Eficiência do alimentador reduz custo de produção e aumenta a produtividade 

O uso de sistemas automatizados para alimentação de animais aquáticos em viveiros pode ser o elemento que faltava para tornar os empreendimentos de aquicultura mais rentáveis, pois eles otimizam a distribuição da ração nos tanques e minimizam a necessidade de mão de obra, justamente os dois fatores mais dispendiosos nessa conta. Fabricado pela Bernauer Aquacultura (Beraqua), de Santa Catarina, o alimentador Potyguaba vem ganhando mercado como o único desenvolvido para uso realmente industrial, apto a desempenhar um trabalho pesado e contínuo: tem silos com capacidades entre 100 e 200 kg, para carcinicultura, e outros de até 800 kg estão sendo desenvolvidos para a piscicultura. 

Dotado de tecnologia de ponta, o equipamento pode ser programado e controlado à distância, a partir de um sistema (Lora) desenvolvido pelos fabricantes e que permite ao usuário determinar e acompanhar o desempenho do alimentador via internet, por wi-fi. O sistema conta com geoposicionamento, que mostra a localização de cada unidade nos viveiros e alerta para eventuais necessidades de reposicionamento. A tecnologia embarcada garante ainda que se possa checar a agenda de cada alimentador, observando se cumpriu todas as etapas programadas ou não. Em caso de incidentes como falta de energia ou dano causado por intempéries, o alimentador envia a informação via app para o celular cadastrado, permitindo rápida ação de manutenção.

O funcionamento do Potyguaba

O alimentador é composto por um silo acoplado a um dispositivo dispersor, sustentados em um flutuador, e funciona com energia elétrica ou energia solar. Conforme programação prévia, a quantidade de ração é liberada do silo por meio de um dosador mecânico ou elétrico, dependendo do modelo, e é lançada de forma circular, em ângulo de 360°, alcançando até 30 metros de diâmetro e cobrindo uma área de 1.250 m2. Este alimentador é o único que permite dispersar alimento úmido. E seu dosador elétrico, ao mesmo tempo em que quantifica com precisão o alimento a ser dispensado, também aciona um sistema de movimentação interna do silo que agita a ração – principalmente em pó – evitando que fique compactada em determinados pontos. Além disso, a força de propulsão do dispersor garante que a ração – mesmo os minúsculos pellets de 0,6 e 0,4 mm – chegue em igual quantidade em cada um dos 15 metros de raio alcançados, proporcionando a todos os animais uma alimentação uniforme. 

Especialmente quando é usado em alevinagem, o Potyguaba com dosador elétrico faz a diferença, pois seu sistema de precisão para a liberação de ração garante a uniformidade dos alevinos. No caso da piscicultura, em vez de funcionar de forma fixa dentro do viveiro, o alimentador pode trabalhar deslocando-se de um lado para o outro da superfície aquática. Segundo Cláudio Tessarolo, gerente de vendas da Beraqua, a importância desse sistema móvel é que há diferença no processo de alimentar peixes e camarões: “Para os camarões a gente cria praças de alimentação: você identifica os pontos no viveiro onde o camarão mais se alimenta e posiciona os alimentadores ali. No caso do peixe, o ideal é distribuir o alimento por toda a área do viveiro, porque as densidades são diferentes, as biomassas são diferentes, e há um número muito maior de indivíduos”.

Equipamento tem boa entrada em países latinos

Segundo Cláudio, carcinicultores brasileiros ainda demonstram pouco interesse em automatizar a alimentação, ao contrário dos produtores de alguns países da América Latina onde o Potyguaba é comercializado com muito sucesso, como Equador, Guatemala, Honduras, Costa Rica e República Dominicana. No Equador, que é hoje o maior exportador mundial de camarão, há muito tempo não se usam mais bandejas e ainda prevalece a alimentação por voleio, o que significa fazer a distribuição manual de alimentos de três a quatro vezes por dia. Mas isso está mudando, e um número crescente de produtores equatorianos já estão utilizando hidrofonos, que são microfones submersos que permitem ouvir para saber se os camarões pararam de se alimentar ou se ainda seguem se alimentando. Essas informações são processadas e enviadas aos alimentadores, que chegam a ser acionados de 200 a 250 vezes num único dia, o que reduz o desperdício de ração e melhora a conversão alimentar dos camarões.  “Hoje, o custo de produção está cada vez mais próximo do preço de venda, então as únicas maneiras de você conseguir otimizar o seu ganho é melhorando os rendimentos em termos financeiros, buscando uma conversão alimentar melhor, uma redução no tempo de cultivo, além de obter animais mais uniformes. Em tudo isso o Potyguaba ajuda muito”, diz Cláudio.