Editorial – Edição 62

Me lembro bem que ao chegar em Recife, para participar do Simbraq, em novembro de 1998, fui puxado a um canto por um alto funcionário do Ministério da Agricultura para ser informado, em primeira mão, que a normatização do “Decreto das Águas Públicas” seria assinado na tarde daquele mesmo dia numa solenidade em Brasília. Só fiz parabenizá-lo pelo empenho e detonei, naquele mesmo instante, o processo de gestação do que seria a principal matéria da Panorama daAQÜICULTURA, na edição seguinte.

Informaria aos leitores todos os pormenores do texto da normatização, seus pontos duvidosos ou pouco claros, e sua repercussão entre os usuários e concessionárias de energia elétrica. A pauta da próxima edição começava ali, nos corredores do Centro de Convenções. Bem, como todos já sabem, tudo não passou de um factóide. Serviu apenas para animar as conversas nos corredores daquele evento e comemorar a eficiência do recém inaugurado Departamento de Pesca e Aqüicultura do MA, já mostrando serviço àquela altura.

E não é que a estória se repetiu dois anos depois? Acreditem: assim que cheguei em Florianópolis para participar do último Simbraq, que se realizou no final de novembro passado dentro do evento Aqüicultura Brasil 2000, fui puxado novamente a um canto por um funcionário do DPA, para ser informado “quase” em primeira mão que a tão desejada normatização já estava quase sendo publicada no Diário Oficial, restando àquela altura somente a assinatura do Ministro da Marinha (ou seria da Defesa?). A certeza vinha do fato de que até o Ministro do Meio Ambiente já havia jamegado o documento. Na mesma hora me vi abrindo manchetes, listando aqueles que eu gostaria que dessem suas impressões sobre o assunto, os destaques, enfim, do que seria uma das mais importantes noticias já dadas nesta revista.

Pois saibam que demorei ainda algumas horas antes de “cair na real” e perceber que estava sendo vítima de mais um factóide. Confesso que desde que retornei de Florianópolis tenho procurado saber, ao menos, o que de fato está acontecendo sobre o assunto. Difícil foi achar alguém em Brasília neste final de ano e, mais difícil ainda, alguém que soubesse alguma coisa sobre este tema, que ao que parece, está sendo tratado entre quatro paredes, sem que os verdadeiros interessados participem de absolutamente nada.

Ainda não foi nesta edição que pude trazer esta grande notícia, que comecei a elaborar há dois anos atrás. Fico por aqui lamentando. Mas continuo atento e, confesso, um pouco apreensivo com a possibilidade de receber pela terceira vez o mesmo factóide, só que daqui a dois anos, no próximo Simbraq de Goiânia.

No evento de Florianópolis, como era de se esperar, houve a troca da presidência da Abraq – Associação Brasileira de Aqüicultura. Saiu Roberto Carlos Barbiere para dar o lugar ao piscicultor goiano Adilon de Souza, que assumiu o cargo com promessas feitas em discurso apaixonado. A gestão de Barbieri e de toda a sua diretoria, não deixará nenhuma saudade. Sobrou para o Adilon de Souza, o grande desafio de fazer reviver a Abraq, sob pena dela morrer vítima do descrédito que agora padece.

Com esta edição, leitor, que registra o último bimestre do ano 2000 mas que, como sempre, chega às suas mãos no início do ano que se inicia, desejo, em nome de todos da família Panorama da AQÜICULTURA, os mais sinceros votos de paz, de saúde e prosperidade e que estejamos cada vez mais juntos, acompanhando o desenvolvimento desta indústria que tanto respeitamos.

Uma boa leitura e um ótimo 2001 a todos,

Jomar Carvalho Filho – Biólogo e Editor