhões de pessoas é o de comer demais.

Diante de nossos olhos, continuam a se ondular todas as noites na TV, as marés humanas perdidas entre o Zaire e a Ruanda, sem que nenhuma alma poderosa e piedosa sinta a necessidade de cumprir um dever de civilização contra esta tragédia.

As dificuldades já atingiram a própria FAO, organizadora do evento, cujo orçamento atual de 650 milhões de dólares é menor que o dinheiro gasto em seis dias por nove países desenvolvidos com comida para cachorros e gatos e, menos do que 5% dos habitantes de um único país rico gastam por ano, para cuidar da silhueta, contra os problemas causados pelo excesso de alimentação. Mesmo assim, Jacques Diouf, o senegalês presidente da organização, acredita que a batalha contra a fome é a única que merece ser sustentada porque nos leva a preservar a vida e a consolidar as bases para a paz.

Todos nós aqüicultores sabemos que a aqüicultura é uma poderosa arma nessa batalha contra a fome mundial. Seu desenvolvimento em países com vocação inata, como é o caso do Brasil, deve fazer parte de uma estratégia mundial de manter cheias as despensas desse planeta. O desenvolvimento da aqüicultura brasileira é uma necessidade.

Felizmente, notícias alvissareiras chegam de Brasília dando conta que, por iniciativa do GESPE – Grupo Executivo do Setor Pesqueiro, se elabora neste final de ano o PNDA – Plano Nacional do Desenvolvimento da Aqüicultura. Pode estar aí a semente de uma vontade política que concretizará o desejo dos produtores, de ver a aqüicultura regulamentada e prestigiada com as medidas de estímulo que todos os governantes do mundo destinam aos setores produtivos estratégicos.

São boas notícias num final de ano que viu, mesmo sem o apoio estratégico do governo, a aqüicultura brasileira se desenvolver com o crescimento da carcinicultura marinha, da mitilicultura catarinense, da piscicultura e da ranicultura. Parabéns aos inúmeros responsáveis por isso. À todos os leitores os votos da Panorama da AQÜICULTURA para que alcancemos em 1997 os nossos objetivos de contribuir para um mundo melhor, sem fome…em paz.

À todas as nossas empresas patrocinadoras, nossos desejos sinceros de sucesso para que continuemos a crescer juntos com a aqüicultura brasileira. Boa leitura.

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor