Elek Woynarovich

Por: Jomar Carvalho Filho e Philip C. Scott


Existem homens que lutam um dia e são bons Existem outros que lutam um ano e são melhores Existem os que lutam muitos anos e são muito bons Mas existem os que lutam por toda a vida Esses são os imprescindíveis
Bertold Brecht

O Brasil tem mais uma vez o privilégio de receber para uma visita, o Dr. Elek Woynarovich. Chega ao país trazido pela APISC – Associação dos Piscicultores comprovando assim que através da união de esforços, representado pela força associativa, pode-se conseguir muito no âmbito da iniciativa privada.

Esse homem que iniciou sua trajetória profissional em 1938 na Hungria, onde nasceu, emprestou seus conhecimentos à 23 países do mundo ensinando suas técnicas de propagação artificial de peixes.

Nascido em 1915, hoje com 78 anos, o Dr. Woynarovich interessou-se pelas Ciências Naturais estudando química e biologia, sendo a Limnologia seu primeiro campo de trabalho.

Tendo participado da 2º guerra mundial, ao voltar em 1947 ao seu país de origem, teve a missão de reconstruir o Instituto de Piscicultura. A Hungria passou no pós-guerra por um grave problema de fome e a piscicultura foi um forte instrumento para solucionar a escassez de alimentos e suprir a necessidade de fornecer proteínas para a população.

Nesses anos que se seguiram ao seu retorno tomou conhecimento, através de notícia de jornal, de um brasileiro de nome alemão – Rudolf Von Ihering, que havia desenvolvido um método que permitia a propagação artificial de peixes. Não demorou muito para que, em 1950, Woynarovich fizesse sua primeira hipofisação, o que não parou mais de fazer nos últimos 43 anos.

Os contatos com a América Latina tiveram início em 1974, na Venezuela, para uma reunião de planejamento visando o desenvolvimento da piscicultura interior. Em 1977, ainda na Venezuela, conseguiu pela primeira vez a reprodução do “Cachama” o nosso Tambaqui.

Após ter vivido 3 anos e meio naquele país, já de volta à Hungria, Woynarovich foi casualmente convidado (era o único a falar espanhol) para compor uma comissão húngara que veio participar de uma feira agropecuária, em São Paulo. Desta visita em diante foram 9 anos de vindas inin-terruptas ao Brasil, sempre por três meses, para propagar ar-tificialmente peixes nas estações da CO-DEVASF, DNOCS e SUDEPE através de um convênio entre o Brasil e a Hungria para o desenvolvimento da piscicultura.

Da mesma forma que trouxe para o Brasil sua experiência e aqui treinou muitos pesquisadores e técnicos, Woynarovich levou suas técnicas a 23 paises, na maioria do terceiro mundo, entre eles Filipinas, Malásia, Tailândia, Nepal, Zambia e Nigéria.

Sua carreira foi reconhecida e Woynarovich foi agraciado com um Prêmio da Academia de Agricultura de Estocolmo (uma espécies de Prêmio nobel) pelas relevantes contribuições a humanidade. Em 1991, na reunião da WAS – World Aquaculture Society realizada em Halifax no Canadá, foi ho-menageado tornando-se membro vitalício.

Assim que chegou ao Brasil, Woynarovich foi convidado para participar de um Se-minário, para os sócios da APISC em Rio Bonito. Nesta ocasião foi possível, todos e para nós do Panorama da AQÜICULTURA, um contato mais estreito com este homem simples e muito gentil, que conhece profundamente a fi-siologia da reprodução de peixes e que, prin-cipalmente, conseguiu transformar esses conhecimentos em benefícios para aqueles que sofrem pela falta do que comer. A Elek Woynarovidc, nossa profunda admiração.


Um novo jeito para tirar hipófises de peixes

Em 1984, na Estação de Piscicultura de Itiúba da CODEV ASF, Elek Woynarovich e seu filho András Woynarovich desenvolveram um método para extração da hipófise de peixes sem que os mesmos ficassem mutilados e perdessem seu valor comercial. O método, até agora não divulgado, foi relatado pela primeira vez,com exclusividade, por Ele_.W oynarovich para os leitores do Panorama da A QUICULTURA.

“Originalmente a hipófise de peixes é recolhida após a remoção da parte superior do crânio com um corte de faca. O cérebro então é dobrado para trás e a hipofise, que fica na base do crânio, pode ser então retirada com uma pinça. Outra possibilidade é a defurar o crânio de cima para baixo com um cortador circular (serra-decopo) e, da “rolha” sacada, se extrai a hipófise.

Embora eficazes, ambos métodos deterioram o valor de mercado do peixe dado a aparência lesionada, tornando muito dificil a venda de peixes peixes frescos e saudáveis para o mercado.

. Os. peixes, se não forem vendidos eviscerados, precisam ser cortados da nadadeira peitoral até o fim da mandíbula. Com este corte o palato do peixe é posto à mostra para que o cortador circular possa ser utilizado. Com alguma prática se retira com facilidade a “rolha” contendo os ossos do palato e a sella turca onde fica repousada a hipófise. Pode-se usar cortadores circulares ou serras-de-copo de diferentes “bitolas” de acordo com o tamanho do peixe doador. O corte que foi feito mal será percebido e, desta forma, não será necessário diminuir seu valor de mercado.