Editorial – edição 57

jomar (1)

Demorou um pouco, mas aí está a página da nossa revista na internet. O endereço www.panoramadaaquicultura.com.br ficou um pouco longo, mas é o nome da revista e não poderíamos escolher outro. A vantagem é que ninguém vai esquecer na hora de digitá-lo. Estamos muito felizes em disponibilizar mais este serviço e desejamos que ele venha a ser, ao lado da revista, um apoio confiável para todos os que queiram informações referentes aos cultivos aquáticos. Como não poderia deixar de ser, estamos um pouco apreensivos com a receptividade; até porque gostaríamos que ela estivesse mais bem acabada quando do seu lançamento. Fica o consolo de que nem todos os recém nascidos são bem acabadinhos. Sabemos que o formato como ela poderá ser acessada agora está um pouco diferente do resultado final que queremos oferecer muito em breve aos leitores internautas, mas optamos por colocá-la logo no ar para então ir lapidando as arestas e acrescentando os serviços que pretendemos oferecer. A nossa opção sempre foi pela qualidade do conteúdo e estamos apostando na interatividade da busca que o leitor poderá fazer ao longo das 57 edições que já publicamos. A página na internet é um dos nossos projetos para comemorar o ano 2000 e os leitores, desde já, estão convidados a dele participar.
Saindo do mundo virtual, trazemos à mesa nesta primeira edição do ano, a sustentabilidade, tema presente em dois artigos que falam do futuro; até porque é impossível falar sobre o futuro sem falar em sustentabilidade. Em um deles o enfoque é a capacidade de suporte dos ambientes em que se praticam os cultivos aquáticos. São muitos os exemplos em que o desrespeito à capacidade de suporte causou sérios prejuízos ao bolso dos investidores e, pior, ao meio ambiente que pertence a todos nós. Os cultivos aquáticos do futuro próximo não podem errar na mão e é sobre isso que o biólogo Felipe Suplicy nos relata em seu artigo. O outro tema que fala de futuro e sustentabilidade foi abordado pelo também biólogo Alexandre Wainberg que, como bom carcinicultor que é, sabe que a agressividade da indústria foi a principal responsável pela má fama que a carcinicultura tem em diversos países, além das epidemias que aqui e ali causam prejuízos profundos aos criadores de camarões ao redor do mundo. Alexandre fala dessas interações ambientais e do caminho a ser seguido pela indústria nacional.

E por falar em epidemias, vale o registro de um episódio que mostra a seriedade e os bons frutos decorrentes da boa organização de uma associação. Sabemos que em novembro do ano passado as autoridades brasileiras atenderam ao pedido da ABCC – Associação dos Criadores de Camarões, para suspender temporariamente todas as importações de crustáceos marinhos e de água doce e seus produto derivados. A medida visa impedir que dois vírus extremamente perigosos alcancem e destruam as criações brasileiras, a exemplo do que andam fazendo em muitos países da América Central. Mesmo assim, vias diplomáticas se mexeram recentemente para que empresas norte-americanas pudessem exportar camarões para o Brasil, arrombando dessa forma nossas barreiras sanitárias. A ABCC, bem respaldada pelos seus técnicos, municiou as autoridades brasileiras com todas as informações necessárias e a boa notícia é que as barreiras estão firmes e continuam deixando mais sossegados os produtores brasileiros. Os tempos realmente mudaram e a impressão clara que se tem é que as autoridades deixaram de ser, elas próprias, as barreiras, passando a ser parceiras no desenvolvimento maduro da indústria aqüícola.

Em suas mãos, leitor, mais uma edição recheiadinha. A todos uma boa leitura e uma boa surfada em nossa página.

Jomar Carvalho Filho – Biólogo e Editor