Editorial – Edição 40

Mudanças, de um jeito ou de outro, fazem parte da nossa vida. Se bem que algumas nos pregam peças, como a sensação de retornar a uma cidade e constatar que ela mudou e com isso perdeu a identidade; a alma. Mas, de maneira geral, as mudanças são benéficas e trazem entusiasmo e esperança para todos.

Mudar os parâmetros, os padrões, as opiniões, as regras, os pontos de vista, não significa necessariamente insegurança ou indecisão. Ao contrário, pode significar maturidade, adequação e contemporaneidade.

Falo da importância das mudanças, para falar do DIPOA – Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e sua relação com os estabelecimentos de aqüicultura. Muitos aqüicultores querem mudanças nas regras de obtenção do selo do SIF – Serviço de Inspeção Federal. Não falo dos estabelecimentos de aqüicultura de grande porte como é o caso da Maricultura da Bahia, da Capiatã, da AGRIL, da RANDER e de mais alguns outros, que já têm o SIF. Falo daqueles que querem qualidade, com padrão internacional, mas que produzem apenas uma, duas, três…dez toneladas mensais. Reivindicam plantas de processamento com lay out e controle de inspeção sanitária, adequados ao seu porte.

Sem o SIF, o filé da tilápia paranaense não pode ser vedete nos restaurantes de São Paulo, nem a truta do Rio de Janeiro pode ser saboreada em Minas Gerais. A lei diz que, sem o SIF, nada pode ser comercializado fora do estado em que foi produzido, mesmo nessa época de globalização, em que a Internet nos diz até como será o tempo, semana que vem, em cima dos nossos viveiros.
Isso é muito sério; cria obstáculos e é limitador.
A briga é antiga e não existem mudanças à vista no DIPOA. O pé direito ainda tem que ser bem alto (padrão boi pendurado) mesmo que a truta não vá crescer mais que o tamanho do prato. Quem vai limpar as teias de aranha do teto, lá no alto?

Os produtores estão precisando de atenção com relação a esse assunto. Assim como existem leis e impostos adequados para os diversos tamanhos das empresas; micro, pequenas, médias, etc., por que não ter padrões diferentes de inspeção de pescado? Esse importante assunto está nesta edição, onde destacamos também a matéria sobre a produção de sementes de ostras nativas, já criadas no Rio de Janeiro pela FIPERJ, com o auxílio de tecnologia cubana; e a produção de alevinos de jundiá no Rio Grande do Sul, um peixe também nativo, com um bom potencial de cultivo.
À todos uma boa leitura,

Jomar Carvalho Filho
Biólogo e Editor